12.1 C
Dourados
sábado, 9 de maio de 2026

Mais de um milhão assistem à beatificação de João Paulo II

- Publicidade -

Papa Bento XVI disse que decidiu acelerar o processo de beatificação devido à grande veneração

ROMA – Superando as previsões, mais de um milhão de peregrinos e fiéis vindos de várias partes do mundo lotaram neste domingo, 1, a cidade de Roma para assistir à cerimônia de beatificação do papa João Paulo II na praça de São Pedro, de acordo com o porta voz do Vaticano, citando fontes da Secretaria de Segurança de Roma.

Devido à pressão dos peregrinos, a polícia italiana foi obrigada a abrir as cancelas que dão acesso à praça de São Pedro quatro horas antes do previsto. Milhares de pessoas não puderam chegar ao local e tiveram que se dirigir para outras áreas da cidade de Roma, onde foram instalados telões, para acompanhar a cerimônia.

Um grupo de brasileiros do Distrito Federal chegou às quatro horas da manhã para pegar um bom lugar próximo à praça de São Pedro. Mesmo não estando muito próximos, estavam emocionados. “Chegamos sábado no fim da tarde de Brasília. Às quatro da manha já estávamos aqui”, disse à BBC Brasil João Carlos de Almeida, 54 anos, empunhando uma grande bandeira do Brasil. “A cerimônia foi maravilhosa, emocionante. João Paulo II foi santo em vida e mudou o mundo com sua presença”.

Carisma

A presença de mais de um milhão de pessoas, num clima de grande comoção, confirma mais uma vez o grande carisma de João Paulo II, que foi lembrado pelo papa Bento XVI no sermão que fez durante a cerimônia. Em sua homília, Bento XVI explicou que o motivo pelo qual decidiu acelerar o processo de beatificação – último estágio antes da santidade – de seu predecessor foi a grande veneração popular por João Paulo II.

“Passaram-se seis anos desde o dia em que nos encontrávamos nesta praça para celebrar o funeral do papa João Paulo II. Já naquele dia sentíamos pairar o perfume de sua santidade, tendo o povo de Deus manifestado de muitas maneiras a sua veneração por ele”. “Por isso, quis que a sua causa de beatificação pudesse, no devido respeito pelas normas da Igreja, prosseguir com discreta celeridade. E o dia chegou porque assim quis o Senhor: João Paulo II é beato, por sua forte e generosa fé apostólica”.

“Hoje nos nossos olhos brilha, na plena luz de Cristo ressuscitado, a amada e venerada figura de João Paulo II. Seu nome junta-se à série de santos e beatos que ele mesmo proclamou durante os quase 27 anos de pontificado”.

Delegações oficiais

A cerimônia de beatificação de João Paulo II foi presidida pelo papa Bento XVI e concelebrada por todo o colégio cardinalício. Além dos peregrinos e fiéis vindos de diversos países, 87 delegações oficiais presenciaram a cerimônia. O Brasil foi representado pelo vice-presidente Michel Temer.

Logo no início da cerimônia, após a leitura de uma breve biografia de João Paulo II, o cardeal vigário de Roma, Agostino Vallini, pediu formalmente ao papa para inscrever o nome de seu predecessor no elenco dos beatos. O papa leu a fórmula da beatificação. “Concedemos que o venerável servo de Deus, João Paulo II, papa, de agora em diante, seja chamado de beato e seja celebrado no dia 22 de outubro”.

Logo após a proclamação do novo beato, um grande retrato de João Paulo II foi exposto na fachada da basílica, sob os aplausos da multidão e o papa Bento XVI recebeu a relíquia que contém o sangue de Karol Wojtyla e a beijou.

Milagre

A relíquia foi entregue ao papa pela religiosa francesa Marie Simon Pierre Normand, que havia sido curada por intercessão de João Paulo II do mal de Parkinson. O milagre foi decisivo para a conclusão do processo de beatificação. Durante a homília, Bento XVI disse que, em seu testamento, João Paulo II recordou as palavras que lhe foram ditas ao ser eleito papa, pelo cardeal primaz da Polônia, Stefan Wyszynski: “A missão do novo papa será de introduzir a Igreja no terceiro Milênio”.

Bento XVI disse que, no testamento, João Paulo II agradeceu por ter participado do Concílio Vaticano 2°, do qual disse sentir-se “devedor”, e recordou também as palavras de seu predecessor em sua primeira missa solene, após ter sido eleito, em outubro de 1978. “Não tenhais medo, abri, melhor, escancarai as portas a Cristo”.

“Aquilo que o papa recém-eleito pedia a todos, começou ele mesmo a fazê-lo. Abriu a Cristo a sociedade, a cultura, os sistemas políticos, econômicos, invertendo uma tendência que parecia irreversível. Ajudou os cristãos de todo o mundo a não ter medo de se dizer cristãos.”

Marxismo x Cristianismo

Segundo o papa, João Paulo II favoreceu uma grande reflexão sobre a confrontação entre marxismo e cristianismo centrada no homem. E conquistou espaço para o cristianismo. “A sua mensagem foi esta: o homem é o caminho da Igreja e Cristo é o caminho do homem”.

“Aquela carga de esperança que fora cedida ao marxismo e à ideologia do progresso, João Paulo II legitimamente reivindicou-a para o cristianismo, restituindo-lhe a fisionomia autêntica da esperança”. Enfim, Bento XVI recordou os anos de convivência com seu predecessor. Joseph Ratzinger foi prefeito da congregação para a doutrina da fé, a mais importante da Santa Sé, durante 23 anos, desde 1982 até ser eleito papa em abril de 2005.

Após a cerimônia, o papa Bento XVI, seguido pelos cardeais, entrou na basílica de São Pedro, para fazer uma homenagem ao novo beato, diante do altar central, onde foi exposto o caixão que contém os restos mortais de João Paulo II. O caixão ficará exposto para a veneração dos fiéis e depois será colocado, de forma definitiva, na capela de São Sebastião, do lado direito da basílica de São Pedro, ao lado da Pietà de Michelangelo.

BBC Brasil

Mais de um milhão assistem à beatificação de João Paulo II

- Publicidade -

Últimas Notícias

- Publicidade -

Últimas Notícias

9 de maio – dia da Europa

- Publicidade-