15/11/2012 11h07 – Atualizado em 15/11/2012 11h07
Fonte: Planeta Sustentável
Depois de dois anos à margem da política americana, a mudança do clima se prepara para voltar ao Congresso dos EUA.
A supertempestade Sandy deixou um prejuízo estimado em mais de 50 bilhões de dólares, e ocorreu logo antes da eleição presidencial. Barack Obama, em seu discurso de vitória, disse que a questão do clima estava no topo de sua agenda: “Queremos uma América que… não esteja ameaçada pelo poder destrutivo de um planeta em aquecimento.”
Já era mais do que hora. O investimento para o combate à mudança do clima, e a mitigação e adaptação a seus efeitos, terá de ter como um de seus principais objetivos a busca de eficiência energética e de uso de materiais. Sem isto a economia americana irá perder sua competitividade nos mercados mundiais. Além disso, a conta doméstica irá ficar muito cara, se não houver infraestrutura adequada. A simplicidade deste raciocínio não parece representar nada para a direita republicana, que prefere ficar nos negócios como sempre e com um país movido para sempre com combustíveis fósseis – para alegria de seus grandes financiadores, a indústria de gás e petróleo, e para a tristeza do ambiente. Mas o custo agora é grande demais para ser ignorado.
Não se sabe que forma vai ter uma legislação para o clima, mas a lei de 2010 dos democratas para captura e sequestro de carbono, que não passou pelo Congresso, não deverá ser retomada – e os esforços mundiais para este tipo de esquema também não estão gerando resultados. Há uma demanda por idéias novas, e elas irão aparecer e serão levadas em consideração.
“Empresas de seguro estão falando sobre o clima, e o mesmo acontece com governadores e prefeitos. Comunidades em todo o país estão debatendo seriamente a resiliência e os eventos extremos do tempo”, disse à Wired Eric Pooley, vice-presidente sênior do Environmental Defense Fund, uma ONG centrista. “Isto costumava ser uma coisa abstrata, como algo para proteger nossos netos. Agora se trata de protegermos a nós mesmos e a nossos filhos. Não significa que não haverá batalhas sobre questões específicas, mas quer dizer que podemos estar prontos para uma conversa de gente grande”, acrescentou ele.
Há razões práticas para que o novo Congresso americano seja menos disfuncional, e a mudança do clima, tão notavelmente ausente da campanha presidencial, foi colocada nas manchetes por Sandy. Não se sabe ainda se o clima teve algum papel no fenômeno, mas esta influência está mais aparente em outras calamidades.
Um relatório recente da gigante dos seguros Munich Re, da Alemanha, colocou a conta americana dos desastres do tempo em U$ 1 trilhão desde o começo dos anos 1980. “Precisamos todos examinar o custo da mudança do clina”, escreveu a Bloomberg em editorial. O prefeito republicano de Nova York, Michael Bloomberg, apoiou Obama precisamente pelo fato de o presidente estar mais aberto à discussão do que Mitt Romney.
Tanto democratas quanto republicanos agora discutem o clima, ainda em conversas nos corredores, segundo Josh Freed, diretor de política energética do think tank de direita Third Way.
Além da continuação dos investimentos em energia limpa, a própria indústria de energia será foco de mais atenção. A Agência de Proteção Ambiental dos EUA começa a regulamentar as emissões de gases estufa das usinas de energia, o maior produtor americano de emissões. Os republicanos não gostam destas medidas e as contestam em diversos tribunais. Mas com 68% por cento da população do país reconhecendo agora que a mudança do clima é uma ameaça real, eles podem ficar ainda mais para trás na agenda política do século 21.

