Em manifesto assinado por militantes e simpatizantes, o PT de Dourados reitera sua posição contrária à Aliança com o DEM e a luta por candidatura própria do PT no município.
Os filiados e simpatizantes petistas estão recolhendo assinaturas em um abaixo-assinado divulgando sua posição. Em reunião, os participantes definiram por escrever, divulgar e recolher assinaturas de filiados de simpatizantes do movimento.
O manifesto de repudio será protocolado em todas as instâncias do PT. No dia 10 de fevereiro, haverá a primeira reunião ordinária da Executiva Nacional do partido e os manifestantes querem estar com este abaixo assinado pronto.
O cabeçalho do manifesto é assinado pelo secretário geral do diretório municipal do PT de Dourados, Marcos Falco de Lima.
Conheça o documento
Manifesto de repúdio à coligação do PT com o DEM no município de Dourados.
Em respeito à história do Partido dos Trabalhadores – PT, construída em mais de trinta anos de luta incansável de sua militância, manifestamos nosso mais veemente repudio com a decisão tomada no encontro do partido no último dia 30 de dezembro/2010, qual seja, fazer aliança com o DEM. A inusitada decisão foi capitaneada por um grupo do partido, para participar da eleição extemporânea para prefeito de Dourados (MS) marcada para o dia 6 de fevereiro de 2011.
Desrespeitando a militância e a história do PT e em desacordo com resolução do 4º Congresso Nacional do PT sobre Tática e Política de Alianças, que não autoriza a aliança com os Democratas, “caciques” políticos, fazendo valer seus interesses e vontades individuais, empurraram o PT para uma coligação esdrúxula com o DEM, legenda conhecida nacionalmente por suas posições ultraconservadoras, pelos escândalos cometidos no governo de Brasília e pela oposição ferrenha durante os 8 anos do governo de Lula e agora no governo de Dilma.
A famigerada coligação do PT com o DEM, além de macular nossa história de luta, deixou boa parte da militância atônita e surpresa. A perplexidade é ainda maior quando observa petistas tidos, até então, como referências, como o ex prefeito e deputado estadual Laerte Tetila, o vereador Dirceu Longhi, a segunda suplente de senadora Zonir Tetila, a professora Dinaci Ranzi e o ex deputado federal João Grandão, dentre outros, curvados às ordens expressas do DEM. A pergunta mais freqüente entre os militantes é por que esse grupo preferiu a coligação com o maior adversário, a enfrentar a eleição com candidatura própria?
Essas lideranças com objetivos não explicitados ao conjunto da militância, a não ser a barganha de cargos em um possível governo, envergonha o nosso Partido com a aliança com o DEM, contrariando a nossa história e a nossa missão política junto à população brasileira.
O PT de Dourados, ao longo de sua história, disputou sistematicamente as eleições municipais na cidade com candidatura própria. Agora, nas eleições para esse mandato tampão, apresentamos os companheiros Elias Ishy e Ricardo Demamann para concorrer ao pleito como candidatos a prefeito e vice. A apresentação de candidatura desmontou o discurso de certas lideranças que alardeavam que o PT não tinha candidato. E assim marcou-se o Encontro do partido.
O Encontro do PT transcorreu num clima nada amistoso, desencadeado por medidas antidemocráticas por parte da executiva e presidência do Diretório ao proibir que militantes, não delegados, ingressassem no recinto da Câmara Municipal onde ocorreria o evento. Essa medida é reveladora da insegurança e da falta de argumentos convincentes, daí coibir o debate. Pior ainda estava por vir, a forma como foram conduzidos os trabalhos. O grupo defensor do DEM manipulou o encontro, estabeleceu o voto aberto e nominal, coagiu muitos delegados a seguirem suas ordens e aprovarem a tal coligação. Dessa forma, mais um valor fundamental do Partido, a democracia interna, o debate, era menosprezado.
O momento é oportuno para algumas considerações. Ouviu-se em Dourados, de lideranças já mencionadas, que o que vale é ser pragmático, que não há mais ideologias. Nessa linha de raciocínio, defendiam que algumas secretarias negociadas seriam importantes para reerguer o Partido. A esse argumento surpreendente, cabe a pergunta: sob o comando do DEM? Convém lembrar que de 2001 a 2008, portanto em período recentíssimo, o comando da Prefeitura de Dourados esteve nas mãos do PT. Outra pérola é que os movimentos sociais estão estagnados e nunca realizaram nada em Dourados. É o abandono das bases sociais que sempre estiveram e ajudaram a construir o nosso partido. Lamentável!
Esse quadro, ainda que sumário, estaria incompleto se deixássemos de fazer uma referência a adversários históricos: lideranças de partidos da direita (desculpem-nos, não há mais ideologia), com forte presença no Mato Grosso do Sul, fazem discursos propondo varrer o PT no Estado. Sem dúvida, fica evidente que além de derrotar o partido em pleitos eleitorais, outra estratégia desses partidos é a da cooptação, como no caso presente, para dividir e descaracterizar o PT.
As referidas considerações devem ser objeto de reflexão e de alerta, particularmente em nosso Estado, pois há indícios de que práticas semelhantes podem ocorrer em outros diretórios do partido, por ocasião das próximas eleições municipais em 2012.
Por fim, sabemos que no jogo político na sociedade em que vivemos ninguém governa sozinho. Há a necessidade de Alianças. As mesmas, no entanto, devem contribuir com o nosso Projeto de construção de sociedade. Nosso campo é o da esquerda, com propostas de transformação da sociedade, comprometido com as expectativas de construção da cidadania das camadas populares, da cidade de direitos, com a inserção das minorias políticas de gênero e etnicorraciais. Na aliança com o DEM, o projeto da mudança foi relegado, a favor do conservadorismo.
Continuaremos firmes na defesa dos princípios e ideais do PT e esperamos uma manifestação urgente da Direção Nacional do Partido contra esse lamentável episódio em Dourados.
Dourados (MS), janeiro de 2011.

