27/05/2012 07h30 – Atualizado em 27/05/2012 07h30
Fonte: Revista Galileu
Durante o dia Carlos Bueno é engenheiro do Facebook e trabalha para incrementar o software da maior rede social do mundo. À noite, ele se torna autor de livros infantis. O primeiro livro de Bueno, Lauren Ipsum, é um conto de fadas que pretende introduzir crianças – de 5 a 12 anos – aos conceitos da ciência da computação.
Para explicar uma linguagem tão complexa às crianças ele não usa os habituais códigos, mas sim metáforas. Em uma cena a personagem que dá nome ao livro, Lauren Ipsum, ensina uma tartaruga mecânica a desenhar um círculo perfeito através de instruções simples em forma de poema. “Eu queria escrever um livro, mas não explicando como se programa, mas como pensar como um programador”, explicou o autor.
A história foi ilustrada pela mulher de Bueno, Ytaelena Lopez. O engenheiro, que testou sua obra com os sobrinhos enquanto escrevia, disse que a programação deveria fazer parte da educação de todos. “O primeiro passo para controlar sua vida no mundo moderno é entender os computadores.”
O livro é apenas uma parte de um movimento muito maior que pretende ensinar os conhecimentos da programação a crianças. No MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) pesquisadores construíram uma plataforma de programação chamada Scratch, que tem como público alvo crianças de até oito anos. Isso deu origem a uma plataforma criada pelo Google chamada App Inventor, que possui muitas das mesmas ferramentas desenvolvidas nos aplicativos do Android.
Enquanto isso, uma iniciativa chamada Codecademy está oferecendo aulas de programação na internet num esforço de transformar todos nós em programadores. Em janeiro quando foi anunciado o curso “Code Year”, mais de 445 mil pessoas se comprometeram a aprender a codificar em 2012, incluindo o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg.
Mas é claro que nem todo mundo está animado com essa ideia. Na semana passada, Jeff Atwood, co-fundador do site de perguntas e respostas StackExchange, criticou o movimento de alfabetização do código com um post intitulado “Por favor, não aprenda o código”.
“Se o prefeito da cidade de Nova York realmente precisa aprender códigos de programação para fazer seu trabalho, algo está profundamente, terrivelmente, horrivelmente errado com os políticos do estado de Nova York”, escreveu Atwood no post. “Eu adoro programação. E acredito que ela seja importante. No contexto certo, para algumas pessoas. Mas são muitas habilidades. Eu não gostaria que todos aprendessem programação, mais do que eu gostaria que todos aprendessem sobre encanamentos.”
Mas Carlos Bueno considera que a programação é “uma habilidade amplamente aplicável.” “Mesmo se você não está no computador pode usar as habilidades de programação para resolver problemas.” O livro Lauren Ipsum, não tem nenhum código de computador, mas procura aflorar as ideias por trás da programação de computadores.
Mark Surman, diretor executivo da Fundação Mozilla, diz que, embora algumas crianças não se identifiquem com a ciência da computação, devemos pelo menos apresentá-la a elas. “Se quisermos que as crianças se tornem produtoras e não consumidoras (nosso objetivo), essa é uma idade crítica.”
Ainda é cedo para afirmar que esse movimento está criando uma geração de programadores. Mas de acordo com o Ladies Learning Code (Garotas Aprendendo a Programar, fundado por Heather Payne), Lauren Ipsum já está ajudando e incentivando meninas a aprender programação. Ainda de acordo com Payne, muitas garotas estão se interessando por informática, mas precisam de orientação.
O que você acha? Concorda que crianças aprendam a programar?

