O prefeito de Aquidauana, Fauzi Muhamad Abdul Hamid Suleiman, do PMDB, acusado pelo Ministério Público Estadual por improbidade administrativa disse que as acusações contra ele surgiram por meio de manobras políticas conduzidas por pessoas que “sempre mandaram na cidade” e, até hoje, estariam inconformados com sua vitória. Ele prometeu interpelar judicialmente quem o denunciou.
“Já estava preparado para isso, essa é a realidade política da cidade”, disse Suleiman, que durante toda a manhã desta sexta-feira dedicou-se a dar explicações à imprensa local sobre a ação pública movida pelo promotor de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social de Aquidauana, José Maurício de Albuquerque.
A denúncia do promotor, um calhamaço de ao menos 60 páginas, afirma que o prefeito e mais 11 pessoas estariam implicadas num esquema de desvio de dinheiro público. A ação diz que o prefeito teria comprado metade do domínio de um jornal da cidade, estaria pagando R$ 65 mil pelo arrendamento de uma emissora de rádio e ainda recebido R$ 50 mil mensais de uma agência de publicidade que teria vencido a licitação de modo ilegal para prestar serviço à prefeitura.
Suleiman, por telefone, disse que a denúncia que o atinge é fruto de um golpe trabalhado por seus inimigos políticos. “Esse deputado [Felipe Orro, do PDT] que, ao invés de defender o município, fica falando mal da cidade lá na Assembleia Legislativa, é o tataraneto do fundador da cidade. Aquidauana sempre teve o comando desse pessoal, por isso o ataque, eles perderam a eleição, não se conformaram ainda e querem me tirar por meio de um golpe, ou manchar minha imagem”, afirmou o prefeito.
O prefeito negou ser sócio do jornal e participado do arrendamento da emissora de rádio. “Isso é uma mentira. Quer saber a verdade? Quem comprou parte dessa rádio e do jornal chama-se Natalino Gonzaga, ex-secretário de Felipe Orro. Como eu poderia me associar a um rival político? Isso é uma mentira”, afirmou o peemedebista. Felipe Orro já foi prefeito de Aquidauana e hoje cumpre mandato de deputado estadual.
De acordo com a ação do promotor, a prefeitura teria fraudado o processo de escolha da agência de publicidade. A denúncia sustenta que a Futura Comunicação & Marketing, teria vencido a disputa com outras três agências por ter doado ao menos R$ 70 mil a campanha de Suleiman no período da eleição. O recurso teria sido dada a campanha do prefeito por meio do conhecido caixa dois.
“Isso é ele [promotor] que acha. Quem venceu a licitação foi uma das agências mais importantes de Mato Grosso do Sul, não é de fundo de quintal, como aquelas que vivem de dinheiro de prefeitura. O processo foi legal. Nenhum órgão enxergou irregularidades na licitação, o Tribunal de Contas um deles. Agora, o promotor diz que o processo foi viciado, uma mentira”, garantiu o prefeito.
Na ação, o promotor cita um diálogo envolvendo o advogado Péricles Garcia Santos, ex-consultor da prefeitura e o vereador oposicionista Wezer Lucarelli. Na conversa, Santos, que havia sido demitido da prefeitura, reforça as suspeitas de desvio de verba do município.
“A conversa foi gravada ilegalmente, não pode ter validade. E mais: o advogado disse que enfrentava dificuldades financeiras e ele foi ofertado R$ 50 mil, por aceitar gravar a conversa, toda inventada”, garantiu o prefeito.
Suleiman disse que por conta da gravação ilegal, alguns vereadores da cidade pensar em cassar Lucarelli por quebra de decoro. “Gravação ilegal, oferta de dinheiro, combinação de depoimento, tudo ilícito. E olhe que o vereador é também advogado”.
O prefeito disse que vai processar as pessoas que o denunciaram ao MPE, após “desmentir uma a uma das suspeitas”.
Fonte: Campo Grande News/Celso Bejanaro

