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quinta-feira, 7 de maio de 2026

Energia suja – os desastres que ela causou

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27/11/2011 09h02 – Atualizado em 27/11/2011 09h02

Fonte: Brasil 247

Fala-se muito de energia limpa. De energia suja, muito menos: no entanto, entre represas, refinarias de petróleo a céu aberto e perfurações que acabaram mal, a fome de energia da humanidade criou com frequência danos ambientais irreparáveis. E não pense que os biocombustíveis sejam assim tão “bio” como parecem.

Quando o remédio mata mais que a doença

39 bilhões de metros cúbicos de água, 185 metros de altura, 2309 metros de comprimento: são números que descrevem as proporções da Represa das Três Gargantas, enorme barragem no rio Yangtsé, na província de Hubei, China. Terminada em 2009, a represa alimenta uma central elétrica dotada de 26 turbinas Francis com uma potência global de 18,2 GW.

Segundo as autoridades chinesas, a usina produzirá 84,7 TWh de energia, equivalente a 3% das necessidades chinesas e evitará a emissão na atmosfera de mais de 50 milhões de toneladas de CO2 (hoje, quase 85% da energia elétrica chinesa é produzida com a queima de carvão).

A realização dessa obra monumental, no entanto, acarretou consequências pesadíssimas para o meio ambiente: a criação da bacia implicou no alagamento de mais de 1300 sítios arqueológicos e de 116 comunidades urbanas. 1,4 milhão de pessoas foram removidas e, segundo as autoridades chinesas pelo menos outras 4 milhões deverão se mudar até o ano de 2023.

Não é tudo: a destruição dos habitats naturais, a poluição das águas e o tráfego naval implicam na destruição de numerosas espécies animais e vegetais. A primeira vítima desse processo destrutivo foi o baiji (Lipotes vexillifer), um golfinho de água doce que habitava as águas do rio Yangtsé, declarado extinto em 2006.

A última praia de petróleo

Areias betuminosas são uma mistura de argila, areia, betume e água. Seu valor é inestimável: com efeito, desse aglomerado é possível extrair-se, com o uso de complicados processos industriais, petróleo bruto. Infelizmente, esse processo extrativo é um dos mais poluidores e menos eficientes do mundo: cada barril de ouro negro extraído das areias emprega entre 3 e 5 barris de água, comporta consumos energéticos e emissões três vezes maiores em comparação com os métodos extrativos tradicionais. Além disso, deixa como subprodutos substâncias altamente poluidoras, como o bióxido de enxofre, ácido sulfídrico, óxido de azoto e metais tóxicos.

Uma instalação canadense que explora areias betuminosas descarrega detritos diretamente numa bacia hídrica

Segundo a ONG ambientalista Greenpeace, a exploração das jazidas de areias betuminosas no Canadá constitui o maior projeto industrial do mundo, implicando uma extensão territorial comparável à da Inglaterra. Estima-se que as jazidas de areias betuminosas equivalham a 2/3 das reservas mundiais de petróleo. Um estudo publicado há pouco pela Universidade de Alberta, atribui à exploração das areias betuminosas o aparecimento de muitos milhares de peixes mortos (muitos dos quais com graves deformidades) nas águas do rio Athabasca.

Na foto: uma instalação canadense que explora areias betuminosas descarrega detritos diretamente numa bacia hídrica.

…E o homem criou o vulcão (de lama)

Sidoarjo, ilha de Java, Indonésia. Em 28 de maio de 2006 alguma coisa deu errado durante uma perfuração da PT Lapindo Brantas, empresa petrolífera indonésia que estava procurando gás natural. Quando as brocas atingiram os 2700 metros de profundidade do poço, dele começaram a sair água, terra, vapores variados e pequenas quantidades de gás. Nos dias seguintes, outras erupções similares começaram a ocorrer em vários outros lugares da zona: desde então, elas não mais pararam de acontecer e, segundo as estimativas dos cientistas, vomitam a cada dia 30 mil metros cúbicos de água e lama: o conteúdo de doze piscinas olímpicas. Ainda segundo os cálculos, essas erupções poderão continuar pelos próximos 30 anos. No acidente, considerado um dos maiores desastres industriais de todos os tempos, 14 pessoas perderam a vida e 30 mil foram evacuadas de 11 aldeias sepultadas pela lama.

No momento, enquanto os diretores da empresa se defendem nos tribunais atribuindo a culpa a um terremoto, os habitantes da zona constroem barragens e barreiras para conter a enorme massa de água. Os custos para a remoção da lama são estimados em um bilhão de dólares e muitos temem que a Lapinto Brantas possa falir antes mesmo de ser obrigada pelos juízes a pagar indenizações.

O insustentável peso do biodiesel

A África, pela enésima vez, está se tornando terra de conquista para as empresas ocidentais. Os novos colonialistas são os produtores de biocombustíveis que, no Continente Negro, podem encontrar vastas extensões de terra a preço baixo e abundante mão de obra barata.

