25/01/2012 13h18 – Atualizado em 25/01/2012 13h18
Fonte: Brasil 247
Cientistas descobriram a primeira “abelha soldado” até agora conhecida. Pertencente à espécie brasileira Tetragonisca angustula (a nossa popular jataí), essa abelha é maior e mais pesada que suas companheiras operárias. Equipes de abelhas com tais funções “militares” permanecem em formação cerrada, estacionadas ou em voo ao redor da entrada da colmeia, sempre prontas a atacar qualquer outro inseto invasor. Embora destituídas de ferrão, elas possuem mandíbulas relativamente poderosas, capazes de cortar as asas de inimigas bem maiores. As jataí vivem em colônias de até 10 mil indivíduos, instaladas em nichos de muros e paredes, buracos em troncos de árvores ou escavados no próprio solo. Cada colmeia produz, em média, de um a dois litros de um mel fino e delicado, com baixo teor de açúcar, muito apreciado pelos que amam esse produto.
A descoberta dessa casta morfológica de “soldados” em população de abelhas foi anunciada na mais recente edição (datada de 10/01/12) do Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America (PNAS), um dos mais citados e prestigiosos periódicos científicos do mundo. O artigo é de autoria de Cristiano Menezes, desde 2011 pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental (Belém/PA), e de colaboradores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Sussex, da Inglaterra.
É a primeira vez que uma abelha soldado é descrita. “Ela tem características físicas apropriadas à defesa do ninho. Já se conhecia casta morfológica para soldados entre insetos, mas apenas em algumas espécies de formigas e de cupins, em abelhas ainda não”, explica o pesquisador.
Menezes conta que o projeto inicial consistia em comparar as abelhas guardas que sobrevoam o ninho de jataís às que ficam paradas junto à entrada. Ao observar que as abelhas guardas eram maiores que as abelhas forrageiras (que saem do ninho para buscar alimento), ele passou a coletar e a medir abelhas de diferentes ninhos. “Verificamos – eu e Christoph Grüter, pós-doutorando do grupo da Universidade de Sussex – que estávamos à frente do primeiro caso de uma casta de soldados nas abelhas sociais”, relata.
A análise estatística minuciosa e os experimentos realizados demonstraram que há realmente uma casta de soldados nas abelhas jataís. Analisando os favos de cria, os autores verificaram que 1% das abelhas operárias produzidas na colônia são guardas. “O significado atribuído a essa casta de soldados foi a defesa contra a invasão do ninho por abelhas ladras do gênero Lestrimelitta, que, por não coletarem alimento nas flores, vivem do saque de alimento de outros ninhos”, explica o pesquisador.
Jataís soldado em formação cerrada na entrada da colmeia
Os cientistas também concluíram que as abelhas guardas jataí são 30% mais pesadas do que as forrageiras e têm morfologia ligeiramente diferente, com pernas maiores e cabeça menor. “As guardas jataí ficam paradas sobre o tubo de entrada ou voando acima e ao redor da colônia, onde promovem a defesa do ninho contra abelhas ladras (sobretudo a Lestrimelitta limao, sua maior inimiga). Quanto maior é a abelha guarda, mais eficiente ela é na defesa da colônia”, descreve Menezes.
Para os pesquisadores, a descoberta reveste-se de importância, pois quanto mais conhecermos sobre esses animais, mais perto estaremos de desenvolver tecnologias úteis à agricultura tais como a geração de insetos voltados à polinização de espécies de plantas nativas da Amazônia ou até mesmo de alguma planta exótica que puder se beneficiar disso, a exemplo do que já ocorre em outros países.
Vídeo: A “dança” das abelhas jataí soldado ao redor e acima da entrada de uma colmeia. Essas abelhas permanecem todo o tempo a vigiar o ninho



