09/08/2013 14h39 – Atualizado em 09/08/2013 14h39
Fonte: Da Redação
O Dia do Estudante é comemorado em 11 de agosto, a mesma data em que foram instituídos os dois primeiros cursos de Ciências Jurídicas e Sociais do Brasil, por Dom Pedro I, no século XIX. Em razão dessa marcante decisão, Celso Gand Ley, cem anos após a criação desses cursos, em 1927, indicou a data para se tornar o Dia do Estudante.
No Brasil, a educação é um problema social, pois não atende a demanda da quantidade de crianças e jovens que deveriam ingressar nos estudos. As escolas não possuem estrutura física adequada, além de faltar muitas vagas, fazendo com que um grande número de crianças e adolescentes não tenham a oportunidade de estudar.
A educação é uma responsabilidade dos governantes e está na Constituição do nosso país, mas ainda está muito deficitária, com professores mal remunerados e um ensino de pouca qualidade. Tudo isso favorece a evasão e a repetência escolar.
Um a cada quatro alunos que inicia o ensino fundamental no Brasil, abandona a escola antes de completar a última série. É o que indica o Relatório de Desenvolvimento 2012, divulgado pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).
Com a taxa de 24,3%, o Brasil tem a terceira maior taxa de abandono escolar entre os 100 países com maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), só atrás da Bósnia Herzegovina (26,8%) e das ilhas de São Cristovam e Névis, no Caribe (26,5%).
Em um bate-papo com alguns alunos da escola estadual Coronel Felipe de Brum, Welisson Saraiva, Rodrigo Nascimento, Carlos Bruno do 2º ano do ensino médio e Gabriel Machado do 9º ano do ensino fundamental, estes contam alguns dos motivos, entre eles bons e ruins, que levam alunos a desistirem da escola.
“Alguns tem sim motivo para desistir, outros desistem sem motivo dizendo que vão trabalhar, mas a família não precisa de dinheiro”, conta Rodrigo Nascimento.
“Tem muita gente que desiste por morar na área rural também, é uma grande dificuldade”, explica o aluno Welisson Saraiva.
“Desistir por não gostar de estudar, ou pra jogar videogame em casa, não vale a pena”, diz Carlos Bruno.
“Se tem gente que estuda e trabalha, por que esses alunos não podem fazer o mesmo?”, conclui Gabriel Machado.
“Meu vizinho desistiu porque precisava de dinheiro, ele mora na fazenda, mas isso não é motivo para desistir, é preciso ir até o final”, diz Wanderson Jesus Ferreira Resende, aluno da escola e morador rural.
Ele conta que uma das coisas que mais gosta de fazer é vir para escola e que não consegue entender como alguém consegue desistir de algo tão bom.
“Deveriam tentar pelo menos estudar a noite, quem tem a oportunidade, porque o pessoal da fazenda não tem locomoção”, conclui o estudante.
Deise Taila Miranda Martins cursa o 8º ano e conta que para ter um futuro precisa dos estudos. “Eu tinha um amigo que faltava muito, pouco a pouco ele foi desistindo da escola e isso foi errado, pois nossa intenção vindo à escola é mais importante do que dormir”, conta ela.
Dados da escola contam que a maioria das desistências acontecem no período noturno, acarretadas pelo desestímulo dos alunos de terem trabalhado o dia todo em outros afazeres.
“Nós passamos para eles que nossa intenção é não produzir a miséria, aceitando a realidade de cada um e mostrando que eles podem ser ainda melhores e diferentes dos outros”, conta Jesudete Nascimento, coordenadora pedagógica.
Ela ainda conta que o auxílio da escola em meio aos alunos da área rural é de grande valia, devido ao apoio e entendimento prestado por conta de ônibus e pela agravante de casos de desistência por meio destes.




