07/01/2015 09h51 – Atualizado em 07/01/2015 09h51
Fonte: Rádio ONU
Dias após terem sido resgatados de navios cargueiros abandonados no Mediterrâneo, um grupo de migrantes contou a autoridades o que ocorreu antes de chegar à Europa.
Em comunicado da Organização Internacional para Migrações, uma agência parceira da ONU, dezenas de sírios contaram ter pagado até US$ 6 mil a contrabandistas na Turquia.
Segurança
A quantia, equivalente a mais de R$ 16 mil, foi o preço cobrado pelos criminosos para que os sírios, que fogem da guerra, pudessem entrar na Europa.
Na semana passada, a ONU fez uma reunião sobre o abandono dos navios com centenas de pessoas no Mediterrâneo. A maior preocupação da Agência para Refugiados, Acnur, é com a segurança dos passageiros.
Segundo o Acnur, uma nova fórmula está sendo usada por contrabandistas para transportar o maior número de pessoas de uma só vez usando navios cargueiros. Mas depois, os criminosos abandonam os navios deixando os migrantes à deriva.
Em apenas um dos casos de resgate pela Marinha Italiana, havia 800 pessoas na embarcação irregular, encontrada sem tripulação. A OIM chamou a atenção para o risco de naufrágio levando à morte homens, mulheres e crianças.
Relatos
No caso do navio Ezadeen, também salvo pela Itália, havia 359 refugiados sírios incluindo 62 menores. Algumas vítimas contaram que foram obrigadas pelos traficantes a ficarem sentadas durante toda a viagem e que as condições do tempo eram ruins durante o trajeto.
A polícia italiana também está investigando relatos de que um dos comandantes do navio teria colocado a embarcação no piloto automático e permanecido a bordo se fazendo passar por um dos migrantes.
Somente nos 11 primeiros meses do ano passado, a Itália resgatou mais de 163 mil migrantes em embarcações irregulares, três vezes mais que em 2013. Ainda no ano passado, mais de 3 mil pessoas perderam a vida enquanto tentavam entrar na Europa pelo mar.
Força-Tarefa
Os traficantes continuaram operando durante todo o ano. A situação agravou-no na semana entre Natal e Ano Novo, quando mais de 2 mil pessoas foram resgatadas do Mediterrâneo pela Guarda Costeira Italiana.
O diretor-geral da OIM, William Lacy Swing, lembrou que o caso dos piratas da Somália, foi enfrentado por uma força tarefa de vários países no Golfo do Áden.
Para ele, o mundo precisa agora de uma nova força tarefa para resolver o problema do tráfico de pessoas no Mediterrâneo.

