13/03/2012 15h57 – Atualizado em 13/03/2012 17h44
Da Redação
Editoria
Literalmente a escola estadual Cel. Felipe de Brum, da rede de ensino de Amambai, foi abraçada pelos alunos e professores da instituição. O abraço aconteceu na manhã desta terça-feira (13), véspera do movimento nacional da Educação.
A iniciativa visa chamar a atenção das autoridades competentes para a situação de precariedade do prédio da escola. Na semana passada, a imprensa local e regional divulgou a matéria “Escola Estadual Felipe de Brum se encontra em ruínas”.
A escola é a mais tradicional de Amambai, tendo sido fundada em 1945. Foi a primeira instituição a oferecer o ensino em Amambai. Neste ano, a unidade escolar completa 67 anos de existência. A jovem senhora está pedindo socorro.
Demonstração de carinho
Para o aluno do 2º ano do ensino médio da Escola Felipe, Igor Flores, o abraço é uma demonstração de carinho. “Abraçar a escola do jeito que fizemos hoje é um jeito de mostrar o carinho que sentimos pela escola; um abraço pode ser a força que ela precisa para começar a construção do novo prédio, o abraço mostrou como a escola é unida e está precisando de ajuda”, falou Igor.
Desde 2008 um pedido de reforma tramita na Câmara, mas até hoje o governo do Estado não demonstrou interesse de atender os apelos dos 1.014 alunos matriculados na escola. O último esboço de reforma foi no ano de 2003, nesta época foi feita a pintura do prédio.
Problemas
Cobertura comprometida, goteiras, paredes sem reboco e com rachaduras, ausência total de pintura, salas pequenas, mal iluminadas e sem ventilação, espaços da secretaria, cozinha, sala dos professores e outros inadequados, comprometimento da qualidade da água consumida e instalações hidráulicas e elétricas com problemas são alguns dos problemas atuais existentes na escola.
Além desses problemas, a escola Estadual Cel. Felipe de Brum não possui uma biblioteca, nem bibliotecário. Quatro coordenadores convivem em uma mesma sala. Apesar de a escola oferecer um ensino médio técnico em Informática, não existe um laboratório. Neste ano, acontece a formatura da primeira turma desta modalidade de ensino. Os alunos nunca tiveram acesso a um laboratório de informática adequado ao currículo.
Um dos pavilhões do colégio possui várias utilidades: comporta salas de aula, sanitários e a cozinha, além de ser um depósito de mesas e cadeiras destruídas e criatório para vários tipos de animais e insetos. A quadra de esportes da escola também é um caso sério. Uma infestação de pombos utiliza a quadra como sanitário, inutilizando uma parte da quadra e trazendo o risco aos alunos, que podem contrair doenças desses animais, além de piolhos.
A questão do quadro de funcionários é outro problema que assola o colégio. Ao todo, sete funcionárias divididas nos três turnos são responsáveis pela limpeza e confecção da merenda ofertada aos alunos, o que sobrecarrega as trabalhadoras.
Para o diretor da escola, Paulo Fernandes, dentre todas as deficiências na estrutura física da escola a parte hidráulica é a que mais traz preocupação, além da cozinha e dos banheiros.
“Já estamos cansados de tantas promessas”
A aluna do 3º ano do ensino médio da Escola Felipe, Naiara Farias, sintetiza o que todos pensam: “Nós, os alunos da Escola Estadual Coronel Felipe de Brum, já estamos cansados de tantas promessas que o governo nos faz a respeito da reforma, resolvemos nos expressar através do gesto de abraçar a escola para ver se os deputados abrem seus olhos e vejam a real situação da escola e como nos sentimos em relação as outras redes estaduais que já recebem o apoio do governo”.
Para o diretor da Escola, Paulo Fernandes, “o abraço foi representativo, demonstra o carinho que a comunidade tem pela escola”.
Paralisação
Nesta quarta-feira (14), a partir das 8 horas, a comunidade da escola estadual Cel. Felipe de Brum se concentra novamente na praça Cel. Valêncio de Brum, em Amambai, para abraçar a luta pela reforma da unidade escolar. Dessa vez o abraço tem sentido conotativo, mas não é menos significativo que o abraço da manhã desta terça-feira.
A comunidade do Felipe participa com todos os professores do Brasil e de Amambai do movimento nacional da Educação promovido pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação.
Nos dias 14, 15 e 16 de março, professores de todo o país irão paralisar as atividades para cobrar a aplicação da lei do piso por estados e municípios. De acordo com a lei, os professores devem receber R$ 1.451 mensais, excetuando-se as gratificações, e destinar um terço da jornada para realizar atividades extraclasses. No entanto, a realidade do professor brasileiro é bem diferente dessa.
Este movimento reivindica, além do piso nacional de R$ 1.451,00, o cumprimento integral da lei que determina que 1/3 da jornada seja destinada para a hora atividade, a aprovação do Plano Nacional da Educação e a destinação de 10% do PIB (Produto Interno Bruto) para a Educação.
Veja aqui as fotos feitas por Bruno Martins para a matéria Escola Estadual Felipe de Brum se encontra em ruínas.

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