03/11/2014 16h53 – Atualizado em 03/11/2014 16h53
Organização aponta que 35,8 milhões de pessoas estão expostas ao trabalho escravo em todo o mundo
Fonte: CNM
O número de pessoas que ainda vive em situação de escravidão em todo o mundo tem crescido. Atualmente são 35,8 milhões, segundo dados da fundação internacional Walk Free. E, de acordo com a representante da organização, Diana Maggiore, este total é 20% maior em relação aos resultados do The Global Slavery Index 2013, o primeiro estudo da Walk Free. À época eram 29,8 milhões de pessoas em situação de escravidão.
No Brasil, aproximadamente 220 mil pessoas trabalham como escravos. E uma curiosidade revelada pelo Walk Frre: a quantidade de escravos na zona urbana foi maior em relação à zona rural dos Municípios brasileiros em 2013. A organização explica que um dos motivos pode ser os eventos esportivos, que contribuem para as contratações irregulares e sem quaisquer direitos – o que caracteriza a escravidão.
Entre as formas de escravidão estão o tráfico de pessoas, o trabalho infantil, a exploração sexual, o recrutamento conflitos armados e o trabalho forçado em condições degradantes, com extensas jornadas, sob coerção, violência, ameaça ou dívida fraudulenta.
Enfrentamento à escravidão
Os dados da Walk Free confirmam pesquisas anteriores da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Em 2012, ela mostrou que quase 21 milhões de crianças e adultos estão em regimes de escravidão em todo o mundo. A Ásia e a região do Pacífico são lugares críticos, com inúmeras denúncias. Recentemente, uma brasileira recebeu um bilhete com pedido de socorro de um trabalhador chinês, dentro de um pacote de compras de um site internacional.
A OIT acredita que 11,7 milhões de pessoas sejam escravizadas na Ásia e na região do Pacífico. Em 1998, a organização lançou a Declaração de Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho. O documento prega a erradicação do trabalho escravo e infantil, a não discriminação no trabalho e a liberdade sindical.
Na Ásia e no restante do mundo, o perfil desses trabalhadores é o mesmo: pessoas pobres, a maioria mulheres e crianças, e que geralmente migram do local de origem, dentro do próprio país ou não, por conta própria ou forçados, e sem educação formal aceitam qualquer proposta de trabalho. Alguns trabalham em troca de abrigo e comida.
Atuação brasileira
O Brasil, de acordo com a OIT, tem estrutura de combate ao trabalho escravo e faz apreensões por meio de fiscalizações. Mas, o país também pode ajudar de outra maneira. Qualquer governo que tenha relações comerciais com outro e que perceba que, no processo de fabricação dos produtos, há a utilização de trabalho escravo, pode impor condições para a comercialização, assim como faz o setor privado.
A OIT alertou o governo brasileiro sobre o aumento da imigração. Cada vez mais latino-americanos, africanos e asiáticos chegam ao país em busca de trabalho, e o Brasil deve se preparar para enfrentar esse problema com mais frequência.