Os governos da Tanzânia, Gana, Malawi, Namíbia e muitos outros estão concedendo gratuitamente a utilização de milhares de hectares de terra a empresas europeias e americanas em troca de investimentos que possam trazer estradas, escolas, hospitais e alimento a uma das regiões mais pobres do mundo. Moçambique, sozinho, disponibilizou 11 milhões de hectares para a produção de azeite de dendê e cana de açúcar a ser transformada em carburante “ecológico”.

Carroção transporta a cana de açúcar para as usinas que a transformarão em biocombustível

As consequências desse ecobusiness, no entanto, são dramáticas: segundo a Ghana Environmental Protection Agency, apenas em Gana 2600 hectares de floresta foram cortados para dar lugar a novas plantações, sobretudo de cana de açúcar, planta que, além de tudo, necessita de muita água.

Não apenas: “A expansão de biocombustíveis que está transformando as florestas e a vegetação natural em culturas energéticas subtraem terreno agrícola às plantações para uso alimentar, além de aumentar os conflitos com as populações locais por causa da propriedade da terra”, declara Mariann Bassey, da organização ambientalista nigeriana Friends of the Earth.

Mas, segundo os que apoiam a produção dos biocombustíveis, é exatamente a implantação na África dessas culturas que poderá salvar o continente da fome, graças ao desenvolvimento de uma agricultura moderna e a realização de infraestruturas para a irrigação.

Na foto: carroções transportam a cana de açúcar para as usinas que a transformarão em biocombustível.

Água… com gás

A produção de energia elétrica em centrais movidas a gás natural é uma das formas de produção mais limpas e com menor emissão de CO2. Com a condição de não se viver nas imediações de Pavillion, Wyoming, EUA, onde as perfurações descontroladas causaram a contaminação dos lençóis de água potável com fenóis, metais tóxicos e naftaleno. A situação é tão grave que os habitantes da pequena cidade foram instados pelas autoridades a ventilar com cuidado os seus banheiros durante a ducha para evitar o risco de explosões e intoxicações.

A EnCana, companhia petrolífera responsável pelas perfurações não reconheceu sua própria responsabilidade mas se declarou disposta a compensar os moradores de Pavillon pelos incômodos, reembolsando-lhes as despesas gastas com a compra de água mineral.

Montanhas desnudadas

Imagine encontrar uma jazida de carvão no alto de uma colina ou de uma montanha: que fazer para explorá-la? Simples: remove-se tudo aquilo que está lá em cima, plantas, árvores, animais, rochas, a própria terra, e escava-se até encontrar o precioso mineral. E quando o veio se exaure? Leva-se de volta o material removido ao seu lugar e tenta-se dar ao sítio o seu aspecto original. Tudo parece transcorrer sob controle, mas na realidade trata-se de uma prática devastadora para o ecossistema. Ela é largamente utilizada na região dos Montes Apalaches, no leste dos Estados Unidos. Não apenas compromete a biodiversidade ameaçando a flora e a fauna, mas coloca em sério risco a saúde das populações locais que terão de enfrentar nuvens de poeira poluidora derivada das atividades extrativas. Como se não bastasse, a movimentação de milhões de metros cúbicos de material polui os lençóis de água potável.

O paraíso pode esperar (a barragem)

Águas límpidas, vales quase completamente inexplorados (até 1898 a sua existência era conhecida apenas pelos moradores locais) e um ecossistema entre os mais fascinantes do mundo: se você não está prestes a visitar a Patagônia Chilena, melhor conservar esta fotografia do rio Pascua.

Até 2020, essa paisagem poderá ter um aspecto completamente diverso, já que 62 quilômetros do seu curso estão ameaçados pela construção de barragens e de um gigantesco projeto hidroelétrico desenvolvido pela Endesa, de propriedade da ENEL e da empresa chilena Colbrùn. O projeto de mais de 2750 MW deverá gerar 2% da energia elétrica produzida no Chile e prevê o alagamento de quase 6 mil hectares de território e a colocação de 2500 quilômetros de cabos elétricos ao longo do curso do rio.

Buracos no gelo

O recente desastre da Deepwater Horizon, no Golfo do México, não impediu as companhias petrolíferas de continuar a fazer outras perigosas perfurações de alta profundidade no mar. Uma das mais recentes se encontra na Groenlândia, em pleno Mar Ártico, onde a empresa escocesa Cairn Energy encontrou uma rica jazida petrolífera a 4200 metros de profundidade. As condições ambientais proibitivas da zona, recoberta por uma espessa camada de gelo durante pelo menos 8 meses ao ano, tornam particularmente perigoso esse tipo de atividade. Que aconteceria no caso de perda de óleo bruto como aconteceu recentemente no Golfo do México? Como algum socorro poderia chegar até lá?

Otimista, o Primeiro Ministro da Groenlândia, Kuupik Kleist, vê nas companhias petrolíferas uma solução parcial para os problemas de desocupação que afligem seu país.

Energia suja - os desastres que ela causou

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