04/12/2011 08h20 – Atualizado em 04/12/2011 08h20
Fonte: Brasil 247
A busca incessante das empreiteiras por lotes vazios para construir prédios comerciais em Brasília esbarrou numa nascente no Parque de Uso Múltiplo da Asa Sul. Almejando um terreno 12,5 mil metros quadrados na 613/614 Sul, a Construtora Odebrecht Realizações Imobiliárias contratou a Geológica Consultoria Ambiental para estudar os impactos ambientais caso resolvesse comprar o terreno da Igreja Batista Central de Brasília para ali erguer um edifício voltado para profissionais de saúde. Mas, já sabendo dos interesses da empresa, moradores pedem que governo altere a projeção do terreno para proteger a nascente que está a 18 metros dele.
Para garantir a existência da mina d’água, o coordenador da Associação Brasileira dos Voluntários Contra Ilegalidades, Danos e Abusos (Abravida), o ambientalista Ricardo Montalvão, pede que a Terracap mude para a parte da frente do lote a área reservada para construção e separe uma área de 50 metros de circunferência de distância da nascente de proteção, para que as obras não prejudiquem o curso da água que abastece a lagoa, dentro do Parque. Ele elaborou um croqui que sugere a mudança sem a perda de terreno. O ambientalista acusa a companhia de vender o lote com vícios ambientais, a exemplo do que ocorreu na comercial da 212/213 Norte, onde a empresa deverá indenizar o dono do terreno e transformar o lote em área do Parque Olhos d’Água.
Em 2000, quando a Terracap vendeu o lote 100 da 613 Sul à Igreja Batista Central de Brasília, por R$ 2,7 milhões, o parque ainda não existia. Ele surgiu três anos depois, em 2003, por uma conquista da comunidade, e ocupou os terrenos referentes aos parcelamentos 101, 102 e 103 da 613/614 Sul. Montalvão – que à época adotou a nascente – brigou para o governo cercar e cuidar dos 21 hectares de área verde, com uma nascente, um córrego e uma lagoa, bem parecida com a do parque do final da Asa Norte. Em 2004, já lutando para proteger a nascente, o ambientalista pediu que a Comparques – responsável pelos parques na época – fizesse uma permuta no terreno 100. Foi em vão. Em 2005, a Terracap emitiu um parecer negando a existência de nascente e informando que a mina d’água era um apenas um vazamento de águas pluviais.
Passados os anos, o ambientalista Ricardo Montalvão voltou a pedir relatórios sobre a nascente no parque da Asa Sul à companhia imobiliária responsável pela venda do terreno. Ele pediu ajuda ao deputado Chico Vigilante, do PT, que enviou um ofício à Terracap pedindo esclarecimentos. Desta vez, o órgão mudou o discurso e assinou um parecer admitindo que “ao rever o contexto da área com uso de novos recursos tecnológicos inexistentes à época da elaboração do relatório técnico supracitado, verifica-se que há indícios de nascente na região”. “A análise da imagem aérea do ano de 1958, anterior à urbanização de Brasília, mostra a ocorrência de terrenos brejosos e campo de murundum, características de prováveis nascentes de água”, completa.
Proprietária do terreno 100, a Igreja Batista Central de Brasília, que é gerida pelo pastor Ricardo Espíndola, alegou que ele está viajando e não poderia comentar sobre o lote. A técnica contratada pela Geológica Consultoria Ambiental, Patrícia Camargos Kratka, confirmou que analisa o terreno para a empresa, mas se recusou a dar detalhes do projeto. O Brasília 247 não conseguiu contato com a Terracap.

