25/11/2013 14h41 – Atualizado em 25/11/2013 14h41
Governo pretende licitar exploração de gás de xisto, entidade pede a suspensão por conta dos riscos
Fonte: Agência CNM
Riscos de contaminação da água potável do Brasil usada para a população beber é uma das justificativas da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), que protocolou carta no Palácio do Planalto pedindo a retirada imediata exploração de gás ou óleo de xisto de edital. A Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) pretende licitar, pela primeira vez, a exploração de gás ou óleo de xisto no país.
O processo licitatório está previsto para os dias 28 e 29 de novembro. No entanto, a Abes adverte para os riscos. A entidade destaca o fato de diversos países do mundo ter suspenso este tipo de exploração. Como por exemplo, a França que paralisou a atividade por cinco anos para estudos.
“A tecnologia atualmente utilizada para a exploração – a fratura hidráulica – tem sido proibida em diversos países onde foram considerados patentes e indiscutíveis os riscos de danos às águas subterrâneas e superficiais”, diz o documento protocolado.
O documento alerta ainda que no Brasil a exploração de gás de xisto, prevista no edital, acarretará sérios riscos de contaminação dos aquíferos e pode comprometer os usos humanos nas bacias do Rio São Francisco, no Recôncavo Baiano e em regiões costeiras de Alagoas e Sergipe, e em regiões do Paraná, Parecis, Paranaíba e até na Bacia do Acre e Madre de Dios.
Estudos
Além da retirada do edital, a Abes pede ao governo federal que promova estudos e ofereça melhor conhecimento da exploração do gás de xisto, tanto sobre as propriedades das jazidas e das condições de sua exploração, quanto dos impactos ambientais associados.
Uma exploração não convencional, o gás de xisto é obtido a partir do fraturamento de rochas. Quando submetido a altas temperaturas, produz um óleo de composição semelhante à do petróleo do qual se extrai nafta, óleo combustível, gás liquefeito, óleo diesel e gasolina.

