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quinta-feira, 26 de março de 2026

Mercado vê com ressalvas os benefícios do leilão da BR-163

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19/12/2013 09h07 – Atualizado em 19/12/2013 09h07

Fonte: Matéria

A concessão dos 847 quilômetros da BR-163, no Mato Grosso do Sul, foi encarada com ressalvas por entidades e empresários do transporte de cargas. Enquanto grupos como a Intra Logística consideram a duplicação da estrada com ganho de mercado, entidades setoriais apontam que o incremento no preço do pedágio poderá onerar o frete no País.

Quem levou a disputa pelo trecho foi a Companhia de Participações em Concessões (CCR), através da Companhia de Participações em Concessões (CPC). E a notícia da concessão foi positiva para o presidente Intra Logística, Sérgio Camacho. A empresa, de Cuiabá, atua com transporte de cargas. “Os caminhões e carretas são obrigados a andar em velocidades muito baixa em boa parte da BR 163, em função da pista ruim. Isso gera maior consumo de combustível, desgaste de pneus além de maior tempo para o transporte. Acho que o frete possa ficar mais em conta ao final da duplicação” disse ele ao DCI.

Em contrapartida, o relações públicas do Sindicato Trabalhadores e Transportadores de Cargas em Mato Grosso do Sul (Sindicargas), Roberto Sinai, afirma que a categoria é contra o leilão. “Não somos contra o benefício, mas contra a forma como vai ser obtido. Já pagamos para construir, pavimentar, conservar e ter segurança na rodovia. Isso é obrigação do governo fazer”, diz.

Na opinião do presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS), Almir Dalpasquale, o valor do pedágio no trecho terá custo no frete de R$ 16 a R$ 16,50 por tonelada. “Particularmente eu esperava um deságio maior, pela carga diária de veículos que trafegam pela rodovia. Achei que a concorrência seria mais acirrada”, afirmou.

Com a concessão, a perspectiva do governo é que a CCR duplique a estrada em cinco anos, com aportes previstos de R$ 5,9 bilhões no período. De acordo com o diretor de novos negócios da CCR, Leonardo Vianna, o grupo vinha em processo de estudo do trecho há três anos. Outro ponto comentado pelo executivo foi sobre os desafios apontados por analistas e entidades, com relação a trechos em áreas indígenas e precisam de licença ambiental “Não é um problema tão grave, vai ter de ser enfrentado e o governo já está enfrentando, mas não achamos que será tão problemático”, comentou.

Com a concessão, a CCR deverá duplicar toda a rodovia até o final do quinto ano de contrato. “Isso dá quase 200 quilômetros por ano, a partir do segundo ano de contrato”, comentou.

Estimativas do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) apontam que no trecho leiloado passam diariamente 7,5 mil veículos. Desse total, 35,56% são ser veículos de passeio, 2,04% ônibus e 61,40%, de transporte de cargas. “A via é o principal corredor de transporte do estado e passa por um momento de saturação”, diz Roberto Vieira Lima, professor de logística da Universidade Federal de Goiás.

Na avaliação do acadêmico, a concessão era um mal necessário, já que o governo não possui condições de fazer a duplicação por conta própria. “A melhoria nas condições de tráfego na rodovia vão compensar os investimentos e pedágio”, disse.

No leilão de ontem, a CCR ofereceu proposta de pedágio de R$ 4,38, com deságio de 52,7%.

Concessões

Ao todo, seis grupos se inscreveram para o leilão e venceu aquele que fez a oferta com menor valor de pedágio, respeitando o teto de R$ 9,27 para a cobrança. O leilão faz parte do Programa de Investimento em Logística (PIL), que prevê a concessão de 9 lotes num total de 7,5 mil quilômetros de rodovias federais. Segundo o ministro dos Transportes, César Borges, o leilão foi positivo. “Nessa rodovia, 60% do tráfego é de caminhões pesados. De 7 mil veículos por dia, 4,5 mil são caminhões, mostrando que ela é importante”.

Borges espera que os próximos leilões tenham deságios tão bons quanto os que já foram obtidos nos últimos certames. No próximo dia 27, o governo leiloa o trecho da BR-040 que vai de Juiz de Fora (MG) a Brasília.

Desde setembro, o governo já leiloou três trechos: da BR-050, entre Goiás e Minas Gerais; da BR-163, em Mato Grosso, e um lote com trechos das BRs-060, 153 e 262, entre Brasília e Betim (MG).

Restarão, portanto, quatro dos nove trechos originais do programa, e apenas um deve ser concedido em 2014: o da BR-153, entre Goiás e Tocantins. Segundo Borges, essa será a prioridade do governo e a concessão deve ocorrer no primeiro semestre.

CCR

Além do trecho no MS, a CCR conta hoje com concessão de 2.437 quilômetros de rodovias em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Paraná. A empresa também detém participação na operadora dos meios eletrônicos de pagamento Sem Parar e Via Fácil. Este ano, a CCR já participou de outras disputas por concessão, e tem participação na ViaQuatro, que opera a Linha 4-Amarela do metrô de São Paulo. Em outubro, o grupo venceu licitação para construção e exploração comercial do Metrô de Salvador (BA).

Com a concessão, a perspectiva do governo é que a CCR duplique a estrada em cinco anos, com aportes previstos de R$ 5,9 bilhões no período

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