01/09/2016 23h43
Fonte: Redação
Há histórias e histórias. Há também os causos. Alguns fatos, outros boatos. A veracidade é o que menos importa. A autenticidade sim. Uma história bem contada encanta. Canta em verso e prosa o contador de histórias.
Essas histórias e casos fazem parte da cultura e do folclore de um povo. Apreciá-las significa valorizar a nossa própria história, nossa existência e raízes.
É no interior de um país que as histórias se perpetuam com mais intensidade. Isso porque o povo das cidades menores tem mais tempo para ouvir. Quem mora em cidades maiores corre mais, ouve menos.
E, em Amambai, não é diferente. Cidade fronteiriça, com forte influência de diversos povos e culturas: paraguaios, guaranis-kaiowás e os gaúchos. A diversidade é latente. Entendê-la e aceita-la mostra maturidade individual e coletiva.
Recentemente, um grupo de amigos determinou-se a contribuir com a preservação da história da cidade. Foi criado o grupo Conheci Antônia Vera. A protagonista, outrora conhecida de muitos – mesmo que poucos assumam – tem um roteiro de vida não muito claro. Explicam, os mais corajosos, que Antônia Vera era empresária na cidade. Um ramo não muito comum. A dama em questão era proprietária de um prostíbulo. Prostituta não, comerciante.. Isso há muitas décadas. A maioria dos contemporâneos habitantes de Amambai nem era nascida. Será? Melhor pensar assim para aceitar mais passivamente esta história.
O grupo foi criado em 2015 e, para dar vazão às histórias, já nos primeiros meses de formação, lançou mão do Whats App. Praticamente uma centena de mensagens é postada diariamente. Haja tempo para ler todas.
A ideia cresceu, se fortaleceu e deu vazão a novas ideias. A primeira delas foi o reencontro de amigos hoje distantes geográfica e socialmente. Neste final de semana, dias 3 e 4, eles se reencontrarão. Todos unidos pela premissa: Conheci Antônia Vera.
Para evitar constrangimentos e explicações hoje desnecessárias, omitiremos os nomes dos entrevistados nesta matéria.
O grupo
Hoje, o grupo é composto exclusivamente por homens, 90 participantes ativos, não que seja excludente, mas, por conta de às vezes um ou outro conterrâneo exceder-se nas mensagens e pelo diálogo pouco ortodoxo, que eventualmente poderia haver um constrangimento se tivesse a participação feminina. “Sempre orientamos os participantes sobre eventual mensagem tipicamente masculina o que não se trata de uma regra, mas as exceções acontecem e por isso preferimos fazer com que o grupo fosse fechado, mas nada que não seja razoável e risível em muitos casos”.
Objetivo do grupo
O objetivo foi o de agrupar os amambaienses que não residem em Amambai, nos diferentes municípios e regiões do país e, claro, os amigos que ainda moram em Amambai. “(…) por termos ali vividos belos e maravilhosos anos de nossas vidas”.
Expectativa do encontro
A expectativa é que essa interação seja muito festiva e alegre, onde a saudade e as recordações desses momentos culminam sempre com belas historias, muitas risadas e o reavivamento do espírito fraterno, bem característico do nosso povo. “Não temos nenhuma vinculação politico/partidária, portanto os assuntos são sempre os mais variados, em especial tratando das peraltices da juventude na nossa inesquecível cidade. Os apelidos, os desfiles nas datas comemorativas, os jogos de futebol e seus grandes atletas dentre outros assuntos”, explicam os organizadores.
Realizando esse Primeiro Encontro dos Filhos e Amigos de Amambai, será possível contribuir de alguma forma para manter acesa essa chama primorosa de amor ao nosso torrão natal, além de rever amigos que aqui ficaram, tomar um belo e saboroso tereré e passear pelas ruas da cidade. Os organizadores têm a intenção também de pedir aos agentes públicos pela manutenção de alguns pontos que serão pontuados às autoridades locais. E perguntam: Para onde foram nossos bancos da praça municipal? O busto do Cel. Valêncio de Brum?
A denominação “Antônia Vera”
Os participantes do grupo explicam que são antigos em Amambai, de uma época em que o Clube Social era o principal local de eventos sociais, onde o cinema era a principal atração depois da missa do domingo, da luz do velho motor a diesel e da saudosa usina do Panduí. “Somos crioulos dessa terra querida, somos velhos (hoje) mas vivemos em Amambai nossa doce e inesquecível infância e adolescência, essa foi a forma de dizer …somos da velha guarda”.
Programação do encontro
No dia 2, sexta-feira, alguns dos amigos já estarão em Amambaí e para isso, eles estarão se reunindo no Recanto dos Caytés para saborear um belo e suculento pucheiro, que será oferecido pelos amigos da terra.
No dia 3, sábado, durante o dia, serão feitas visitas ao museu e outros pontos e passeios pela cidade, além de buscar agenda junto ao prefeito municipal para uma pauta de reivindicações. Durante a noite haverá um jantar dançante, que ocorrerá na Associação Atlética Milionários. Na oportunidade, além do conjunto que foi contratado, vários amambaienses se apresentarão, serão as “pratas da casa”, tocando e cantando músicas típicas.
No dia 4, domingo, terá um churrasco na Associação Tereré, com um sensacional jogo de bola.




