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domingo, 10 de maio de 2026

‘A Rio+20 tem obrigação de quebrar a inércia’

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15/06/2012 11h12 – Atualizado em 15/06/2012 11h12

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos

Considerado o mais importante especialista em clima do país, Carlos Nobre, secretário de Políticas e Programas de Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia, assina o editorial da edição desta semana da americana “Science”, uma das mais prestigiadas publicações científicas do mundo. Trata-se da primeira vez que um brasileiro escreve o editorial da revista. No texto, o cientista aborda as mudanças desde a Rio 92, os avanços e os desafios. Nobre afirma que a Rio+20 pode tirar o mundo da inércia em que se encontra no que diz respeito às questões ambientais e sociais.

A entrevista é de Roberta Jansen e publicada pelo jornal O Globo, 16-06-2012.

Eis a entrevista.

Desde a Rio 92 o mundo tem clara noção de quais são as maiores ameaças ao planeta. No entanto, quase nada foi feito. Há uma inércia política?

Existe claramente o sentimento de uma inércia política global 20 anos depois da Rio 92. Quando olhamos para a questão da sustentabilidade, por exemplo, vemos modestos avanços e alguns retrocessos. Na questão mais preocupante, a climática, há um contínuo aumento das emissões de gases-estufa. A única boa notícia nessa área é a redução do desmatamento, mas em termos de concentração de CO2, queima de combustíveis fósseis, erosão da biodiversidade só pioramos. Fizemos apenas promessas para o futuro. A questão da água é outra grande preocupação, sobretudo por conta da agricultura mundial, sua maior usuária. Precisamos aumentar muito a eficiência da agricultura para produzir alimentos para 9 bilhões de pessoas (previsão para 2050). É um enorme desafio.

Mudamos pouco no que mais precisávamos?

O mundo mudou muito nos últimos 20 anos, mas avançamos muito menos no que diz respeito a perseguir objetivos de sustentabilidade ambiental. Saímos da zona de segurança.

Na questão social, que é outro foco da conferência, os avanços também foram modestos. Pelo menos 27% da população mundial vivem na miséria. Tampouco se pode fazer algo?

No pilar social houve mais avanços. Ainda estamos distantes em termos de redução de pobreza, fome, desigualdade de gênero. Temos um grande crescimento do PIB, mas um crescimento equivalente da desigualdade. Ainda assim, outros indicadores apontam algumas melhoras, como a desnutrição.

O que seria um bom resultado para a Rio+20?

A Rio+20 não é uma reunião anual de convenção (do clima ou de biodiversidade). É uma reunião de tomada de decisão política, de grandes estadistas, que deve pensar o desenvolvimento do planeta como um todo. Se atingir esses objetivos, terá cumprido seu papel. Há uma expectativa muito grande de que ela sirva para quebrar a inércia em que nos encontramos. A ciência cada vez mais aponta os riscos futuros e presentes, o estado do planeta. A angústia aumentou, mas não aumentaram as ações para reduzir o risco. Acho que justamente por não ser uma reunião de convenção a Rio+20 tem o potencial, mais do que isso, a obrigação, de quebrar a inércia e causar grande e profunda reflexão.

‘A Rio+20 tem obrigação de quebrar a inércia’

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