21/05/2012 16h10 – Atualizado em 21/05/2012 16h10
Escolas estaduais de Amambai não têm espaço físico adequado para bibliotecas
Fernanda Moreira / Da Redação
Escolas grandes, onde a educação é considerada uma das melhores do estado, professores e alunos motivados a aprender. Essa é a educação de Amambai, que atualmente foi considerada a 5ª melhor em todo o Brasil, mas que sofre com um problema bastante grave. A falta de locais apropriados para a implantação de bibliotecas, além de funcionários especializados para atuar nesses espaços. Um problema enfrentado por diretores e professores que querem por vezes fomentar a leitura e pesquisa para seus alunos, e, aos próprios, que muitas vezes buscam a leitura e não encontram um ambiente escolar adequado para realizá-la.
Escola Dom Aquino
Na Escola Dom Aquino Corrêa, o local onde a biblioteca está instalada é uma sala anexa à biblioteca da UEMS (Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul), sendo que os livros ficam armazenados em prateleiras e caixas de papel. Muitos volumes ainda não foram catalogados porque a escola não tem um funcionário contratado apenas para trabalhar na parte bibliotecária.
Segundo a diretora da escola, Vilma Oliveira da Cruz, o problema maior encontrado é a falta de espaço físico adequado. “Não temos uma biblioteca de verdade, temos uma sala da coordenação que serve como depósito para nosso acervo, os alunos não podem vir até a biblioteca para pesquisar, pois não há espaço”, conta a diretora. Mesmo assim, a direção da escola Dom Aquino sempre procura renovar seu acervo, oferecendo além dos livros didáticos, diversos títulos da literatura em geral.
Escola Felipe de Brum
A situação é ainda pior na Escola Estadual Coronel Felipe de Brum, que não tem uma sala adequada para guardar os livros, que ficam em uma sala de aula adaptada com estantes nas quais não cabe toda a quantidade de livros que a escola tem em acervo.
“Não temos espaço adequado para a instalação da biblioteca e até poderíamos utilizar uma sala de aula maior para o acervo, mas precisaríamos de mobiliário adequado e um profissional especializado para tomar conta”, explica o diretor da escola, Paulo Cladimar.
No caso do Felipe de Brum, a maioria dos livros está empilhada em cima de carteiras escolares, em um ambiente abafado e sem ventilação ou iluminação adequada para manter o bom estado dos livros. Nos cantos da biblioteca improvisada, podem-se encontrar muita poeira, terra e até fezes de ratos.
Escola Vespasiano Martins
No Vespasiano Martins, a biblioteca também é improvisada em uma sala minúscula próxima à diretoria. De acordo com o diretor José Carlos da Silva, essa situação é provisória.
“Nós estamos na lista de escolas estaduais que irá receber a chamada Biblioteca Padrão, construída com recursos do governo estadual, nosso pedido de implantação já está em fase licitatória e não demorará muito para que a obra seja iniciada”, comentou o diretor.
Porém, enquanto a construção da biblioteca padrão não é concretizada, os alunos buscam livros em uma sala pequena, onde os volumes didáticos e literários estão separados em prateleiras. De longe, é a ‘biblioteca’ mais organizada.
“Todos os volumes estão catalogados e cadastrados no sistema da escola, temos também uma funcionária bibliotecária que foi enviada pela Secretaria Estadual de Educação para manter os quase três mil volumes organizados”, explicou José Carlos.
Escola Dr. Fernando
“Não temos uma biblioteca por causa do espaço físico da escola, que é insuficiente, mas mesmo assim, não impede de termos nossos projetos de apoio à leitura, fazer os alunos se interessarem por livros não só didáticos, mas de literatura em geral”, diz a diretora da escola estadual Dr. Fernando Corrêa da Costa, Cassiana Melissa da Rosa Oliveira.
“Na parte da manhã, temos uma bibliotecária que atende os alunos, e à tarde é uma professora que está sendo readaptada à escola. Todos os alunos têm ficha de cadastro na biblioteca e os livros quando chegam, passam pela direção para que sejam separados por faixa etária e tema”, completa a diretora adjunta Geanine de Moura Martins Recalde.
Escola Guarani
Na Escola Estadual Guarani o problema maior não tanto a falta de espaço físico, mas sim, o acervo que é reduzido. “Temos mais ou menos 300 volumes, entre livros didáticos e literários, a maioria vem do governo e alguns são comprados e outros doados, mas são poucos”, diz a diretora Nídia Peixer.
Segundo Nídia, a escola Guarani tem uma sala de leitura onde ficam guardados os volumes, e, caso tivesse um acervo maior, aí sim, o problema seria espaço. “Se fosse uma biblioteca com muitos livros, aí seria um espaço pequeno, mas como não temos muitos títulos, a atual sala de leitura supre a necessidade dos alunos”, completa a diretora.
Previsão de obras de construção de bibliotecas
A Escola Fernando, assim como o Vespasiano Martins e Felipe de Brum receberam ordem de serviço para implantar a Biblioteca Padrão, proveniente de recursos estaduais. O que a educação de qualidade de Amambai precisa ainda para melhorar são os governantes olharem com mais cuidado a questão do espaço físico.
O que falta são salas de aula e bibliotecas em estado de conservação próprios para que os alunos desfrutem com conforto. A leitura muda mentes, descortina novos horizontes e promove o raciocínio e imaginação, e é isso que deve ser levado em consideração a sugestão de implantar as bibliotecas em Amambai.
O que diz a legislação
Estados e municípios, que são responsáveis pelas escolas públicas da educação básica, as 17 universidades federais que têm colégios de aplicação e as entidades mantenedoras das escolas privadas têm prazo de dez anos para implantar bibliotecas em suas escolas. É isso que diz a Lei nº 12.244/2010, que entrou em vigor esta semana.
Dados do Censo Escolar 2009 revelam que a maioria das escolas públicas da educação básica, e parte dos estabelecimentos privados, não têm bibliotecas. Das 152.251 escolas de ensino fundamental, 52.355 tem bibliotecas (e 99,8 mil não têm); no ensino médio, das 25.923 escolas, 18.751 tem biblioteca (7,1 mil não têm).




