10/02/2019 09h30

Infecção por dengue pode proteger contra o zika

Estudo brasileiro sugere que pessoas que já foram infectadas pela dengue tem uma probabilidade menor de sofrer com o zika - mas esse risco não é nulo


Fonte: Agrolink

 
Os vírus que causam dengue e zika, transmitidos pelos Aedes aegypti, são muito parecidos (Ilustração: Nik Neves/SAÚDE é Vital)

Os vírus que causam dengue e zika, transmitidos pelos Aedes aegypti, são muito parecidos (Ilustração: Nik Neves/SAÚDE é Vital)

Um grupo internacional de pesquisadores, entre eles brasileiros de diversas instituições, identificou novas evidências de que uma infecção prévia de dengue pode gerar imunidade contra o vírus zika. De acordo com o trabalho, o organismo de quem já teve dengue produziria anticorpos capazes de impedir que o zika penetre nas células e desencadeie uma infecção.

Para chegar a essas conclusões, os cientistas usaram dados de um amplo estudo envolvendo 1 453 moradores da favela de Pau de Lima, localizada em Salvador, na Bahia. Sabe-se que aquela comunidade convive com a dengue há pelo menos 30 anos e, paralelamente, foi uma das principais áreas afetadas pelo zika na epidemia de 2015.

Amostras de sangue coletadas antes, durante e após a epidemia se instalar na região foram submetidas a testes para medir a produção de anticorpos contra o zika. Os resultados levaram os pesquisadores a inferir que múltiplas exposições à dengue teriam protegido as pessoas contra o vírus por trás da microcefalia.

"Nossos achados sugerem que cada duplicação dos níveis de anticorpos contra dengue corresponde a uma redução de 9% no risco de infecção pelo zika", explica o médico brasileiro Ernesto Azevedo Marques, do Departamento de Microbiologia e Doenças Infecciosas da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, e um dos autores do estudo. Ou seja, o risco cai, mas não chega a zero.

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