12/04/2016 08h10 – Atualizado em 12/04/2016 08h10
Fonte: Luiz Peixoto
Como parte da programação da Jornada da Consciência Feminina, promovida pela Coordenadoria da Mulher e pela UEMS, realizou-se no auditório da Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul – Unidade de Amambai, na noite de sexta-feira, 08/04/2016, debate acerca do tema do Aborto.
Participaram o debate a comunidade acadêmica dos cursos de Ciências Sociais e História, professores e a comunidade interessada.
O debate iniciou-se as 19h com a apresentação do documentário “O Aborto dos Outros”, da documentarista Carla Gallo, depois mediados pelo Professor Doutros Fabricio Deffacci, realizou um debate com a participação do médico Zelik Trajber e da enfermeira Jakeline Cristina, pontuando os desafios de discutir um tema polêmico, necessário e ainda cercado de contradições sociais e religiosas.
O documentário de Carla Gallo “O Aborto dos Outros” é o enunciado direto da dissimulação com que se trata a questão do aborto no Brasil atual
Há motivos distintos para os pronunciamentos sobre a questão do aborto nos dias de hoje. Motivos formulados como opiniões que, atenciosamente lidos, mostram-se acobertadores do que realmente se visa com a proibição legal desta prática tão familiar. Tais motivos devem ser analisados na intenção de colocar a questão no seu lugar devido, a saber, que o aborto é um problema das mulheres e que homens e instituições, para os quais o sexismo – a determinação da diferença sexual em que a mulher é vista como o “sexo” em si mesmo – é um método de controle, buscam o domínio do discurso sobre o aborto. Não poderia ser diferente já que o aborto no modo como é tratado no Brasil atual apenas faz ver o estatuto do poder na mão – e mais precisamente na ordem do discurso – dos homens contra as mulheres. Neste sentido, cabe também levar em conta que há para além da proibição da prática, certa evitação do ato de teorizar em torno do aborto por parte das mulheres. Homens falam sobre o aborto, mulheres – com raras exceções – parecem não se sentir confortáveis em defender a própria causa. Mas é claro que não se trata apenas disso. Deixar que as mulheres decidam não é uma prática desejável em um sistema patriarcal e é preciso começar impedindo que falem.
Que a sociedade se torne mais democrática quer dizer que o patriarcado cede diante da escolha das mulheres sobre seu próprio corpo. E esta escolha afirma-se em um discurso como reação contra a ordem patriarcal sexista que até os dias de hoje é malquisto em várias instâncias deste Brasil subjugado política e ideologicamente ao patriarcalismo.
Mas somente as mulheres poderão buscar a justiça para si mesmas e para aquelas que como elas sofrem na coleira do patriarcado.
Analisando o evento
Mais que uma questão médica, aborto é uma questão social. Não existem precisão de dados sobre o número e abortos realizados no Brasil, visto ainda ser tabu debater o tema, e que a busca por atendimento médico posterior aos abortos realizados fora do legalizado, leva necessariamente a denúncia da abortante.
Apesar da importância do tema e da abordagem, percebe-se uma participação pequena da sociedade em geral.

