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domingo, 3 de maio de 2026

Bandeirinhas, quadrilha e quitutes: Hoje é Dia de São João!

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24/06/2015 09h34 – Atualizado em 24/06/2015 09h34

Bandeirinhas, quadrilha e quitutes: Hoje é Dia de São João!

Fonte: MinC

Bandeirinhas, fogueira, músicas alegres, muita dança e quitutes. A citação desses elementos remete imediatamente a um dos eventos mais comemorados pelo País afora há várias gerações: as festas juninas. Elas se configuram como um dos mais fortes exemplos da junção da diversidade e criatividade brasileira ao agregar elementos das mais diferentes culturas e etnias – católica, negra, indígena, europeia e caipira nacional.

“Essas festas de junho e julho já eram realizadas antes da Idade Média, em locais como Alemanha e países nórdicos, no solstício de verão (dia com maior duração da luminosidade do sol, em 21 de junho, no Hemisfério Norte), em homenagem aos deuses relacionados à natureza e à fertilidade”, explica o especialista em cultura popular e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Fernando Pereira. “A Igreja Católica tentou combater a prática e não conseguiu. Então, resolveu incorporar as atividades, passando a usar os dogmas católicos para comemorar os dias dos santos: Antônio (13 de junho), João (24 de junho) e Pedro (29 de junho)”.

Os itens das festas juninas são carregados de simbolismo, mesmo que seus usos e significados mudem ou se renovem. As bandeirinhas, por exemplo, surgiram com as imagens dos santos pregados nelas para serem adorados durante o festejo, as quais passavam por um banho, no ritual de “lavagem dos santos”. Aos poucos, perderam as imagens e passaram a ser usadas mais de forma decorativa.

Ao chegar ao Brasil, a tradição junina religiosa foi se adaptando à realidade e aos costumes locais, no tocante a músicas, danças, decoração, vestimentas e adereços, como explica a antropóloga e professora da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Luciana Chianca. “Os alimentos consumidos nas festas guardam sempre relação com a cultura autóctone. No Nordeste, o milho, a mandioca e a cachaça estão no centro das festas, enquanto o pinhão é o alimento junino por excelência em algumas cidades do Sul do Brasil”, exemplifica.

Segundo Luciana, os indígenas brasileiros aderiram às festas juninas, que também contava com procissões e autos, conforme relatos de alguns padres jesuítas dos séculos XVI e XVII. “Dizem que os indígenas gostavam de pular as fogueiras, como fazemos até hoje, e a relação com a religiosidade afro-brasileira é também presente – o candomblé associou São João a Xangô, por exemplo. Em junho, muitos terreiros também festejam os dias dos santos, em rituais de grande adesão coletiva e muita beleza, envolvendo fartura de alimentos, bebidas, músicas e danças”, destacou.

No Nordeste, as festas dos municípios de Campina Grande (PB) e Caruaru (PE) tomaram proporções “carnavalescas”, movimentando milhões de reais e reunindo milhares de turistas, que aproveitam o som de quadrilhas e forrós. As duas cidades, inclusive, disputam saudavelmente o título de Maior São João do Brasil.

Quadrilhas

As quadrilhas dançadas por grupos amadores e profissionais ainda carregam influência das danças tradicionais dos salões franceses. Até a linguagem usada pelos puxadores de quadrilha, ainda hoje, usam versões abrasileiradas de alguns comandos da dança como: o “anarriê” (en arrière – atrás) – que indica para os casais irem para trás; “alavantú” (en avant tous – todos à frente) – que orienta os casais a irem para frente; e “otrefoá” (autre fois – outra vez), para repetir o passo anterior.

O sucesso da festa junina, na avaliação dos especialistas, se deve à possibilidade de promover a sociabilidade coletiva: juntar famílias, vizinhos, adultos e crianças. “As festas juninas são um dos pilares culturais do Brasil, elemento de grande importância, configurando nossa história e confortando nossa memória. Lembro sempre que suas expressões revelam vínculos afetivos tecidos no cotidiano das religiões, classes, gêneros e gerações”, finalizou Luciana Chianca.

 Quadrilhas dançadas por grupos amadores e profissionais carregam influência das danças tradicionais dos salões franceses (Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr)

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