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sábado, 2 de maio de 2026

Cursos para gestores produzem impactos positivos pelo Brasil

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27/01/2016 11h07 – Atualizado em 27/01/2016 11h07

Cursos para gestores produzem impactos positivos pelo Brasil

Fonte: MTur

Os municípios de Rondon do Pará (PA) e Cláudia (MT) convivem com cenários semelhantes de carência, mas vislumbram perspectivas de melhorias em suas atividades de lazer e cultura. Novas ideias e possibilidades de atuação surgiram após gestores das secretarias de Cultura das duas cidades terem participado, em 2015, de cursos de extensão promovidos pelo Ministério da Cultura (MinC) e parceiros, no âmbito do Programa Nacional de Formação de Gestores e Conselheiros Culturais.

As duas cidades ficam na zona rural de seus estados, com economias que, antes, dependiam do extrativismo de madeira e, atualmente, do plantio da soja. Não possuem cinema, teatro, nem casa de shows. Mas mesmo diante da falta de recursos financeiros e humanos, estão colocando em prática ações para alterar a atual situação.

A cerca de 530 km da capital paraense Belém, Rondon do Pará tem pouco menos de 50 mil habitantes e quase nenhuma opção de lazer e espaço para atividades culturais. Segundo a secretária municipal de Cultura, Turismo e Juventude, Rosa Maria Peres, a ideia é usar espaços antes ociosos para oferecer oficinas culturais e apresentar filmes à população.

“A ideia de fazer as Casas Populares de Cultura surgiu durante o curso (de formação de gestores e conselheiros culturais). Falamos com as associações de moradores. Eles aceitaram e estamos mobilizando. Estamos montando em cinco bairros – Jaderlândia, Novo Horizonte, Bairro Miranda, Gusmão e Parque Elite”, contou Rosa.

Segundo a secretária, serão oferecidas, a partir de março, oficinas de teatro, dança e literatura. “Vamos começar pequeno e ir crescendo aos poucos. E também teremos o cine cultural, para passar filmes brasileiros e estrangeiros, e fazer debates depois”, informou.

Para Rosa, que é escritora e tem formação em Pedagogia, o curso de gestão cultural teve um impacto positivo não só em sua formação pessoal, mas também em sua gestão à frente da secretaria. “Aprendemos muito sobre patrimônio. Tínhamos a necessidade da criação de museu aqui. Mas eles estão tão distantes da gente. Partimos, então, do que tem no município e do que daria para a gente fazer”.

No ainda menor município de Cláudia, a 600 km de Cuiabá, a secretária de Educação e Cultura, Esdra Nunes de Andrade, também lida com a falta de opções para desenvolvimento de atividades culturais e artísticas para a população de cerca de 11 mil habitantes.

“O curso de formação de gestores culturais fez a gente perceber que tem como valorizar a produção local. Os artesãos, por exemplo. A decoração natalina da cidade foi feita por eles com garrafas pet”, citou.

A preocupação de Esdra é a mesma de Rosa e de gestores de vários locais do Brasil e do mundo. Eles têm em comum o temor de que a ociosidade de jovens e crianças os leve ao envolvimento com o crime e com as drogas.

O maior empenho dela, agora, é tirar do papel a inclusão de aulas de música nas escolas de educação fundamental do município. Segundo Esdra, o professor já foi contratado e só falta definir como essas atividades serão encaixadas na grade curricular das escolas, de forma complementar e no turno contrário ao horário de aula dos alunos. “Quem estuda de manhã terá aula de música à tarde. E quem estudar à tarde, vai fazer aulas de música pela manhã”.

As duas gestoras, cada uma em sua região, se dizem ansiosas para a formação de novas turmas e de novos cursos na área cultural. “Deixei um pedido para um mestrado. Foi um intercâmbio maravilhoso. Tinha gestores, na minha sala, que não tinham formação. Aprendemos muito sobre legislação, patrimônio”, relembra Rosa.

Programa Nacional

Assim como Rosa e Esdra, mais de 1,5 mil pessoas concluíram cursos de extensão e pós- graduação em gestão cultural no âmbito do Programa Nacional de Formação de Gestores e Conselheiros Culturais. Desde 2010, foram promovidos 13 cursos – todos gratuitos e realizados por meio de parcerias com universidades públicas e fundações nas cinco regiões do País.

“O gestor cultural, além da atuação básica daquele que trabalha no setor público, precisa de um diferencial, necessita compreender o simbólico e ter visão ampla para entender a complexidade cultural. A formação se fez necessária justamente porque essas qualificações não são inatas, e sim adquiridas e aprimoradas”, avaliou a coordenadora-geral substituta da Coordenação Geral de Instrumentos de Gestão do Sistema Nacional de Cultura (SNC), Luisa Galiza.

De acordo com Luisa, a Secretaria de Articulação Institucional do Ministério da Cultura (SAI/MinC) tem buscado fomentar ações de qualificação por acreditar em mudanças estruturantes que contribuam para constituição plena de uma melhor organização da gestão cultural pactuada entre os três níveis de governo – federal, estadual e municipal – como prevê o SNC.

“É imprescindível que as ações de fomento à formação da gestão sejam contínuas e institucionalizadas para dar corpo e garantia à qualificação cultural, pensando em uma política de formação do setor ampla, competente e com organicidade, para, assim, consolidar o SNC no País e permitir que a cultura, de fato, seja um elemento fundamental na pauta de governo e um fator decisivo no progresso do Brasil”, afirmou Luisa.

O investimento do Ministério da Cultura é de cerca R$ 10,5 milhões nos cursos que já foram finalizados e nos que estão em andamento. O público-alvo são gestores municipais e estaduais de localidades que fazem parte do SNC.

Para 2016, estão previstos mais dois cursos no Nordeste (ambos na Bahia), um em São Paulo e outro no Pará, que está com as inscrições abertas até 28 de janeiro. O curso será sediado na Região do Xingu, no município de Brasil Novo (PA), na modalidade presencial, com carga horária de 200 horas.

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