17/07/2014 15h04 – Atualizado em 17/07/2014 15h04
Dia do Trovador – Assis Piroli, trovador e patrão do CTG Sentinela de Amambai
Fonte: Da Redação com informações Porto Web
Amambai (MS) – No dia 18 de julho, em todo o território nacional, comemora-se o Dia do Trovador. A data foi escolhida para homenagear o dia do nascimento de Luiz Otávio, pseudônimo de Gilson de Castro, fundador e presidente perpétuo da União Brasileira de Trovadores.
Sendo uma composição poética concisa, a trova pode ser descrita como um micro-poema, na verdade, o menor da língua portuguesa, devendo obedecer a características rígidas.
Luiz Otávio, cirurgião dentista, falecido em 1977, foi o responsável por dar um grande impulso à trova, divulgando-a no rádio, em revistas e em jornais. O resultado foi o lançamento do livro “Meus Irmãos, os Trovadores”, em 1956.
Com a colaboração de J. G. de Araújo Jorge, em 1960, Luiz Otávio lançou a primeira edição dos Jogos Florais de Nova Friburgo, sendo, ainda hoje, a principal forma de divulgação da trova no Brasil. Com isso, multiplicaram-se os trovadores e com eles a necessidade de congregá-los. Então, em 1966 foi fundada a União Brasileira de Trovadores.
Foi através dos portugueses que a trova chegou ao Brasil. O gênero continuou com Anchieta, Gregório de Matos, e foi intensificado com Tomaz Antônio Gonzaga, Claudio Manuel da Costa; com os românticos Gonçalves Dias, Casemiro de Abreu, Castro Alves; com os parnasianos Olavo Bilac, Vicente de Carvalho; e com os modernistas Mário de Andrade, Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade. Hoje, a trova é o único gênero literário exclusivo da língua portuguesa. No Brasil, a trova originada da quadra popular portuguesa encontrou campo fértil. Porém, passou a ser estudada e difundida de fato somente depois de 1950.
De acordo com Jorge Amado, “não pode haver criação literária mais popular e que mais fale diretamente ao coração do povo do que a trova. É através dela que o povo toma contato com a poesia e por isto mesmo a trova e o trovador são imortais”.
A trova deve ser composta de uma quadra, ou seja, deve ter quatro versos – o que equivale a uma linha no universo da poesia. Cada verso, por sua vez, deve ter sete sílabas poéticas, ou seja, ser setessilábico. A sílaba poética, diferente do que possamos pensar, é contada por seu som. O verso da quadra deve ter sentido completo e independente.
A trova em Amambai
Em Amambai, um exemplo de trovador é Assis Piroli, patrão atual do Centro de Tradições Gaúchas Sentinela de Amambai. Assis nasceu em Tapejara, no Rio Grande do Sul; ele é descendente de italianos. Depois veio para o estado do Paraná e mudou-se para o Mato Grosso do Sul com 30 anos de idade. Hoje com 56, está estabelecido com sua família na Cidade Crepúsculo.
O talento apareceu desde cedo. Piroli vem de uma família de trovadores, declamadores, cantores e gaitores; e o dom não passou longe. Segundo ele, já faz 30 anos que rima e usa do improviso para agradecer.
Quando questionado sobre o conhecimento da data, Piroli diz que nunca ouviu falar. “Essa arte é pouco divulgada em nossa região, poucas pessoas sabem”, diz ele.
Para ele, a trova é na verdade o verso de improviso, colocando um tema e respondendo seus próprios versos, tendo a ideia no momento. “Tem que existir um tema e uma rima que se encaixem”, conta Assis.
Os tipos de trova mais utilizados por Piroli são os de agradecimento para entidades ou pessoas, de amor para sua esposa Rosana e de puaço, onde um trovador prova o outro em versos.
Ele conta ainda que já participou de várias competições, mas não para competir e sim para divulgar festas, eventos e sua arte.
O patrão do CTG conta que não conhece nenhum outro trovador em Amambai e deixa seu interesse em conhecer algum. “De repente até existe alguém, porém o cara ainda não apareceu”, explica Assis.
Para os interessados, Piroli indica que escutem, pesquisem na internet, conheçam grandes trovadores como Gildo de Freitas, Teixeirinha e até mesmo os da atualidade, como Nabuco Portes, Machadinho e Lauri de Moraes, que são referências para ele.
“Neste momento eu falo debaixo do céu de anil,
Num dia tão importante entre tantos outros mil,
Agradeço cantando a todos os trovadores deste imenso Brasil”, conclui Assis com sua trova.


