05/02/2012 08h15 – Atualizado em 05/02/2012 08h15
Fonte: Fotos e Ilustração: NASA / Brasil 247
Uma equipe de cientistas da Universidade do Arizona trabalha na realização do mais poderoso radiotelescópio do mundo. Ele será tão grande quanto o inteiro planeta Terra e nos permitirá explorar regiões extremamente remotas do universo.
Isso não é uma piada. A construção do Event Horizon Telescope será possível graças às modernas tecnologias digitais, que permitirão aos astrônomos coligar cerca de 50 dentre os melhores radiotelescópios terrestres atualmente disponíveis.
Um por todos, todos por um
Do Havaí ao Polo Norte, da América do Sul à Europa, os maiores e mais poderosos instrumentos de observação astronômica existentes tornar-se-ão parte de um único, imenso, telescópio virtual. Se fosse real, esse supertelescópio teria um diâmetro de mais de 12 mil quilômetros. O instrumento apontará para o centro da nossa galáxia, numa região distante cerca de 26 mil anos luz- 2,5 x1018 km – onde se supõe existir um grande buraco negro, supermaciço, com massa igual a 4 milhões de vezes a do Sol.
A distância que separa esse super buraco negro da Terra, no entanto, o torna invisível aos olhos dos observadores: tentar encontrá-lo no espaço com os sistemas comuns de exploração celeste é como tentar ver, a olho nu, uma bola de ping-pong pousada sobre a Lua.
Até hoje, ninguém conseguiu fotografar um buraco negro: o campo de atração gravitacional que eles possuem é tão intenso a ponto de capturar tudo aquilo que se encontra nas proximidades: poeira, gases e inclusive a luz.
Einstein sob exame
Os resultados desse experimento possibilitarão aos cientistas verificar in loco uma parte da teoria geral da relatividade de Einstein, segundo a qual a poeira e os gases nas proximidades de um buraco negro – a única coisa que o supertelescópio conseguirá fotografar, já que o buraco negro, em si mesmo, é totalmente… negro – formam um círculo perfeito. Se essa forma se apresentasse minimamente distorcida, seria necessário repensar grande parte das hipóteses formuladas pelo grande cientista.
Assim que o mega radiotelescópio estiver montado, cinquenta radiotelescópios terrestres interconectados irão apontar pela primeira vez na direção do buraco negro situado no centro da nossa galáxia, a Via Láctea. Essa rede mundial criará um telescópio virtual com lentes do tamanho do nosso planeta. Ele será chamado de “Event Horizon Telescope”.
Einstein e a Teoria da Relatividade
Basicamente, nada pode se deslocar a uma velocidade maior que a da luz. Na presença de campos de gravidade maciça, como acontece num buraco negro, seriam necessárias partículas de luz ou de matéria capazes de viajar mais rápido que a luz para conseguir escapar desse tremendo abraço gravitacional.
A imagem mostra uma representação matemática do espaço e do tempo, de acordo com a teoria de Einstein. O alto da linha do cone, onde fica a sua abertura, é o “event horizon”.
Event Horizon
O event horizon é o ponto para além do qual as partículas ficam escuras. À medida que o material corre na “puxada” gravitacional do buraco negro, ele é aquecido até alcançar temperaturas extraordinárias, quando começa a brilhar com grande luminosidade. No entanto, para além do event horizon, nada desse “brilho” consegue escapar. Obviamente, se a luz emitida por esse material não escapa, não a podemos ver. A ilustração, produzida por um artista da NASA, mostra o event horizon de um buraco negro.
Por que agora?
Até muito recentemente, nos últimos 4 ou 5 anos, essa façanha não era possível. Não existiam meios para a construção de aparelhos de tamanho e poder suficientes para “ver” e fotografar no centro da nossa galáxia, com resolução de imagem suficiente para captar detalhes situados nas margens do event horizon.
A possibilidade agora torna-se real, cvom a incorporação no projeto de novos instrumentos como o Atacama Large Millimeter Array (ALMA), no Chile. Tais equipamentos deverão ser ainda mais numerosos e eficientes nos próximos anos, acrescentando poder ao Event Horizon Telescope.
O que acontecerá?
Cada um dos 50 telescópios irá apontar para o centro da galáxia, focando no buraco negro. Eles irão “ouvir” e gravar as informações captadas. Tais informações serão armazenadas em discos rígidos e enviadas ao Massachusetts Institute of Technology para compilação.
Se for confirmado que o event horizon é um círculo perfeito, nada muda quanto a nosso atual entendimento da Teoria da Relatividade de Einstein. Mas, se ele não for um círculo perfeito, tudo mudará, e os teóricos da ciência terão de refazer os cálculos e boa parte dos conceitos.
Vídeo: Como nasce um buraco negro
Um dos eventos mais violentos do universo: duas estrelas de nêutrons (estrelas hipercompactas) se chocam para criar um buraco negro.
Esta recente simulação mostrada no vídeo foi realizada no Instituto Max Planck, de Potsdam, Alemanha. Pela primeira vez, as imagens mostram aquilo que acontece. Trata-se de um processo que gera um campo magnético bilhões de vezes mais intenso do que o terrestre, produzindo jatos de matéria e de radiações de altíssima energia. Todo o processo dura apenas uma minúscula fração de segundo.




