29/11/2013 07h59 – Atualizado em 29/11/2013 07h59
Fonte: Notícias MS
Campo Grande (MS) – A Estratégia Nacional de Segurança Pública nas Fronteiras (Enafron) foi destaque durante a cerimônia de entrega de viaturas, armas e mobiliários que vão beneficiar as polícias civil e militar de Mato Grosso do Sul, totalizando investimentos de mais de R$ 22 milhões. Em parceria com o governo Federal, o convênio visa fortalecer a política e a operação da segurança pública em toda a faixa de fronteira do País, realizando ações e investimentos em dez Estados para maximizar a prevenção e a repressão de crimes transfronteiriços.
O governo do Estado, através da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), vai aplicar recursos da ordem de R$ 40 milhões até 2014 através do convênio com o Ministério da Justiça. Nesta primeira etapa, foram entregues 84 viaturas, 1.081 pistolas ponto 40 e 90 submetralhadoras portáteis, além da aquisição de mobiliário, equipamentos de informática e periciais que vão incrementar as atividades policiais nas fronteiras com o Paraguai e a Bolívia.
De acordo com o governador André Puccinelli, as parcerias com a União são essenciais para o desenvolvimento contínuo das atividades policiais e combate ao crime organizado em Mato Grosso do Sul. Além disso, o Estado tem como prioridade a constante contratação de mão de obra e treinamento do efetivo, sempre visando a segurança da população e repressão às atividades criminosas. “Em uma estratégia global, essa parceria entre Estado e União representará uma segurança maior aos municípios da faixa de fronteira. Com a incorporação dos recursos humanos, através dos concursos públicos que vão aumentar o efetivo policial do estado, teremos mais segurança”, destacou.
A secretária nacional de Segurança Pública, Regina Miki, enfatizou que uma das prioridades do Ministério da Justiça com a elaboração da Enafron é tornar as fronteiras menos vulneráveis, investindo de forma efetiva no aparelhamento das polícias de diversos estados. Miki ressalta ainda que a Enafron encontra dificuldades ao se considerar as dimensões territoriais do Brasil, que possui mais de 17 mil quilômetros de fronteiras, de 11 Estados com 10 países vizinhos com legislações muito diferentes da brasileira. ”Existem países vizinhos onde a receptação não é crime. O que é roubado aqui pode ser comercializado por lá sem que isso seja considerado crime. Existe também a questão da folha da coca, que lá fora é plantada livremente, por questões culturais, mas que ao ser transformada em cocaína, destrói e leva nossos jovens à morte. Recebemos da presidente Dilma [Roussef] a determinação de trabalhar nas fronteiras para diminuirmos a criminalidade no Brasil como um todo e reconhecemos o bom trabalho realizado aqui no Mato Grosso do Sul e elogiamos muito o trabalho na fronteira do estado”, disse.
Segurança para a População
O secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Wantuir Jacini, afirma que ao equipar as polícias das regiões de fronteira, todos os Estados da Federação ganham em segurança pública, uma vez que as regiões fronteiriças são porta de entrada para armas e drogas que são distribuídas em todo o Brasil. Além disso, Jacini destaca que as polícias de Mato Grosso do Sul apresentam resultados muito acima da média nacional, sendo destaque no cenário de segurança pública do País. “Este ano já apreendemos mais de 115 toneladas de drogas e 65% dos homicídios no estado foram esclarecidos. Estes números estão acima da média nacional que é em torno de 30%. Portanto, os recursos que estão sendo entregues hoje irão fortalecer ainda mais o trabalho de todas as polícias, fazendo com que o enfrentamento à criminalidade seja mais efetivo, reduzindo os crimes que mais impactam a sociedade em todos os estados brasileiros, que são os crimes contra a vida e contra o patrimônio”, comentou.
O comandante Geral da Polícia Militar, coronel Carlos Alberto David é enfático ao ressaltar que a simples presença de uma força policial equipada e treinada nas regiões fronteiriças é fator preponderante na redução da criminalidade. “O recebimento dessas novas viaturas vai facilitar muito o trabalho da PM, pois estaremos mais presentes efetuando operações e ações necessárias para trazer mais tranquilidade para a população que vive nas regiões beneficiadas. Isso tudo inibe a prática de qualquer tipo de crime. Com mais viaturas vamos nos fazer mais presentes, a polícia será mais vista pela população e pelos marginais que ocupam a faixa de fronteira e essa presença certamente inibe a prática criminosa”, salientou.
Celeridade nas Investigações
Segundo o coordenador geral de perícias de Mato Grosso do Sul, Nelson Fermino Júnior, não só a redução das estatísticas é ponto positivo com o aparelhamento da força policial do estado. De acordo com o coordenador, ao impedir que drogas e armas entrem no País, menos crimes são cometidos, agilizando o trabalho policial como um todo. “Impedindo que carros roubados saiam do Brasil, drogas e armas entrem pelas fronteiras, o descaminho é combatido. Isso vai permitir que os trabalhos periciais sejam muito mais ágeis, dando celeridade ao papel da perícia. Com os novos equipamentos, poderemos fazer exames na própria localidade, sem a necessidade de transferência de substâncias à Capital, por exemplo”, finalizou.

