21.1 C
Dourados
quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Outras 4 pessoas estão na lista de investigados da Coffee Break em MS

- Publicidade -

03/06/2016 19h33

Vereador, deputada estadual e ex-vereadores são investigados pelo MP-MS. Políticos dizem que cassaram Bernal com base no que foi colocado.

Fonte: G1MS/TV Morena

Outros quatro políticos estão na lista de investigados da operação Coffee Break em Mato Grosso do Sul. O vereador Chiquinho Telles (PSD), a deputada estadual Grazielle Machado (PR) e ex-vereadores Delei Pinheiro (PSD) e Juliana Zorzo (PSC) são suspeitos de participar de suposto esquema para cassar do prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP).

Telles, Grazielle e Pinheiro afirmaram que votaram a favor da cassação de Bernal com base no que foi colocado contra o prefeito. Juliana foi procurada, mas não atendeu às ligações até a publicação desta reportagem.

Ao todo, o Ministério Público do estado (MP-MS) pediu abertura de procedimento investigatório complementar da operação Coffee Break contra dez políticos. Os outros seis investigados, que tiveram os nomes divulgados na quinta-feira (2), são: a vice-governadora Rose Modesto (PSDB), o deputado federal Elizeu Dionizio (PSDB), a deputada estadual Antonieta Amorim (PMDB), que é irmã do empreiteiro João Amorim, e vereadores Carla Stephanini (PMDB), Vanderlei Cabeludo (PMDB) e Coringa (PSD).

O MP-MS tem indícios da participação dos dez suspeitos no suposto esquema ilegal investigado pela operação Coffee Break e busca mais evidências para formalizar uma denúncia.

Com exceção de Antonieta, todos os políticos citados eram vereadores na época da cassação de Bernal pela Câmara Municipal da capital sul-mato-grossense.

O Gaeco, ligado ao MP-MS, apurou suposta corrupção e compra de votos para cassar o mandato de Bernal, em março de 2014. O pepista conseguiu uma liminar na Justiça e foi reconduzido ao cargo no dia 25 de agosto de 2015.

Outro lado

Telles disse que votou a favor da cassação de Bernal e alegou que não tem conhecimento dessa investigação, que nunca foi chamado para depor e que não teve o celular apreendido pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). “Esse voto a favor do relatório é em relação à cassação. Disse que votei com base no que foi colocado contra o Bernal e não por influência de alguém.”

Grazielle afirmou que se propôs a prestar depoimento ao Gaeco, mas não foi chamada. “Eu fiz o que o Ministério Público determinou quando me intimou a investigar o prefeito Alcides Bernal no dia 22 de janeiro de 2013, sob pena de omissão de informação.”

Pinheiro destacou que, no dia da cassação de Bernal, votou o que achou que era certo e correto. “Não quis dizer sobre investigações, só disse que o MP faz o que acha certo e correto também.”

A vice-governadora Rose Modesto (PSDB), que em 2014 era vereadora de Campo Grande, disse que o voto para cassação do mandato de Bernal foi técnico, baseado nos elementos apresentados pela Comissão Processante. “Em momento algum meu voto foi condicionado a qualquer tipo de benefício, seja de cargo ou de recurso financeiro”, afirmou Rose.

Denúncia

Nesta semana, a Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ) entregou a denúncia da operação à Justiça com acusação contra 24 pessoas. Na lista estão empresários, vereadores, ex-governador André Puccinelli (PMDB), ex-prefeito Nelsinho Trad (PTB) e o prefeito afastado Gilmar Olarte (PP).

Com 361 páginas, a denúncia foi protocolada no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS) na tarde de terça-feira (31). Depois de nove meses de investigação, o MP-MS não tem dúvidas. O procurador-geral de Justiça, Paulo Passos, afirmou que a cassação de Bernal foi feita com interesses em dinheiro e poder.

