07/10/2013 16h10 – Atualizado em 07/10/2013 16h10
Fonte: EFE
A degradação do solo custa ao ano US$ 40 bilhões, mas a utilização de sistemas de gestão de longo prazo permitiria produzir 2,3 bilhões de toneladas a mais de cultivos no mundo todo, segundo um estudo da ONU.
A quantidade extra de produção agrícola tem um valor de US$ 1,4 trilhão, o que indica que “o enfoque no lucro de curto prazo faz com que se trabalhe com as maiores taxas de extração possíveis, o que produz uma gestão insustentável do solo e sua degradação”.
Segundo o estudo, dirigido por Richard Thomas, pesquisador do Instituto para Água, Meio Ambiente e Saúde da ONU com sede em Hamilton, no Canadá, entre 10% e 20% das terras de sequeiro e 24% das utilizáveis do mundo estão degradadas, o que significa a redução ou perda de diversidade biológica e produtividade.
O estudo, intitulado “Economia da degradação dos solos”, avalia em US$ 40 bilhões as perdas anuais o custo da degradação destes solos.
A degradação afeta especialmente 1,2 bilhões de pessoas que vivem nas zonas rurais mais pobres do mundo, os que mais dependem do que o solo produz para a subsistência.
Nas zonas de sequeiro do planeta, onde vivem dois bilhões de pessoas, a cada ano se perdem entre oito e dez milhões de hectares de solo arável, uma superfície similar à da Áustria.
O estudo indica que tal degradação “é principalmente resultado de má gestão do solo, crises de fome relacionadas com secas e as percepções errôneas da abundante produção de comida, grandes reservas de alimentos na Europa, fronteiras abertas, comida subvencionada relativamente barata, baixos preços do solo e abundantes recursos energéticos e aqüíferos”.
Thomas declarou à Agência Efe que até agora a degradação de solos foi ignorada por governos e economistas porque não foi traduzida em termos econômicos.
“A problemática da degradação do solo e sua má gestão não ganhou força entre os políticos porque não foi apresentada em termos econômicos, apesar da recomendação em 2009 de dedicar mais esforços em valorar a degradação”, segundo Thomas.
“Os números econômicos são entendidos pelos ministros de Economia, que são os que escrevem os números nos orçamentos nacionais”, acrescentou.
O crescimento previsto da população até 2050, quando se estima que a Terra terá nove bilhões de habitantes, exigirá um aumento entre 70% e 100% da produção de alimentos dos recursos terrestres que existem na atualidade.
“Se a produtividade do solo se mantém nos níveis atuais, estima-se que será necessário transformar a produção agrícola em cerca de seis milhões de hectares ao ano, uma superfície equivalente a da Noruega, até 2030 para satisfazer a demanda por alimentos”, alerta o estudo.
“Foi nos últimos cinco anos que o setor privado começou a se interessar mais pelo solo porque se deu conta que as fontes de recursos naturais estão desaparecendo. Por isso começaram a adotar uma mentalidade mais ‘recicladora'”, explicou Thomas.
Desde 2007-2008 acontece uma proliferação de pesquisadores estrangeiros que estão comprando ou alugando terrenos, o que “é um sinal de que o mundo está despertando para as ameaças da degradação do solo”, sustenta o estudo.
Mas, “apesar deste interesse, os níveis de investimento em solo continuam abaixo do que se necessita para completar a crescente demanda de alimentos e serviços relacionados ao solo”.
“São necessários investimentos anuais de US$ 30 bilhões em agricultura para alimentar a população mundial”, sentenciou.

