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quinta-feira, 14 de maio de 2026

Eleições brasileiras interessam ao Paraguai

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Neste domingo (03), brasileiros de todo o país e, inclusive, do exterior, vão às urnas para a escolha de suas novas autoridades. No Paraguai, o processo eleitoral do Brasil é acompanhado com atenção por autoridades, empresários e membros da numerosa comunidade brasiguaia.

Imagem ilustrativa.

País economicamente e politicamente mais influente da região, o Brasil tem, também, vínculos específicos com o Paraguai e que fazem com que eventuais novidades por aqui gerem preocupação ou expectativa do lado de lá do rio Paraná e da extensa fronteira seca com o estado de Mato Grosso do Sul.

Os três maiores interesses paraguaios estão relacionados à usina de Itaipu, maior empreendimento comum da história de Brasil e Paraguai; às questões comerciais que incidem na economia local; e à situação dos cerca de 400 mil brasileiros e descendentes que vivem em território paraguaio.

Itaipu

No caso de Itaipu, uma vitória da governista Dilma Rousseff pode significar o retorno da tramitação da Nota Reversal que valida o acordo assinado em julho do ano passado, atualmente, paralisada na Câmara dos Deputados devido ao “freezer” do período eleitoral.

Em sua última visita ao Paraguai, no mês de julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia comprometido-se a fazer com que o acordo fosse aprovado ainda em seu mandato, promessa que, ao que parece, dificilmente será cumprida.

A vitória de José Serra, por sua vez, é vista com desconfiança, pelo candidato ter afirmado, durante a campanha, que o acordo sobre a binacional do rio Paraná seria “filantropia” de Lula com o país vizinho.

Outro temor em relação a Serra é sua postura em prol da revisão de alguns dos acordos do Mercosul. Neste ponto, vale recordar que, no Paraguai, o Mercosul também é alvo de questionamentos, com o governo defendendo sua vigência e ampliação, e, setores industriais, pedindo o fim ou a modificação do tratado.

Os demais candidatos, como Marina Silva, do PV, que aparece em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto, raramente são mencionados na cobertura local sobre as eleições no Brasil.

Comércio

A demora brasileira para a aplicação prática da Lei dos Sacoleiros (Lei nº 11.898/09), bem como as constantes barreiras “técnicas” e alfandegárias que dificultam a passagem da produção industrial paraguaia pela fronteira, são as duas maiores pendências no relacionamento bilateral Brasil / Paraguai.

Novamente, surge aqui a visão conflitante exposta no ponto anterior, com a petista Dilma Rousseff despontando como mais “acessível” (apesar de muitos dos problemas terem surgido, justamente, no governo atual) e o tucano José Serra surgindo como “representante” de setores industriais contrários à integração comercial.

Outro ponto ressaltado pela imprensa paraguaia é que tanto Dilma, como Serra, tem propostas similares no tocante à fiscalização e ao aumento nos controles fronteiriços. Em suas propostas, ambos candidatos comprometem-se a reforçar as fronteiras e combater o ingresso de mercadorias e substâncias ilegais.

Preocupa ao país vizinho, ainda, o recrudescimento de medidas tributárias ou sanitárias para dificultar a passagem de produtos do país em direção aos portos do litoral atlântico. Sem acesso direto ao mar, o Paraguai depende de Brasil e Argentina para escoar sua produção agropecuária ou industrial.

Brasiguaios

O Paraguai abriga a segunda maior colônia brasileira no exterior, com cerca de 400 mil indivíduos. A influência dos chamados brasiguaios é notória, especialmente, na região leste do país, onde dominam o agronegócio e lideram uma das atividades que mais dividendos gera para o comércio exterior paraguaio.

A visão sobre a presença dos brasiguaios e o papel do Brasil em defendê-los em caso de eventuais convulsões políticas, varia conforme o grupo e a ótica adotada.

Setores de esquerda, ligados a camponeses e ambientalistas, apontam os brasiguaios como responsáveis pela devastação ambiental e pelo êxodo de famílias cujos lotes deram lugar a plantações de soja ou latifúndios com extensas pastagens.

Representantes do setor empresarial, por sua vez, destacam a prosperidade trazida pelos brasiguaios e pregam a adoção do modelo brasileiro de agronegócio em outros pontos do país. No meio do debate, entidades culturais preocupadas com o “abrasileiramento” de vastas regiões do Paraguai.

Estados fronteiriços

O Paraguai faz fronteira com dois estados brasileiros: Paraná e Mato Grosso do Sul. Na fronteira com o Paraná, está Ciudad del Este, segunda maior cidade do país e polo comercial que depende, em grande medida, dos turistas e compristas que fazem a travessia via Ponte da Amizade.

Desde a posse de Fernando Lugo, em agosto de 2008, o então governador do Paraná e hoje candidato ao Senado, Roberto Requião, deu início a políticas de aproximação que visam, principalmente, o aumento do intercâmbio comercial e a assinatura de convênios de cooperação técnica e empresarial.

Com Mato Grosso do Sul, a relação é mais conturbada, com o atual governador e candidato à reeleição, André Puccinelli, protagonizando incidentes como as acusações de que a febre aftosa detectada no estado teria vindo do Paraguai e o apoio a comerciantes que construíram obstáculos para dificultar a passagem de carros na fronteira seca.

No Paraná, a situação ainda está indefinida, com Osmar Dias (antigo adversário de Requião, porém, seu aliado nesta eleição) e Beto Richa disputando voto a voto a preferência do eleitor. Em Mato Grosso do Sul, Puccinelli aparece à frente das pesquisas de opinião divulgadas até o momento.

Por Guilherme Wojciechowski – SopaBrasiguaia.com.br

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