Mesmo depois da denúncia, a investigação segue no MP-MS. Segundo o procurador-geral de Justiça, há indícios de envolvimento de mais pessoas no esquema, só que, por enquanto, não há elementos suficientes pra denunciar esses novos suspeitos à Justiça.

Investigações

As investigações da operação Coffee Break começaram no dia 31 de julho de 2015. A operação foi deflagrada em 25 de agosto, quando nove vereadores foram conduzidos para prestar depoimento no Gaeco, além de afastar dos cargos o então prefeito Gilmar Olarte e o presidente da Câmara Municipal, Mario Cesar Fonseca (PMDB).

Promotores analisaram o segundo semestre de 2013 até depois de 12 de março de 2014, quando Bernal teve o mandato cassado. “Está claro que houve de fato uma associação de pessoas, que por interesses empresariais e políticos, orquestraram um plano para, por meio de oferecimento de vantagens, obter votos para a cassação do prefeito Alcides Bernal”, explicou o coordenador do Gaeco, Marcos Alex Vera de Oliveira.

Três pessoas, que serão indiciadas por corrupção ativa, atuaram para angariar votos para a cassação, realizando reuniões e oferecendo vantagens. Houve inclusive compra de apoio para afastar Bernal. “Percebemos que os valores são variáveis. Agora percebemos casos que a movimentação desses valores tão muito maiores que em outros casos”.

Todas essas pessoas movimentaram duas a três vezes dos ganhos anuais. “Para citar apenas um exemplo, um vereador declarou ter recebido R$ 393 mil no ano de 2013 e movimentou em suas contas R$ 4,3 milhões”, ressaltou Marcos Alex.

Cinco pessoas foram identificadas como articuladoras do esquema. “Temos cinco figuras principais, ligadas à área empresarial e da área política, que efetivamente desenvolveram uma postura mais ativa”, disse o promotor.

Diário

A esposa de uma dessas pessoas tinha uma espécie de diário em um tablet, onde relatava o dia a dia do esquema. “Uma dessas figuras aparece em um diário da esposa, apontando claramente, muito antes das conclusões da Comissão Processante, que essa pessoa já estaria em reuniões para a cassação do mandato de Bernal”, relatou Oliveira.

Sobre parlamentares eleitos para outras casas legislativas, foi sugerido à PGJ auto de investigação complementar, porque tem foro privilegiado. “Para essa e mais quatro pessoas, foi sugerido aprofundamento das investigações, para formar arcabouço de provas mais seguro”, afirmou o coordenador do Gaeco.

Com relação aos nomes de todos os nomes dos indiciados, Oliveira explicou que só seriam revelados após o procurador-geral ter acesso ao relatório. “Sem nomes agora, mas tem surpresa”, ressaltou.

Cassação

Bernal teve o mandato cassado em 12 de março de 2014. Dos 29 vereadores de Campo Grande, 23 votaram a favor da cassação de Bernal por irregularidades em contratos emergenciais. Seis foram contra. Com isso, o então vice-prefeito Gilmar Olarte (PP) assumiu o comando do Executivo do município.

No dia 15 de maio de 2014, o juiz David de Oliveira Gomes Filho, da 2ª Vara de Direitos Difusos Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande, suspendeu o decreto de cassação e concedeu liminar para volta dele à chefia do Executivo municipal.

Na madrugada do dia 16 de maio de 2014, o TJ-MS acatou recurso da Câmara e cassou a liminar que determinava a volta de Bernal ao cargo de prefeito. Desde então, a briga passou por várias instâncias da Justiça, chegando até ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Ao todo, o Ministério Público do estado (MP-MS) pediu abertura de procedimento investigatório complementar da operação Coffee Break contra dez políticos / Foto: Divulgação

Denúncia da Coffee Break contra 24 é entregue àJustiça  / Foto: Alysson Maruyama/TV Morena

- Publicidade -

Últimas Notícias

- Publicidade -

Últimas Notícias

- Publicidade-