03/03/2012 10h46 – Atualizado em 03/03/2012 10h46
Fonte: Correio Brasiliense
Escolas públicas municipais, estaduais e federais de todo o Brasil têm um mês para mobilizar seus alunos do 6º ao 9º ano e do ensino médio para participar da 8ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). Em cerimônia realizada na manhã desta quinta-feira (1º), os ministros da Educação, Aloizio Mercadante, e da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antônio Raupp, anunciaram oficialmente os vencedores da edição de 2011 e abriram as atividades da OBMEP 2012.
As inscrições podem ser realizadas até 30 de março por meio do site oficial da OBMEP. As escolas são as responsáveis pelo processo e devem indicar, no ato da inscrição online, o número total de participantes em cada nível. Para Raupp, a meta deste ano é bater o número de 18,7 milhões de inscritos. “Professores e diretores, propaguem a importância dessa atividade e incentivem as inscrições. Queremos bater o recorde de alistamento não pela premiação em si, mas porque esse é um mecanismo de desenvolvimento e qualificação da sociedade brasileira.”
A disputa é dividida em três níveis e ocorre em duas fases. O primeiro nível é para alunos do 6ª e 7º ano; o segundo, para 8º e 9º ano; e o terceiro inclui todo o ensino médio. Na prova objetiva da primeira fase são aplicadas 20 questões de múltipla escolha a todos os inscritos. As escolas classificam para a segunda etapa 5% do total de participantes de cada nível. Nessa fase, a prova é discursiva e tem de 6 a 8 questões. Segundo o calendário da 8º OBMEP, a primeira prova está prevista para 5 de junho, e a segunda, para 15 de setembro. O resultado será divulgado em 30 de novembro.
Incentivo
Na edição de 2012, serão entregues 500 medalhas de ouro, 900 de prata, 3.100 de bronze, 46 mil e 200 certificados de menção honrosa. Os medalhistas ainda ganham bolsas de iniciação científica júnior do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O diretor do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa), César Camacho, ressalta que as ações da olimpíada vão além da aplicação das provas. “A olimpíada acompanha o estudante. Todo medalhista que ingressar na universidade pode ganhar uma bolsa de iniciação cientifica, além de ter direito a uma bolsa de mestrado em matemática.”
Na solenidade de lançamento da 8ª Obmep, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, convidou escolas e professores a fazer a inscrição, e desafiou os estudantes a participarem da competição: “Quem estuda escolhe o que vai fazer na vida; quem não estuda é escolhido”. Segundo o ministro, a olimpíada não é apenas um concurso, mas um processo que melhora o ensino e abre portas para os estudantes.
“A Obmep tem permitido não só revelar grandes talentos, como tem feito todo o sistema de educação evoluir. A matemática está ganhando espaço e eu espero que isso motive os professores.” Ele lembrou aos estudantes, que no programa Ciência sem Fronteiras, por exemplo, os medalhistas contam pontos na hora de conquistar bolsas de estudos para graduação e pós-graduação no exterior. Ele disse também que os ganhadores de medalhas de outro concorrem anualmente à olimpíada internacional de matemática, evento que abre ainda mais portas.
Na cerimônia, estiveram presentes alunos do Distrito Federal premiados na edição anterior e professores. Apesar de o ministro da Educação ter destacado o bom desempenho dos colégios militares, quem subiu ao palco para ser homenageado foi Hector Rocha Margittay, aluno do Centro de Ensino Fundamental 1 do Núcleo Bandeirante. Na lista de medalhistas dourados do DF, apenas ele e Allyson Mikael Alves, do CEF 3 de Sobradinho, não são de instituições federais militares.Das mãos do ministro, Hector recebeu a obra Grandes Cientistas Brasileiros.
Para o adolescente Hector, que participa da OBMEP desde o 6º ano, a conquista foi uma surpresa. “Ganhei medalha de prata em 2010 e para esta edição me dediquei bastante, mas não esperava ir tão bem. Fiz exercícios passados em sala e os da iniciação científica”, conta Hector. Por causa do interesse em robótica, ele pretende cursar engenharia mecatrônica na Universidade de Brasília (UnB). Os materiais de pesquisa, programas e kits de engenharia utilizados na instituição já foram até alvo de pesquisa na internet.
Reconhecimento
E para representar os docentes, estava o professor de uma pequena cidade no Piaui: Antônio Cardoso do Amaral. Ele e outros dois profissionais, um da Bahia e um de Minas Gerais, são os únicos que tiveram alunos premiados em todas as sete edições da OBMEP. De acordo com Amaral, Cocal dos Alves, mesmo com os problemas típicos de cidades do mesmo porte, prosperou na área da educação. “Inscrevemos os alunos em todas as competições que existem, preparamos para os vestibulares e para o Enem. Nas avaliações que o governo faz, estamos com um índice acima da média do país. Ao todo, recebemos 146 premiações na Olimpíada, e de 29 alunos que passaram para a segunda fase na última edição, 25 foram premiados”, orgulha-se.
Um resultado que só foi possível graças à parceria entre docentes e estudantes. “Temos um grupo de meia dúzia de professores que se desempenham muito além da sua obrigação. Sacrificamos nossos fins de semana e feriados. Mas, se nossos alunos oferecessem resistência, não conseguiríamos fazer o que fazemos hoje. O que ajuda é que lá não tem marginalidade, drogas nem muito lazer, ou seja, coisas que tiram os tiram da escola.”
Amaral leciona para 6º ao 9º ano em uma escola municipal e para todos os anos do ensino médio em uma instituição estadual. São de 8 a 13 turmas com 300 a 400 alunos todos os anos. Um esforço, que para ele, tem de ser repensado. “É preciso lutar pela questão carga-horária e achar um piso salarial que seja razoável para um professor, já que o sistema escraviza. Eu tenho a sorte de ter os alunos que tenho, mas a maioria não tem apoio nem consegue despertar o interesse dos estudantes”, reflete.
O regulamento da oitava edição da olimpíada prevê:
• 30 de março — Encerramento das inscrições
• 5 de junho — Aplicação das provas da primeira fase nas escolas
• 26 de junho — Último prazo para as escolas enviarem os cartões-resposta dos classificados para a segunda fase
• 15 de agosto — Divulgação dos classificados para a segunda fase e do local de realização das provas
• 15 de agosto a 14 de setembro — Período para as escolas indicarem, na página eletrônica da Obmep, os professores dos
alunos classificados para a segunda fase
• 15 de setembro — Provas da segunda fase, às 14h30 (horário de Brasília)
• 30 de novembro — Divulgação dos premiados na página eletrônica da olimpíada.
Promovida pelos ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação, a Obmep é realizada pelo Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa), com o apoio da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM). Na sétima edição, em 2011, recebeu 18,7 milhões de inscrições de alunos de 44,6 mil escolas das 27 unidades da Federação.

