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terça-feira, 12 de maio de 2026

Futuro da ‘figueira centenária’ segue indefinido

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18/11/2011 08h58 – Atualizado em 18/11/2011 08h58

Caarapó News

A árvore que motivou a ação conjunta de acadêmicos de diversos cursos dentro da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) para evitar seu corte, provocou e segue a provocar confusão. Desde o dia 26 de setembro, quando esteve prestes a ser cortada para dar lugar a uma agência bancária, a espécie já foi apresentada como figueira, centenária e patrimônio histórico do município. Mas, segundo especialistas, ela não se enquadra em nenhuma destas descrições.

De acordo com um relatório desenvolvido pelos próprios estudantes que querem impedir sua derrubada, a árvore em questão é uma falsa seringueira, da espécie Ficus elástica e não é tombada como patrimônio histórico do município. Outra constatação é de que sua idade é inferior a meio século. São 42 anos de vida, segundo o Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Comdam).

Depois das diversas manifestações pela vida da árvore, seu futuro segue indefinido. Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, ainda não há um posicionamento quanto à possível autorização para a derrubada. “Ainda não existe uma definição porque a gente está aguardando o empreendedor apresentar o projeto”, explicou Valdelise Carbonari, responsável pela pasta de Meio Ambiente no município.

O próprio Comdam também reconhece que não há formas legais de barrar o corte da árvore, caso o proprietário do terreno onde ela se encontra apresente um projeto. “Não podemos barrar a utilização dos terrenos”, diz o presidente do Conselho, Ataulfo Stein. Segundo ele, o fato de a falsa seringueira estar em um terreno particular e não ser tombada como patrimônio histórico impede ações de proteção à mesma. “É um mito que não se pode cortar árvore. Todo dia cortam árvores em Dourados. Legalmente ou ilegalmente. A maioria não chega para nós”, explica.

Stein informou que o caso desta árvore – localizada em um terreno na Avenida Weimar Gonçalves Torres, próximo ao cruzamento com a Rua Toshinobu Katayama – chegou ao Comdam ainda em 2010. “Na época nós fomos contrários à derrubada”. Mas, após a apresentação de um projeto, o proprietário do terreno conseguiu o aval dos conselheiros ambientais. “Não tem como proibir o corte. A árvore não é tombada como patrimônio histórico, não é madeira nobre e é exótica, de origem indiana”.

Mesmo assim, o grupo que desde setembro se mobiliza pela vida da “figueira centenária” contesta os órgãos públicos de gestão ambiental. Em relatório, estudantes de biologia, história, agronomia e outras faculdades apresentam argumentos em prol da vida da árvore. “Praticamente inquestionável é a função social desempenhada por esta árvore, uma vez que ela colabora com a saúde das pessoas que vivem ou transitam pelo seu entorno, constitui elemento de identificação cultural e histórica entre o povo douradense, contribui para o equilíbrio ambiental urbano, tem grande valor como elemento paisagístico – acrescentando beleza a urbanização da cidade, possibilitou e ainda possibilita a promoção do convívio entre os cidadãos e tem potencial para utilização na Educação Ambiental”, consta em trecho do relatório.

Preservar X Derrubar

Para os universitários que compõem o “Movimento pela vida da Figueira”, são muitos os motivos para a manutenção da árvore, dentre os quais eles pontuam a sua condição de “habitat de diversas espécies de pássaros nativos da nossa fauna”. “Desta maneira chamamos a atenção para o valor biológico desta grande árvore, plantada há muito tempo pelos nossos visionários antepassados, cientes da necessidade das árvores em geral para a qualidade de vida das gerações posteriores e para o equilíbrio do desenvolvimento urbano da cidade que sonharam e ajudaram a construir”, argumentam no relatório.

Mas o posicionamento dos universitários não representa unanimidade no município. Em artigo publicado na mídia local, o zootecnista e advogado Daltro Feltrin se mostra favorável a derrubada da árvore. Além de apresentar argumentos que indicam a falsa seringueira como inadequada para a arborização urbana, ele afirma que a árvore serve de morada para animais peçonhentos, como morcegos. “De mais a mais, a árvore em comento (falsa seringueira), não é centenária coisa nenhuma, e mesmo que fosse, seu óxigênio produzido durante a luz do dia, através do fenômeno da fotossintese, é consumido a noite pelo processo da respiração”, pondera em um dos trechos de seu texto.

Patrimônio histórico

Dourados possui 39 árvores tombadas como patrimônio histórico, mas a que gerou toda esta discussão encontra-se legalmente desamparada. Até por isso, os estudantes que encampam o movimento pela vida da figueira reivindicam seu tombamento. Além disso, se queixam do que classificam por ausência de políticas ambientais por parte do município. “O fato é que o município de Dourados não possui, de fato, uma política ambiental sendo executada, haja vista que o IMAM – Instituto de Meio Ambiente de Dourados vem cumprindo apenas alguns instrumentos da PMMA, como o licenciamento e a fiscalização ambiental”, classificam os estudantes em outro trecho do relatório.

Futuro da 'figueira centenária' segue indefinido

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