15/05/2019 20h56

Em Amambai, alunos, professores e servidores abraçam escolas contra corte de investimentos na Educação

Professores e acadêmicos da Uems fizeram manifesto. A reforma da Previdência também foi alvo de críticas


Fonte: Redação

 
EE Cel. Felipe de Brum / Foto: Moreira Produções EE Cel. Felipe de Brum / Foto: Moreira Produções
 
EE Vespasiano Martins / Foto: Moreira Produções EE Vespasiano Martins / Foto: Moreira Produções

Amambai (MS) – Em Amambai, assim como na maioria das cidades brasileiras, a quarta-feira (15/05), foi marcada por protestos contra as medidas de corte de recursos para o setor da Educação, adotadas pelo governo Federal. Contrariedade referente a proposta de Reforma da Previdência também foi manifestada.

No período da manhã, os prédios das escolas estaduais Vespasiano Martins e Coronel Felipe de Brum, foram abraçados por alunos, professores e servidores administrativos.

As manifestações foram organizadas pela direção do Sindicato dos Trabalhadores na Educação Básica de Amambai (Simted). De acordo com a direção do sindicato, a manifestação expressa a insatisfação das comunidades escolares com os cortes anunciados pelo Ministério da Educação (MEC).

Para presidente do Simted, professor Humberto Vilhalva, as manifestações simbolizaram a preocupação que a comunidades escolares estão tendo com as medidas tomadas pelo Governo Federal - tirando recursos da Educação e propondo uma Reforma da Previdência, prejudicial aos trabalhadores. "Tirar recursos da Educação e sacrificar os assalariados com as medidas propostas para a Previdência, afetam diretamente a categoria que luta pela valorização profissional e por uma escola pública de qualidade", ressalta o presidente do Simted.

Felipe de Brum

 
Na escola Felipe de Brum a comunidade escolar também fez manifesto contra a reforma da Previdência / Foto: Moreira Produções Na escola Felipe de Brum a comunidade escolar também fez manifesto contra a reforma da Previdência / Foto: Moreira Produções

O professor de sociologia e filosofia na escola estadual Coronel Felipe de Brum, Diogo Antunes, lamenta a pouca participação da categoria no movimento e o seu papel como educador é mostrar aos alunos como se comporta os segmentos de uma sociedade. .

"Como professor de sociologia não posso entrar em sala de aula e fingir que está tudo bem, ignorar que o Governo está tirando verbas das universidades. Se, na data de hoje, não tivesse nenhum movimento em Amambai, debateria isso em sala de aula, no sentido de conscientizar e informar os alunos da necessidade de lutar em prol de uma educação de qualidade", conclui Diogo.

Liz Natalia, 17 anos, cursando o terceiro ano do Ensino Médio, na escola Felipe de Brum, diz que o que o abraço não é a toa e que as pessoas devem correr sempre por uma melhor educação. "As pessoas não podem desistir, a educação é a base de tudo", afirma Liz.

Sara Morago, 17 anos, também estudante do terceiro ano do Ensino Médio, demonstra preocupação em não conseguir cursar uma faculdade. "Seria importante que os governantes dessem valor a educação. Se agora já estão cortando os gastos, imagina como será daqui há quatro anos", cobra a estudante.

Vespasiano Martins

 
Na EE Vespasiano Martins a manifestação foi feita pela grande maioria dos alunos, do período vespertino / Foto: Moreira Produções Na EE Vespasiano Martins a manifestação foi feita pela grande maioria dos alunos, do período vespertino / Foto: Moreira Produções

Para a diretora da escola estadual Vespasiano Martins, Erli Fernandes da Silva, não participou do abraço, mas não impediu que os servidores da unidade participassem do ato. "É um movimento liderado pelo Simted em prol da Educação e os servidores têm o direto de manifestação", comentou a diretora.

O professor de Física, da escola Vespasiano, Jackson Santos Jara, disse que a manifestação é direito de todo cidadão. "O abraço feito na escola em defesa da Educação é um exercício de cidadania", afirma o professor.

Uems

 
Professores e acadêmicos da Uems, fizeram manifestação na praça Cel. Valêncio de Brum / Foto: Moreira Produções Professores e acadêmicos da Uems, fizeram manifestação na praça Cel. Valêncio de Brum / Foto: Moreira Produções

Professores e acadêmicos da Universidade Estadual em Amambai (Uems) também manifestaram-se neste dia de paralisação nacional. Professores e alunos da universidade reuniram-se na praça Cel. Valêncio de Brum, na tarde desta quarta-feira (15).

Cartazes com dizeres em defesa da educação foram alocados em um varal e banners sobre as atividades desenvolvidas pela instituição também foram expostos.

"É um ato contínuo contra essa medida, que é absurda, linear, e que não consultou ninguém. É uma reação da sociedade mostrando a esse governo que ele não pode tudo, ele foi sim eleito democraticamente, mas não para se impor de forma arbitrária como ele tem feito", afirmou o professor Jocimar Lomba.

A universitária Thaiane Sales veio de São Paulo para cursar história em Amambai e participou do movimento. Ela disse que é de grande importância a articulação da universidade na sociedade tendo em vista que a defesa da educação é dever de todos. "A educação é tudo, sem educação não há nação, então esse movimento é extremamente importante porque estamos mostrando para o governo que a gente também tem voz e que a nossa voz precisa ser ouvida", argumentou.

A professora Célia Foster disse que é uma sinalização especialmente da classe das Ciências Humanas, que segundo ela, têm sido demonizadas. "Aqui em Amambai temos dois cursos da área das humanas, que é Ciências Sociais e História e essas são áreas fundamentais para a formação da sociedade em si. São conhecimentos que embasa políticas públicas, que fortalecem a democracia e por isso devem ser defendidos", afirma a educadora.