11/12/2015 14h58 – Atualizado em 11/12/2015 14h58
Fonte: Adital
Quando falamos em alterações climáticas, o solo não é exatamente a primeira coisa que nos vem à mente. Fala-se das emissões de dióxido de carbono, do derretimento das geleiras, do aumento das temperaturas, mas nunca se fala daquilo que temos todos os dias sob os nossos pés. O que sustenta nosso mundo, de fato, é um dos fatores-chave, que podem ajudar a mitigar os efeitos do aquecimento global sobre os nossos ecossistemas.
A principal função de mitigação desenvolvida pelo solo é o armazenamento de CO2, ou seja, a retenção de dióxido de carbono e de outros gases que, se liberados na atmosfera, contribuem para o aumento do efeito estufa. Nas palavras da Agência Europeia do Meio Ambiente, o solo é a “segunda grande piscina”, depois do oceano, que captura o CO2, garantindo que ele não seja liberado na atmosfera.
Dessa forma, à medida em que o solo é danificado pelo desmatamento, erosão, compactação e urbanização, o CO2 contido no subsolo vem à tona, contribuindo ainda mais para o aumento das temperaturas; a acidificação dos oceanos e todas as outras consequências conhecidas. Somente o solo europeu armazena mais de 75 bilhões de toneladas de dióxido de carbono que, a cada dia, é gradualmente liberado pelas várias atividades humanas.
Mas, em termos concretos, o que causamos ao danificar o solo? O solo oferece gratuitamente uma infinita variedade de serviços, que chamamos de ecossistêmicos. Entre os mais importantes estão: a conservação da biodiversidade, a produção de alimentos e os chamados serviços de apoio, incluindo o próprio armazenamento de carbono; a regulação da qualidade da água, o controle da erosão e a proteção contra eventos hidrogeológicos extremos. Questões que têm afetado muito o território italiano, vítima de condições meteorológicas extremas, também causadas pela má gestão do solo. De acordo com o último Relatório ISPRA sobre o Consumo do Solo, no país, são destruídos, de maneira praticamente irreversível, 55 hectares de terra por dia, ou seja, 6,7 metros por segundo.
Dessa forma, o solo é um recurso que, se mal administrado, também esconde um grande problema. Este é um dos assuntos que se discute em Le Bourget, bairro parisiense onde é realizada a 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP21.
A questão do uso do solo nas negociações internacionais está inserida na grande categoria do Land Use Land Use Change and Forestry (LULUCF), já há muito reconhecida como elemento importante na mitigação da mudança climática. Mesmo que, atualmente, seja ainda difícil obter dados confiáveis nessa área – já que o monitoramento encontra vários obstáculos. O próprio LULUCF desempenha um papel fundamental dentro das Contribuições Nacionais Voluntárias (INDC), programas anuais de redução de emissões que os Estados-membros devem apresentar periodicamente. Não é preciso dizer que essas propostas, até o momento, têm sido muito pouco ambiciosas.
Como argumentou Lucia Perugini, do Centro Euro-Mediterrâneo sobre Alterações Climáticas, durante uma reunião na COP21, as consequências do mau uso do solo são mais sentidas em nível local do que global. Por isso, é exatamente em nível local que torna-se urgente pensar em políticas de mitigação, sem esperar diretrizes de níveis superiores, muitas vezes, ineficazes e pouco adequadas aos territórios em que devem ser aplicadas.
As soluções
Mudar a rota é possível e, para fazê-lo, não são necessários milhões de dólares para financiarem tecnologias avançadas e sistemas de pesquisa de última geração. As soluções já existem, mas, atualmente, não são aplicadas suficientemente, e, portanto, exigem maior implementação. A compensação por meio do reflorestamento, por exemplo, é uma delas.
É preciso, sem dúvida, investir mais na formação de administradores locais, de forma a que possam estar cientes dos danos que enfrentam. Mas que saibam também que as alternativas de crescimento são possíveis e que não se deve necessariamente destruir o território para se definir como “desenvolvidos”.

