01/06/2013 10h06 – Atualizado em 01/06/2013 10h06
Fonte: Da Assessoria
A Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul) e os seus 72 Simted’s (Sindicatos Municipais dos Trabalhadores em Educação) vêm por meio desta nota pública, se solidarizar com o povo Terena de Mato Grosso do Sul, que hoje perdeu o seu companheiro de luta, indígena universitário, Oziel Gabriel, de 32 anos, que foi assassinado brutalmente em um confronto com a polícia, na Fazenda Buriti, em Sidrolândia.
Há dias a Fetems vem somando na luta, com outros movimentos sociais e sindicais, como o CDDH (Centro de Defesa dos Direitos Humanos) e a CUT/MS (Central Única dos Trabalhadores de Mato Grosso do Sul), para que o confronto nas fazendas Buriti e Cambará, em Sidrolândia – Mato Grosso do Sul, se resolvesse de forma passiva e não acontecesse o que nós vimos nesta quinta-feira (30), um derramamento de sangue inocente, uma morte brutal, mais de 30 feridos e muita, mas muita indignação e revolta.
Nossa indignação se torna maior ainda quando vimos que durante todos esses dias o poder público se omitiu do debate e ao final preferiu a violência, o uso da força policial, contra pessoas inocentes que estavam naquela local lutando pelos seus direitos, pela sua terra, seu ganha pão e sua dignidade.
O uso da força da Polícia Federal, da (Companhia Independente de Gerenciamento de Crises e Operações Especiais) e da Polícia Militar nos indigna mais ainda, pois o poder público sabia que ali também haviam presentes mulheres e crianças, que agora estão feriadas no Hospital de Sidrolândia.
Nossa revolta é tanta que não vemos outra saída a não ser a de gritar por socorro, para que algo em relação às políticas de demarcação de terras indígenas seja feita neste país com a máxima urgência, antes que mais inocentes morram por lutar pelo que é seu de fato e de direito.
Atenção poder público índio também é gente, tem família, é pai, mãe, filho, tem raça, credo e cor, precisa ser respeitado como ser humano digno que é, não poder ser tratado com gás lacrimogêneo, nem com arma de fogo, eles também sabem dialogar e estão apenas cansados de tanto pedir para que os respeitem e de ouvir promessas que nunca são cumpridas.
A Constituição Federal Brasileira garante a esta nação, independente da sua raça, o direito de lutar por uma vida mais digna, humana e igualitária e é isso que os nossos irmãos e irmãos indígenas estão fazendo na Fazenda Buriti, batalhando por aquilo que é seu, e não dos “latifundiários”, que se apossam das terras desse país como se fossem suas e lucram muito com isso.
Além do sangue dos inocentes derramado, também assistimos ainda mais indignados a prisão de cerca de 15 lideranças indígenas e ficamos no questionando onde isso vai parar? Já que consideramos essa ação extremista, indignante e que mostra bem a realidade desse Brasil capitalista da oligarquia: Povo inocente, trabalhador, lutador, sendo preso, porque ocupava aquilo que era seu por direito.
Por fim fica aqui a nossa última e mais importante indignação, que é com o juiz substituto da 1ª Vara Federal de Campo Grande, Ronaldo José da Silva, que na tarde de ontem (29) autorizou o uso da força policial para reintegração de posse, graças a essa ação um filho chora, uma mãe fica sozinha e pessoas estão machucadas na alma e fisicamente.
Nossa eterna solidariedade aos irmãos indígenas de MS e de todo o Brasil, estamos e sempre estaremos com vocês nessa e em muitas outras lutas!

