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sexta-feira, 1 de maio de 2026

O lugar onde vivo é projeto em escola indígena de Amambai

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18/04/2016 19h57 – Atualizado em 18/04/2016 19h57

Che Tekoha [o lugar onde vivo] é tema de projeto na escola estadual indígena de Amambai

Fonte: Da redação

Che Tekoha em tupi-guarani significa “o local onde se vive, o meu lugar”. O vocábulo denomina projeto concebido pela Escola Estadual Indígena Mbo Eroy Guarani-Kaiowá, da rede de ensino de Amambai, com o objetivo de comemorar o Dia do Índio.

A intenção do projeto é justamente provocar a reflexão e a valorização do lugar onde vivem os alunos. Sob a coordenação dos seus professores, os alunos resgataram aspectos de sua cultura, como a culinária, música, dança, artesanato e vestimenta, entre outros. Para a realização, exploraram as receitas e alimentos tradicionais, a fotografia, concurso de música e de representação típica e a natureza.

A culminância do projeto aconteceu nesta segunda-feira, 18, véspera do Dia do Índio. Na oportunidade, foram produzidas salas temáticas com os trabalhos realizados pelos alunos. Ao final, foi realizado ainda o concurso para a escolha do casal de alunos que representa melhor a cultura indígena.

Uma das salas temáticas apresentando a cultura indígena, foi a dos segundos anos A e B. No local, eles reuniram as comidas típicas das famílias guarani-kaiowá. Para a aluna Iriliene Rodrigues, 15 anos, a atividade foi muito importante.

A mandioca, o milho, a batata-doce, o arroz com galinha e as frutas nativas estão entre os alimentos ainda consumidos e que fazem parte da tradição culinária. Já o piricai, que é a mandioca assada na terra, sob brasa, e a chicha, bebida feita a partir da fermentação do milho com açúcar, estão entre os que os mais jovens não conhecem muito.

Outra atividade desenvolvida, foi a produção de ilustrações comparando o modo de viver atual e o antigo. Diversos desenhos coloriram as paredes das salas; criatividade e criticidade não faltaram.

A escola

A unidade escolar está localizada na aldeia Amambai, em Amambai, a poucos quilômetros da área urbana do município. A escola atende cerca de 400 alunos que frequentam o Ensino Médio e o programa EJA – Educação de Jovens e Adultos. É a única que oferece essas modalidades de ensino na reserva indígena.

A diretora da escola, professora Nídia Eliane Peixer, acompanhou de perto o projeto. Ela entende que atividades como esta valorizam a comunidade dando-lhe o suporte necessário para buscar maior qualidade de vida.

A aldeia Amambai

A aldeia Amambai é uma das do município de Amambai – há ainda a Limão Verde e a Jaguari. Nas três áreas, moram, segundo o censo de 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 7.225 indígenas da etnia Guarani-Kaiowá. A aldeia Amambai e a mais populosa, lá vivem mais de 6.500 moradores.

A realidade na localidade não é diferente das outras do Brasil. Saúde, drogas, habitação, saúde e desemprego são problemas do dia-a-dia dos indígenas. As áreas são carentes de infraestrutura e superpopulosas. A grande maioria da população, cerca de 50%, é formada por crianças e adolescentes entre zero e 19 anos. Os dados são do IBGE.

O capitão da aldeia Amambai, Italiano Vasques, visitou a escola nesta segunda-feira, prestigiando os trabalhos desenvolvidos através do projeto Che Tekoha. Na sala das comidas típicas, ele relatou: “Tudo que foi feito aqui eu vivi, faltou ainda tatu e peixe assados”.

Desenho de aluno comparando costumes de gerações passadas com a atualidade. Foto: Moreira Produções

Grupo de servidores da Escola Estadual Indígena Mbo Eroy Guarani-Kaiowá.  Foto: Moreira Produções

 Foto: Moreira Produções

Sala temática apresentando pratos típicos da culinária indígena.  Foto: Moreira Produções

Sala temática com as ilustrações produzidas pelos alunos.  Foto: Moreira Produções

 Foto: Moreira Produções

A pintura com traços indígenas é uma das tradições mantida pelos jovens.  Foto: Moreira Produções

 Foto: Moreira Produções

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