24/08/2013 08h59 – Atualizado em 24/08/2013 08h59
Fonte: Câmara Municipal de Campo Grande
Diversas mulheres da área rural de Campo Grande lançam no próximo sábado, 24 de agosto, a Associação Broto Frutos Culinária do Cerrado Rosinhalu. O evento tem início às 19h, no salão da igreja Sagrado Coração de Jesus, com um jantar agroecológico e orgânico. O grupo é formado por oito mulheres empreendedoras que residem em diversos assentamentos. Este Coletivo é o primeiro empreendimento solidário de agricultura familiar, formalmente constituído em associação, que produz alimentos com matéria prima do Cerrado de Mato Grosso do Sul.
Haverá ainda o lançamento do livro “Primeiros Poemas”, de André Luiz da Silva Lima; e dança do ventre com o grupo Studio Aline Nazly (Dourados-MS). Um desfile de moda vai divulgar as grifes “Algodão do Campo”, “Campo Grande a tiracolo” e “Rosa de Saron Moda feminina Evangélica”.
Entre os apoiadores, o vereador Eduardo Romero destaca a importância de grupos como este, que valorizam a economia familiar e a autoestima das mulheres. “Tivemos a oportunidade de receber estas empreendedoras em nosso gabinete. Ficamos encantados com a dedicação ao trabalho e a vontade de promover a culinária de nosso Cerrado, aproveitando as riquezas que este bioma nos oferece”, destaca o presidente da Comissão de Meio Ambiente e vice presidente da Comissão de Cultura.
Rotina empreendedora
Com histórias parecidas envolvendo luta pela terra e discriminação de gênero, estas mulheres se uniram para gerar renda e fortalecer a autoestima, produzindo bolos, biscoitos, tortas, patês, mousses, salgados. A matéria prima está no Cerrado sul-mato-grossense, utilizando o cumbaru, bocaiuva, jatobá, pequi, marmelo, jenipapo, araça, araticum, ibisco e cagaita.
Por volta das cinco horas da manhã, as empreendedoras da Broto Frutos Culinária do Cerrado iniciam o dia de trabalho, na área rural de Campo Grande. Depois de tratar dos animais e encaminhar filhos para a escola, pegam um carro emprestado e vem a Campo Grande, para divulgar as ações do grupo no perímetro urbano.
“No caminho nos tornamos empresárias, nos maquiamos e arrumamos os cabelos para divulgar a agricultura familiar na cidade. Muitos não acreditam que somos rurais, mas acreditamos que uma mulher do campo também precisa ser vaidosa, para apresentar bem nossa associação”, revela Oziane da Silva Almeida, uma das oito integrantes do coletivo.
De acordo com a presidente Rosa Maria da Silva, além das oito famílias beneficiadas diretamente, o empreendimento solidário contribui para mais de 300 famílias do Estado, uma média de duas mil pessoas envolvidas indiretamente. A partir da associação registrada, o grupo vai ampliar sua rede de formação e comercialização. O evento de lançamento tem o objetivo de realizar um balcão de negócios com degustação, além de obter recursos para o maquinário, armazenamento e embalagem da produção, que devido a falta de energia nos assentamentos precisa ser feita na cidade.
As mulheres já realizaram degustações em exposições agropecuárias, shows, órgãos públicos e conseguiram firmar parceria com a Associação dos Funcionários do Sebrae-MS, que viabilizou a comercialização da Broto Frutos em eventos e instalações do Sebrae.
Serviço: Lançamento da Associação Broto Frutos Culinária do Cerrado Rosinhalu. Dia 24 de agosto, 19h. Ingressos com direito a degustação R$20,00. Salão da Paróquia Sagrado Coração de Jesus. Avenida Mato Grosso, 3280. Mais informações nos telefones 92965492 ou 92686454.
Cerrado
O site do Ministério do Meio Ambiente alerta que, depois da Mata Atlântica, o Cerrado é o bioma brasileiro que mais sofreu alterações com a ocupação humana. Com a crescente pressão para a abertura de novas áreas, visando incrementar a produção de carne e grãos para exportação, tem havido um progressivo esgotamento dos recursos naturais da região. Nas três últimas décadas, o Cerrado vem sendo degradado pela expansão da fronteira agrícola brasileira. Além disso, o bioma Cerrado é palco de uma exploração extremamente predatória de seu material lenhoso para produção de carvão.
Além dos aspectos ambientais, o Cerrado tem grande importância social. Muitas populações sobrevivem de seus recursos naturais, incluindo etnias indígenas, quilombolas, geraizeiros, ribeirinhos, babaçueiras, vazanteiros e comunidades quilombolas que, juntas, fazem parte do patrimônio histórico e cultural brasileiro, e detêm um conhecimento tradicional de sua biodiversidade. Mais de 220 espécies têm uso medicinal e mais 416 podem ser usadas na recuperação de solos degradados, como barreiras contra o vento, proteção contra a erosão, ou para criar habitat de predadores naturais de pragas. Mais de 10 tipos de frutos comestíveis são regularmente consumidos pela população local e vendidos nos centros urbanos, como os frutos do Pequi (Caryocar brasiliense), Buriti (Mauritia flexuosa), Mangaba (Hancornia speciosa), Cagaita (Eugenia dysenterica), Bacupari (Salacia crassifolia), Cajuzinho do cerrado (Anacardium humile), Araticum (Annona crassifolia) e as sementes do Barú (Dipteryx alata).

