25/12/2014 16h30 – Atualizado em 25/12/2014 16h30
Fonte: BBC Brasil
Na ala americana da estação, o astronauta da Agência Espacial Europeia Paolo Nespoli foi o primeiro a acordar. Abriu a porta de seu compartimento e encontrou uma meia de Natal amarrada à maçaneta, cheia de presentes.
“Ainda me lembro do susto que levei”, brinca Nespoli. “E quando os outros acordaram e também encontraram presentes em suas portas, nos olhamos e percebemos que nenhum de nós tinha trazido aquilo para a órbita.”
Ao que parece, essa não foi a primeira vez que Papai Noel visitou o espaço. Em dezembro de 1965, as missões Gemini 6 e 7 reportaram terem visto o “bom velhinho”.
Logo após um encontro entre as duas espaçonaves em órbita, o astronauta Thomas Stafford, da Gemini 6, relatou ter avistado “um satélite viajando do norte para o sul, provavelmente em uma órbita polar.”
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“Parece que o objeto vai entrar na atmosfera novamente”, disse Stafford, alertando os membros de controle da missão na Terra, cada vez mais apreensivos. “Não saiam daí… deixem eu ver se posso alcançá-lo.”
E aí, pelo rádio, os engenheiros no solo escutaram os acordes de Bate o Sino, tocados por Stafford e seu colega de tripulação Wally Schirra, com uma gaita e alguns guizos – os primeiros instrumentos musicais surrupiados para o espaço.
O Natal sempre foi uma data importante para os astronautas americanos, principalmente para aqueles que são religiosos praticantes. A maior demonstração disso foi durante a missão Apollo 8, quando os primeiros homens orbitaram a Lua.
Na noite de Natal de 1968, depois de verem o Planeta Azul se levantar por trás do horizonte da desolada paisagem lunar, Frank Borman, Jim Lovell e Bill Anders fizeram uma transmissão ao vivo para a Terra.
A Nasa não tinha preparado nenhum pronunciamento e deixou que a tripulação falasse. Os três se revezaram lendo trechos do livro do Gênesis, e Borman encerrou dizendo: “Boa noite, boa sorte, um Feliz Natal, e Deus abençoe todos vocês – todos vocês da nossa bela Terra”.
Mesmo para quem não segue uma religião, a leitura da Bíblia foi incrivelmente emocionante. Mas levantou polêmica. A Nasa foi processada por um ativista ateu por supostamente introduzir religião em um programa do governo.
O caso foi derrubado pela Suprema Corte americana, que argumentou que o governo não tinha jurisdição sobre algo que ocorreu na órbita lunar.
Hoje, apesar da variedade de culturas representadas a bordo da EEI – europeus, americanos, japoneses e russos, entre outros -, o dia 25 de dezembro se tornou um feriado tradicional no espaço.
Além de um ou outro trabalho essencial de manutenção, os tripulantes têm folga na maior parte do dia e se reúnem para um jantar especial na área social da estação, o módulo russo. Essa área conta até com uma mesa, que é coberta com velcro para que tudo fique no lugar.
Alguns astronautas comem peru fatiado, batatas reconstituídas e legumes processados. Mas a versão espacial da ceia natalina não costuma ser muito saborosa.
Nespoli e outros colegas, por exemplo, optaram por tortellini de queijo, bifes e legumes. Os tripulantes também têm autorização para trazer algumas guloseimas da Terra, como chocolate, biscoitos e nozes, mesmo sabendo que qualquer coisa que se esfarele muito pode acabar entupindo os dutos do ar condicionado.

