04/03/2017 20h36
Na semana das mulheres, Defensoria Pública de Amambai, em parceria com a secretaria de Educação, realiza seminário com o objetivo de promover a igualdade entre os gêneros.
Fonte: Redação
Ao longo dos últimos anos, verifica-se um aumento nos processos e ações que dizem respeito a violência doméstica (…) a sociedade tem que se preocupar com isso, buscar a solução para o problema; porque a violência doméstica é o embrião da violência urbana, a violência do dia a dia. (…) O cidadão que vive, que nasceu, que foi criado em um ambiente de violência, tem tudo para ser um cidadão violento.
A avaliação é do Defensor Público da comarca de Amambai, Marcelo Marinho, e é o mote do workshop [seminário] ‘Por uma escola mais democrática – pensando masculinidades e feminilidades’ realizado em diversos municípios do Estado pela Defensoria Pública, por meio do Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem) e da Escola Superior da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul (ESDP/MS).
Em Amambai, o evento acontece na próxima sexta-feira (10), às 13 horas, no Centro de Eventos, através de parceria entre a Defensoria e a secretaria municipal de Educação. O seminário é aberto e gratuito a toda a comunidade, em especial a escolar, e é alusivo ao Dia Internacional das Mulheres. Os participantes receberão certificado de participação emitido pela Escola Superior da Defensoria Pública de MS.
De acordo com a coordenadora do Nudem, Edmeiry Silara Broch Festi, o objetivo é promover o debate entre diretores, coordenadores pedagógicos, professores das entidades de ensino municipais, estaduais e particulares de Mato Grosso do Sul, além de outros atores sociais envolvidos com a política de educação.
Violência escolar e gênero
Relatório apresentado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em janeiro, destacou que a violência escolar é impulsionada por dinâmicas de poder desiguais, que muitas vezes são reforçadas por normas e estereótipos de gênero, orientação sexual e demais fatores que contribuem para a marginalização – como pobreza, identidade étnica ou idioma.
Segundo pesquisa recente da Agência É Nois, realizada no âmbito escolar, 77% das meninas acreditam que o machismo impacta seu desenvolvimento, 94% já sofreram algum tipo de assédio sexual verbal por um homem e 90% já deixaram de fazer alguma coisa com medo da violência.
“Este workshop é mais uma ferramenta na luta da defesa da mulher, vem de encontro das comemorações da semana da mulher (…) o tema busca orientação aos nossos alunos, os meninos e as meninas, com relação a igualdade de direitos e oportunidades entre homens e mulheres”, explica o Defensor.
Programação
Para a programação, a Instituição traz a assessora da ONU Mulheres e especialista em gênero, educação e masculinidades, Vanessa do Nascimento Fonseca, para abordar ‘o papel dos homens na prevenção da violência nas escolas’. A palestrante faz doutorado em Psicologia na Universidade Federal Fluminense (UFF) e é mestre em psicossociologia de comunidades pelo Programa Interdisciplinar de Comunidades e Ecologia Social EICOS (2004).
O evento também contará com a palestra do professor doutor do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul Tiago Duque, sobre ‘diferenças, identidades e educação’; e da defensora pública do Nudem Thaís Dominato Silva Teixeira, que dissertará ‘os porquês de ainda precisarmos discutir violência doméstica’.
Papel da Defensoria
Marcelo Marinho diz também que se tem constatado um aumento na procura de mulheres que buscam seus direitos na Defensoria Pública. “Quanto mais se investe nas ações de esclarecimento, mais situações de violência são levadas ao conhecimento dos órgãos públicos; isso é bom porque significa que a mulher não está mais sofrendo calada e sozinha, ela está tendo condições de reagir a esta situação e buscado apoio”, fala ele.
A Defensoria de Amambai tem atado também nos casos de violência doméstica onde as vítimas são mulheres indígenas. “Uma questão que nos preocupa bastante é a violência doméstica nas aldeias, temos ouvido reclamações de muitas mulheres indígenas, que muitas vezes sofrem uma situação de violência e não têm apoio, não tem a quem buscar orientação e socorro”, alerta Marinho.
Serviço
O que – Workshop ‘Por uma escola mais democrática – pensando masculinidades e feminilidades’
Onde – Centro de Eventos de AmambaiQuando – Dia 10, sexta-feira
Horário – 13 horas
Participação – aberta e gratuita
Público – comunidade em geral, em especial, professores, diretores e coordenadores de escolas das redes municipal, estadual e particular





