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terça-feira, 5 de maio de 2026

‘Nos disseram que Snowden estava dentro’, revela chanceler sobre avião boliviano

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05/07/2013 15h26 – Atualizado em 05/07/2013 15h26

‘Nos disseram que Snowden estava dentro’, revela chanceler espanhol sobre avião boliviano

Fonte: RBA

São Paulo – O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel García Margallo, concedeu na manhã de hoje (5) uma confusa entrevista à emissora estatal Televisión Española (TVE) sobre o incidente diplomático envolvendo o avião do presidente da Bolívia, Evo Morales, na última quarta-feira (2). Respondendo às perguntas sem contundência, Margallo não deixou claro se trocou ou não informações com os Estados Unidos sobre a presença do ex-agente da CIA Edward Snowden na aeronave presidencial boliviana, tampouco se o embaixador espanhol na Áustria pediu autorização ao líder aimará para averiguar seu avião.

O chanceler explica que, sim, recebeu a informação de que Edward Snowden se encontrava na aeronave de Evo Morales – e que por isso resolveu agir. Só que não revelou de onde partiu essa informação. Alguns minutos antes, porém, havia garantido que a Espanha jamais fechara seu espaço aéreo à passagem do presidente. Depois, se recusou a dizer se manteve algum tipo de comunicação com os Estados Unidos nas últimas semanas. Mais tarde, todavia, afirmaria que Madri e Washington – e os demais países europeus envolvidos no episódio – trocaram informações no caso do avião boliviano.

“Nos disseram que estava dentro”, revelou. “Eu só posso trabalhar com os dados que me dão. E nos disseram que (os dados) estavam claros, que (Snowden) estava dentro.” Margallo argumentou que não teve condições de verificar a informação recebida pelo governo espanhol e que, por isso, resolveu agir imediatamente para evitar um “conflito importante” com os Estados Unidos. “A reação de todos os países da Europa – que tomaram medidas acertadas ou desacertadas – foi em função de que a informação que nos haviam nos transmitido era a de que isso (a presença de Snowden no avião) iria realmente ocorrer”, continuou, sem admitir qualquer erro de procedimento. “Não posso verificar se é verdade ou não no momento em que me dizem. Temos que operar de forma imediata.”

Apesar disso, o chanceler reforçou que seu país não pedirá desculpas nem à Bolívia nem ao povo boliviano nem a Evo Morales pelo episódio, como exigiram ontem (4) os representantes da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) reunidos em Cochabamba. “Espanha não tem que pedir nenhuma desculpas, nosso espaço aéreo nunca foi fechado.” Perguntado se manteve algum tipo de conversa telefônica com os Estados Unidos nas últimas semanas, o ministro espanhol respondeu simplesmente, sorrindo: “Isso é segredo.” Depois, fez questão de marcar algumas diferenças entre a política externa de Madri e de Washington. “Somos parceiros, mas quando temos que divergir, divergimos.”

Margallo negou ainda que o embaixador da Espanha na Áustria, Alberto Carnero, tenha pedido permissão a Evo Morales para entrar na aeronave e verificar pessoalmente se o ex-espião norte-americano estava a bordo. O presidente boliviano, porém, garante que Carnero lhe pediu para que voltassem ao avião e tomassem um cafezinho lá dentro. O ministro não nega. “A expressão de tomar um cafézinho provavelmente seja verdadeira, mas não precisamos insistir nesse assunto. Nunca se exigiu isso (subir no avião) para que sobrevoassem a Espanha.”

Questionado sobre se lhe parecia normal que países aliados espionassem uns aos outros, Margallo disse que não. Graças às revelações de Edward Snowden, hoje se sabe que os Estados Unidos, além de vigiar seus cidadãos, vigia também alguns de seus parceiros internacionais, como França. “Pelo que sabemos, Espanha não foi espionada (pelos Estados Unidos)”, apostou. “Mas não me parece normal que entre aliados nos espiemos uns aos outros. O normal é o contrário, que nos ajudemos uns aos outros, colocando em conhecimento mútuo os dados que temos. É o que ocorreu, por certo, no caso de Snowden e do avião, em que todos compartilhamos a informação que temos entre todos. Isso é uma aliança.”

O ministro espanhol, à esquerda, não vai pedir desculpas a Morales

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