10/06/2012 07h30 – Atualizado em 10/06/2012 07h30
Fonte: Brasil 247
A imagem que abre este artigo é da Galáxia Catavento, também conhecida pelas siglas NGC5457 ou M101. Trata-se de uma fotografia particularmente interessante porque combina informações nos espectros infravermelho, visível, ultravioleta e raio X, obtidas a partir dos telescópios da NASA que operam no espaço exterior. Essa visão multiespectral da M101 mostra que tanto estrelas jovens como estrelas velhas estão distribuídas por toda a área dos seus apertados braços em espiral. Imagens compostas como esta possibilitam aos astrônomos observar como configurações encontradas numa parte do espectro se coadunam e se conectam com configurações observadas em outras partes. É como observar um objeto com uma câmera normal, uma câmera ultravioleta, uma câmera com visão noturna e uma outra com raio-X, todas fotografando ao mesmo tempo.
Situada na constelação da Ursa Maior, a galáxia Catavento é 70 porcento maior do que nossa própria galáxia, a Via Láctea. Seu diâmetro é de cerca 170 mil anos-luz, e sua distância da Terra é de 21 milhões de anos-luz. Isso significa que a luz que vemos nesta imagem foi deixada pela galáxia Catavento há 21 milhões de anos – muitos milhões de anos antes que os seres humanos caminhassem sobre a Terra.
As áreas mais quentes e energéticas observadas nesta imagem composta são vistas em púrpura. Nelas o observatório de raio X Chandra, da NASA, absorveu as emissões de raio X de estrelas que explodiram, de gás a temperaturas de um milhão de graus, bem como de material colidindo ao redor de buracos negros.
As cor vermelha na imagem mostra luz infravermelha, como foi vista pelo telescópio espacial Spitzer. Tais áreas mostram o calor emitido por traçados de poeira no interior da galáxia, nos quais muitas estrelas encontram-se em estágio de formação.
O componente amarelo é luz visível, observada pelo telescópio espacial Hubble. A maior parte dessa luz provem de estrelas, e elas traçam a mesma estrutura espiralada que os traçados de poeira vistos na luz infravermelha.
As áreas azuis são luz ultravioleta, produzida por estrelas jovens, muito quentes, formadas há cerca um milhão de anos, e capturada pelo telescópio Galaxy Evolution Explorer (GALEX).
Espectro das radiações: dos raios gama até as ondas do rádio
O que é uma galáxia?
Uma galáxia é um grande sistema de corpos celestes interligados por forças gravitacionais. Ele é formado de estrelas, remanescentes de estrelas, um meio interestelar de gás e poeira e um importante – porém ainda muito pouco conhecido – componente apelidado de “matéria escura”. A palavra “galáxia” deriva do grego ”galaxias”, literalmente “leitoso”, numa referência à nossa galáxia, a Via Láctea. Exemplos de galáxias variam desde as anãs, com até 10 milhões de estrelas, até gigantes com 100 trilhões de estrelas, todas orbitando o centro de massa da galáxia.
As galáxias contêm quantidades variadas de sistemas e aglomerados estelares e de tipos de nuvens interestelares. Entre esses objetos existe um meio interestelar esparso de gás, poeira e raios cósmicos. A matéria escura parece corresponder a cerca de 90% da massa da maioria das galáxias. Dados observacionais sugerem que podem existir buracos negros supermaciços no centro de muitas, se não todas as galáxias. Acredita-se que eles sejam o impulsionador principal dos núcleos galácticos ativos – região compacta no centro de algumas galáxias que tem uma luminosidade muito maior do que a normal. A Via Láctea parece possuir pelo menos um desses objetos.
As galáxias foram historicamente categorizadas segundo sua forma aparente, usualmente referida como sua morfologia visual. Uma forma comum é a galáxia elíptica, que tem um perfil de luminosidade em forma de elipse. Galáxias espirais têm forma de disco, com braços curvos. Aquelas com formas irregulares ou não usuais são conhecidas como galáxias irregulares e se originam tipicamente da disrupção pela atração gravitacional de galáxias vizinhas. Essas interações entre galáxias, que podem ao final resultar na sua junção, às vezes induzem o aumento significativo de incidentes de formação estelar, levando às galáxias “starburst” (formadas por um denso aglomerado de estrelas). Galáxias menores que não têm uma estrutura coerente são referidas como galáxias irregulares.
Existem provavelmente mais de 170 bilhões de galáxias no universo observável. Em sua maioria elas possuem de mil a cem mil parsecs de diâmetro e são separadas por distâncias da ordem de milhões de parsecs. O espaço intergaláctico é preenchido com um gás tênue com uma densidade média de menos de um átomo por metro cúbico. A maior parte das galáxias está organizada numa hierarquia de associações conhecidas como grupos e aglomerados, os quais, por sua vez, formam superaglomerados maiores. Numa escala maior, essas associações são geralmente organizadas em filamentos e muralhas, que são circundados por vazios imensos.
A GALÁXIA CATAVENTO
NGC 5457 ou M101, popularmente conhecida como Galáxia Catavento, é uma galáxia em forma de espiral localizada a cerca de vinte e sete milhões de anos-luz (aproximadamente 8,278 megaparsecs) de distância na direção da constelação da Ursa Maior. Possui entre cento e setenta e duzentos mil anos-luz de diâmetro, uma magnitude aparente de 7,5, uma magnitude absoluta de -21,6, uma declinação de +54º 20′ 55″ e uma ascensão reta de 14 horas 03 minutos 12,4 segundos.


