Redes de TV falam em até 68 vítimas, oposição diz que seriam pelo menos 70
DAMASCO – Pelo menos 49 manifestantes foram mortos em diferentes regiões da Síria em conflitos com forças de segurança nesta sexta-feira, 22, segundo testemunhas e grupos de direitos humanos. Porém, de acordo com as redes árabes de TV Al-Jazira e Al-Arabiya, 68 teriam sido mortos, e o número pode ainda ser maior. Este é o dia mais violento desde o início dos protestos contra o regime do presidente Bashar al-Assad.
A oposição na Síria afirma que pelo menos 70 pessoas foram mortas nos conflitos, segundo a BBC. A verificação de informações na Síria é complicada pelo fato de o governo recusar pedidos de entrada no país de organizações internacionais e repórteres estrangeiros.
Pelo menos outras 20 pessoas estão desaparecidas, de acordo com o diretor da Organização Nacional para os Direitos Humanos da Síria, Ammar Qurabi. O ativista de direitos humanos Haizam Maleh, uma das figuras da oposição mais respeitadas do país, disse à Efe que tinha recebido informações segundo as quais mais de 50 pessoas teriam morrido em diferentes pontos do país.
As mortes ocorreram quando soldados dispararam com armas de fogo e gás lacrimogêneo contra multidões que protestavam contra o regime em diversas cidades sírias. As manifestações começaram ao final das orações do meio-dia da sexta-feira, a celebração religiosa mais importante para os muçulmanos.
A agência estatal de notícias síria Sana disse que foram usados gás lacrimogêneo e canhões d’água nos protestos “para impedir confrontos entre manifestantes e proteger a propriedade privada” e que “algumas pessoas ficaram feridas”. A oposição convocou os protestos para um dia que chamou de Grande Sexta-Feira.
Segundo a Efe, desde o início da manhã desta sexta Damasco e outras cidades tinham um “impressionante dispositivo de segurança, como há muito tempo não se via no país”. Moradores de algumas cidades e fontes médicas consultadas por emissoras árabes denunciaram que a repressão teria se estendido a alguns hospitais, que teriam sido rodeados por policiais e soldados que impediram o acesso a feridos.
Testemunhas disseram ter visto pelo menos cinco corpos em um hospital nos arredores da capital. Outras dez pessoas, incluindo um garoto de 11 anos, foram mortas na província de Daraa, durante um protesto diante da prefeitura da cidade de Izraa, afirmaram as testemunhas, que não se identificaram por medo de represálias.
Reivindicações
Nesta sexta-feira, os ativistas que coordenam os protestos divulgaram, segundo a BBC, o primeiro comunicado conjunto desde o começo das manifestações. No documento, eles pedem o estabelecimento de um sistema político democrático, exigem o fim da tortura, assassinatos, prisões e violência contra os manifestantes.
Entre as reivindicações dos manifestantes estão ainda a declaração de três dias de luto oficial pelos mortos até agora; investigações oficiais sobre as mortes nos protestos; a libertação dos prisioneiros políticos e a reforma na constituição síria, incluindo um limite de dois mandatos consecutivos para um mesmo presidente.
Líbano e Chipre
As manifestações contra o regime de Assad se espalharam por outros países da região. Em Trípoli, cidade no norte do Líbano, um protesto convocado pelo partido Tahrir (Liberdade) ocorreu mesmo sem a aprovação do Ministério do Interior. No ato, manifestantes seguravam cartazes em que chamavam Assad de “traidor” e com dizeres como “Os crimes cometidos na Síria são uma vergonha para todos os povos livres” e “Abaixo o regime”. Houve protestos também no Chipre.
O presidente Assad ratificou ontem a lei que encerrou o estado de emergência vigente há 48 anos, numa tentativa de acalmar os opositores. Outras medidas foram adotadas, como a soltura de manifestantes detidos durante os protestos das últimas semanas. As manifestações de hoje são um sinal de que as ações não surtiram efeito.
Mais de 200 pessoas morreram em choques com forças de segurança sírias desde meados de março, quando teve início a onda de protestos contra o governo. Os manifestantes pedem reformas no país. O fim da Lei de Emergência era uma das principais exigências da oposição.
Estadão.com.br / Com AP, BBC e Efe


