08/01/2012 08h55 – Atualizado em 08/01/2012 08h55
Fonte: Revista Oasis
A duração da vida humana aumentou constantemente nos últimos 150 anos: cerca de 2,5 anos por década. Logo chegaremos a viver 120, 130 anos. Nos Estados Unidos, em 2050 viverão 600 mil centenários. O que isso significa?
Em primeiro lugar, é preciso considerar que mais saúde significa mais riqueza. Segundo a italiana Sonia Arrison, especializada em futurologia científica, autora do livro 100 Plus (100 e mais), logo teremos de enfrentar mais de uma carreira profissional para ter direito à aposentadoria. A primeira carreira seria similar à atual; a segunda começaria depois dos 65 anos. Novas ocupações surgirão para evitar a falência dos sistemas de aposentadoria; ao mesmo tempo, as sociedades terão muito a lucrar ao por em moto os conhecimentos e as energias dos cada vez mais numerosos “jovens velhos”.
Na verdade, já entramos nesse novo mundo, afirma o escritor e futurólogo italiano Roberto Vacca: “Tenho 84 anos, porém trabalho e pago regularmente os impostos, como quando tinha 60 anos… Entre os 55 e os 65 anos publiquei 11 livros; no decênio sucessivo escrevi e publiquei mais 12, e continuo a escrever. Agora preparo uma obra inteiramente formatada para Ipad”.
Por seu lado, no ensaio A saúde e a riqueza das nações, os economistas David Bloom e David Canning, da Universidade Harvard e da Universidade Queen’s, afirmam que entre duas nações idênticas em tudo menos na longevidade dos seus cidadãos, 5 anos a mais de expectativa de vida garantiriam à nação mais longeva um aumento da renda per capita entre 0,3 – 0,5% ao ano.
Não existe idade para o amor e o prazer
Sinais do passado
E se a vida fosse muito mais longa, quem mais estaria disposto a firmar um contrato “até que a morte nos separe”? Não surgiria o desejo, após 50 anos de matrimônio, de buscar uma parceira (ou um parceiro) 50 anos mais jovem? Aparentemente não, de acordo com as estatísticas mais recentes. Na Noruega, entre 1906 e 2002 a expectativa de vida subiu de 57 para 79 anos; a diferença de idade entre os esposos, no entanto, permaneceu estável ao redor de 3,5 anos (a favor dos homens). Uma pesquisa da Universidade Stanford e da Universide de Wisconsin, EUA, demonstra que os homens idosos se casam com mulheres muito mais jovens principalmente para ter mais filhos. Assim sendo, se a fertilidade da mulher durasse mais tempo, e o aspecto de ambos permanecesse juvenil, nenhum dos dois teria motivo para mudar de parceiro.
Outra possível consequência, menos previsível nos seus detalhes, é o fato de que a juventude (a verdadeira) se tornaria um símbolo de status ainda mais forte e importante do que é hoje; os jovens “verdadeiros” procurariam todos os modos possíveis para se diferenciar dos jovens-velhos. Como? Impossível tecer uma hipótese segura. Tatuagens, piercings e cabelos longos seriam considerados “sinais” do passado, e provavelmente os verdadeiros jovens inventariam maneiras ainda mais estranhas e extremas de se diferenciar.
Alegria, dieta e exercício físico: segredos da longevidade
Planeta ameaçado
A “revolução da longevidade” implicará grandes desafios. O progressivo exaurimento dos recursos naturais e a degradação do meio ambiente são problemas reais e não encontrarão solução por si mesmos. “Numerosos estudos” afirma Sonia Arrison em seu blog.it instalado no site Psychology Today online “demonstraram que menos as pessoas focalizarão sua própria energia sobre a sobrevivência e a satisfação das suas necessidades primárias, mais elas se preocuparão com a manutenção da limpeza e da integridade do meio ambiente. Essa tendência já é observada nos países mais desenvolvidos, como os Estados Unidos, e começa a se manifestar também nos países em desenvolvimento”.
O problema do aumento da população, no entanto, persistirá. Quantos habitantes a Terra consegue sustentar? “Os demógrafos formularam essa mesma pergunta quando a população mundial passou de 1 bilhão, de 2 bilhões, de 6 bilhões, e há pouco de 7 bilhões. Mas o planeta nunca colapsou”, argumenta Raimond Cagiano de Azevedo, professor de demografia na Universidade La Sapienza, de Roma.
“É certo que o relógio biológico está movendo-se à frente quase naturalmente. Hoje, a ONU calcula que a idade justa para a aposentadoria na maior parte dos países europeus seja de 77 anos. A mudança, no entanto, será gradual e provavelmente a população mundial se estabilizará ao redor de 9 bilhões de pessoas, considerando-se que o número de nascimentos está caindo notavelmente inclusive nos países em desenvolvimento”.
Paraíso ou inferno
Mas nem todos os estudiosos são assim tão otimistas. “Claro, pois a vida humana não é apenas biológica, ela também é social”, rebate Sandro Bernardini, docente de sociologia também na Universidade La Sapienza, de Roma. “Não creio que nossa sociedade já esteja preparada e aparelhada para uma demografia desse tipo, sobretudo se considerarmos que a pesquisa científica caminha a passos largos e acelerados, enquanto as mudanças sociais são extremamente lentas”.
E a fonte da juventude? Ela jorraria para todos ou apenas para os que vivem nos países mais privilegiados? “O aumento da duração da vida diz respeito a todos, embora com ritmos diversos. E isso também na Turquia, no Egito, na Tunísia e na maior parte dos outros países do mundo, como demonstram as estatísticas das Nações Unidas”, conclui de Azevedo.

