18/12/2018 09h12

Pampas: tesouro natural, genético e cultural no Sul do Brasil

No Brasil, bioma é típico e exclusivo do estado do Rio Grande do Sul, com mais de 3 mil espécies de plantas e paisagens variadas


Fonte: Br.gov

 
Paisagem dos pampas: bioma possui três mil espécies de plantas, sendo 450 espécies de gramíneas, mais de 150 de leguminosas e 70 tipos de cactos - Foto: Neco Varela/Governo do Rio Grande do Sul

Paisagem dos pampas: bioma possui três mil espécies de plantas, sendo 450 espécies de gramíneas, mais de 150 de leguminosas e 70 tipos de cactos - Foto: Neco Varela/Governo do Rio Grande do Sul

O território do Rio Grande do Sul abriga uma riqueza que, no Brasil, só existe dentro dos limites do estado: os pampas, ou campos sulinos. Fora do Brasil, o bioma estende-se também pelo Uruguai e pela Argentina. Aqui dentro, ocupa apenas o estado sulista, mas em números expressivos: cerca de 63% do território do estado, isto é, cerca de 178 mil km²; e 2% do território brasileiro.

À primeira vista, quem observa o pampa pode se enganar: visualmente, o bioma tem uma aparência uniforme que esconde a grande biodiversidade. O próprio nome "pampa", palavra indígena para denominar regiões planas, não revela o cenário de grande riqueza abrigada nesses campos.

Entenda melhor o que está por trás da aparência modesta dessa vegetação:

Composição e Flora

O pampa é predominantemente campestre, isto é, de vegetação rasteira, arbustos espalhados e dispersos e, principalmente, gramíneas. Árvores e vegetações mais densas são comuns apenas em locais próximos a cursos d'água e encostas de planaltos. Os banhados, áreas alagadas perto do litoral, também fazem parte desse bioma. Estudos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) identificaram 3 mil espécies de plantas, sendo 450 espécies de gramíneas, mais de 150 de leguminosas, 70 tipos de cactos.

Fauna

Os pampas são o lar de quase 500 espécies de aves e mais de 100 tipos de mamíferos terrestres. Várias delas são endêmicas e ameaçadas de extinção. Algumas aves típicas da região são a ema, o perdigão, a perdiz, o quero-quero, o joão-de-barro e o pica-pau do campo. Entre os mamíferos, estão o veado-campeiro, o furão, o tatu-mulita, o preá e várias espécies de tuco-tucos.

Algumas das espécies raras ou ameaçadas são o tuco-tuco, o beija-flor-de-barba-azul, o sapinho-de-barriga-vermelha, o veado-campeiro, o cervo-do-pantanal, o caboclinho-de-barriga-verde e o picapauzinho-chorão.

Importância ambiental

A vegetação do pampa, tipicamente rasteira, presta "serviços ambientais" como o controle da erosão do solo e o sequestro de carbono da atmosfera. Este último atenua as causas e os efeitos das mudanças climáticas. Além disso, a vegetação é fonte de variabilidade genética para diversas espécies que estão na base da cadeia alimentar. Dessa forma, a saúde de todo o ecossistema está ligada à preservação dos campos sulinos.

Importância econômica

A principal atividade econômica das populações que coexistem junto ao pampa é a pecuária com manejo do campo nativo, que ocorre justamente na área dos campos. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, além da importância financeira local, a atividade "tem permitido a conservação dos campos e ensejado o desenvolvimento de uma cultura mestiça singular, de caráter transnacional representada pela figura do gaúcho." Por isso, para além da proteção da natureza, a conservação do bioma é importante, também, para o desenvolvimento sustentável da região.

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