Venda de material escolar no município é prejudicada por concorrência com Paraguai e kits do governo do Estado
Uma das principais obrigações dos pais no começo de todo ano é a compra de material escolar para o ano letivo. Sabendo disso, muitos pais quando recebem a lista de materiais dos filhos vão as papelarias fazer orçamentos e pesquisar preços dos vários itens pedidos pelas escolas.
Porém, muitos pais deixam de comprar o material escolar dos filhos no comércio local para fazer as compras no Paraguai, pensando que dessa forma irão economizar e encontrar mais diversidade de produtos. Essa é a principal queixa da maioria dos comerciantes de Amambai do ramo de material escolar.
Segundo Berenice Signori, proprietária da Barbarela, uma das papelarias de Amambai, a concorrência com os produtos do Paraguai atrapalha o comércio local. “Eu ouço as pessoas falando que vão comprar no Paraguai porque é mais barato, mas aqui também é barato, é só se programar e não deixar para a última hora. Além disso, a qualidade e diversidade dos produtos são maiores no mercado interno, pois nós compramos direto do fabricante” explica Berenice.
Concorrência interna e kits
Os proprietários de papelarias de Amambai também citaram a concorrência local como uma das dificuldades neste começo de ano. Essa concorrência ocorre principalmente entre mercados, que também vendem os materiais escolares muitas vezes com preço bastante inferior.
Na opinião de Milene Marques Martins Selhorst, da Livraria do Estudante, essa concorrência é boa por um lado. “Com a concorrência entre nós e os mercados, temos que mostrar um diferencial, diversificar os produtos, oferecer um ótimo atendimento, pois as pessoas buscam o preço baixo, mas também qualidade”, disse ela.
Mas o desafio maior para as papelarias é competir com o governo do Estado, que pelo segundo ano consecutivo irá distribuir kits escolares para os alunos da rede estadual, o que faz com que muitos pais não comprem material, ficando apenas com o kit.
“A distribuição dos kits prejudica o trabalho do comerciante, porque os beneficiados só ficam com o kit e não compram o material nas lojas e isso não gera lucro. Mas não somos só nós comerciantes prejudicados, temos que pensar que os funcionários precisam trabalhar”, disse Berenice.
Começo de ano calmo
Segundo Alessandra Gonçalves, proprietária da Papelaria Shalon, as vendas deste começo de ano estão tranquilas. “Nesta mesma época no ano passado, foi uma correria enorme, mas este ano ainda não passamos por isso. O que geralmente acontece é que cerca de 15 dias antes do começo das aulas as vendas esquentam de vez”, disse Alessandra.
Para Alessandra, outro diferencial neste ano são as listas escolares que estão mais simples. “As escolas fizeram listas menores, mais simples este ano, está bem tranquilo de comprar os itens que estão bem em conta” frisou a empresária.
Preferência
Muitos pais já têm uma livraria ou outro comércio de preferência onde compram o material escolar de seus filhos. É o caso de Pamela Yara Machado, mãe de três meninas, duas em idade escolar. “Compramos a maior parte em livraria onde somos clientes, porque a gente parcela no cartão; e algumas coisas compramos no mercado”, explica ela. Questionada sobre pesquisa de preço ela afirmou que não faz “porque temos uma livraria de nossa preferência”.
Já Pércio Ribeiro Bueno, pai da Amanda, disse que fará pesquisa de preço no comércio de Amambai e no Paraguai. O critério usado será qualidade do produto e melhor preço.
Início das aulas
O início das aulas da rede pública municipal e estadual em Amambai é dia 7 de fevereiro. Até lá, o apelo dos comerciantes de Amambai é que os pais dos alunos façam suas compras de material escolar no comércio local, pois isso gera empregos e aquece a economia, já que esse setor é um dos que mais trabalha e emprega no começo do ano.
Fernanda Moreira
Com edição de Viviane Viaut
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