13/05/2012 08h32 – Atualizado em 13/05/2012 08h32
Fonte: The New York Times
Meus netos de 11 anos de idade, Stefan e Tomas, pesam cerca de 36 quilos cada. Na caminhada de 20 minutos que fazem até a escola, assim como na subida a pé de volta para casa, eles carregam mochilas que pesam aproximadamente 5,5 kg cada, cerca de 15 por cento do seu peso corporal.
Quando levam ainda elementos adicionais, como livros, roupas, um instrumento musical ou outros apetrechos, o peso que carregam pode chegar a nove quilos. Mas qualquer que seja o número, essas mochilas são simplesmente pesadas demais para os ossos e músculos dos meninos, ainda em formação.
As mochilas pesadas não apenas sugam a energia que as crianças poderiam utilizar melhor para fazer trabalhos escolares ou praticar esportes. Carregá-las também pode levar a dores crônicas nas costas, acidentes e possíveis danos ortopédicos para o resto da vida.
Entre os riscos descritos pelo Dr. Pierre D’Hemecourt, especialista em medicina desportiva do Hospital Infantil de Boston, estão fraturas por estresse nas costas, inflamação da cartilagem de crescimento e luxação no pescoço, bem como danos nos nervos do pescoço e ombros.
A Comissão de Segurança de Produtos de Consumo dos Estados Unidos calculou que carregar uma mochila de 5,5 kg na ida e volta da escola e levantá-la 10 vezes ao dia durante um ano letivo inteiro coloca no total uma carga de cerca de 9.800 kg no corpo dos jovens – o equivalente a seis carros de porte médio.
A questão tem sido discutida com frequência em países de todo o mundo ao longo de mais de uma década. Em dezembro de 1999, médicos de Milão publicaram no The Lancet que 34,8 por cento das crianças italianas que frequentavam a escola transportavam mais de 30 por cento do seu peso corporal pelo menos uma vez por semana, “excedendo os limites propostos para os adultos”.
A carga transportada por esses alunos de sexta série era equivalente a um homem de 80 quilos que transporta uma mochila de aproximadamente 18 kg a cada dia.
Entretanto, mesmo agora, na era digital, quando pelo menos parte dos trabalhos escolares pode ser feita online, não parece ter havido diminuição no peso que pedimos que as gerações mais jovens carreguem o dia inteiro.
Animais de carga
No novo estudo, publicado em março no periódico Archives of Disease in Childhood, pesquisadores espanhóis avaliaram as mochilas e a saúde das costas de 1.403 alunos entre 12 e 17 anos. Mais de 60 por cento estavam carregando mochilas de peso superior a 10 por cento do peso corporal, e cerca de 20 por cento levavam mochilas que pesavam mais de 15 por cento do seu próprio peso.
Não surpreendentemente, um em cada quatro alunos afirmou ter sofrido de dores nas costas por mais de 15 dias durante o ano anterior; casos de escoliose – curvatura da coluna vertebral – foram responsáveis por causar dor em 70 por cento dos alunos. Os 30 por cento restantes sentiam dor lombar ou contraturas – contrações musculares involuntárias e contínuas. As meninas enfrentam um risco maior de dor nas costas que os meninos, sendo que tal risco aumenta com a idade (e, provavelmente, com o passar de anos carregando mochilas tão pesadas).
A dor muitas vezes surge quando o peso da mochila puxa o corpo da criança para trás, levando-a a inclinar-se para a frente ou a arquear as costas para manter a mochila centralizada. Essa posição pode comprimir a coluna vertebral, pressionando os discos intervertebrais.
Se a criança tem de se inclinar para a frente ao caminhar com uma mochila cheia, é porque o peso carregado está excessivo. No mínimo, trata-se de uma receita que leva à má postura e a ombros cronicamente caídos. E se essas crianças que costumam se inclinar para a frente precisarem levantar a cabeça para observar por onde estão indo, podem vir a sofrer de dor de garganta e pinçamento de nervos.
As crianças também esbarram acidentalmente em colegas com mochilas pesadas ao andarem em corredores lotados. Às vezes, a mochila cai de uma prateleira ou mesa, além de fazer tropeçar alguém ao ser deixada no chão. Em uma escadaria, uma mochila muito pesada pode desequilibrar quem a leva.
Reduzindo a carga
Pelo bem da sanidade e segurança de todos, meu filho (pai dos gêmeos) comprou instrumentos musicais para que os meninos mantivessem em casa, de modo que não fossem obrigados a arrastar um trombone ou clarinete, junto com seus outros apetrechos, na ida e na volta da escola.
Em seguida, ele fez um inventário do conteúdo da mochila dos meninos e o enviou por e-mail aos professores, a fim de descobrir quantos dos itens tinham que ser levados para a escola diariamente.
Uma professora respondeu com algumas sugestões úteis, inclusive que os meninos refletissem durante alguns minutos ao final de cada dia letivo para identificar o que eles realmente precisavam levar para casa com eles.
“Eles não têm de levar tudo para casa a cada noite”, escreveu Aimee Fournier, professora de Inglês dos garotos. “Mas muitos meninos não tiram tempo suficiente para separar o que precisam no armário.”
Ao comprar uma mochila, escolha uma que não seja maior do que o absolutamente necessário – quanto mais espaço na mochila, mais a criança fica suscetível a carregar. A mochila deve ter alças largas, acolchoadas e ajustáveis (as mais estreitas podem causar danos nos nervos), uma parte traseira acolchoada e compartimentos interiores, de modo que os itens mais pesados possam ser posicionados contra as costas da criança.
Uma tira abdominal seria ideal, mas acho pouco provável que muitas crianças queiram utilizá-la. Ajuste as tiras dos ombros de modo que a parte inferior da mochila, quando cheia, não fique a mais de 10 centímetros abaixo da cintura.
As crianças devem ser advertidas a nunca levar a mochila em apenas um ombro. Após passar décadas concentrando todo o peso que carregava apenas no meu ombro direito, fiquei com uma escoliose considerável, que agora estou tentando minimizar com a prática de yoga.



