06/11/2013 16h32 – Atualizado em 06/11/2013 16h32
Fonte: Estadão
Nascido no bairro de Vila Isabel, Rio de Janeiro, Jorge Dória (1920-2013) era filho de militar, teve uma rígida educação e tinha pela frente uma carreira como funcionário público. Mas, com a morte do pai, rendeu-se às artes irremediavelmente: foram quase 60 anos de carreira, nos quais interpretou papéis marcantes no teatro, no cinema e na televisão. Dória estava internado desde 27 de setembro, no Hospital Barra D´Or, no Rio de Janeiro. Ele morreu na tarde desta quarta-feira (6) devido a complicações cardiorrespiratórias e renais.
A estreia. Em 1952, teve um de seus grandes momentos no palco. Primeiro, lançou-se com o espetáculo As Pernas da Herdeira. Em seguida, entrou para a companhia Eva e Seus Artistas, em que estreou a peça A Amiga da Onça, de I. Bekeffi e A. Stella. Depois disso, permaneceria por cerca de uma década como ator fixo da cia. No período, firmou-se como um dos maiores comediantes do teatro e se destacou por sua atuação em O Freguês da Madrugada (1952), Sabrina (1955) e Valsa de Aniversário (1957).
O grande salto de sua trajetória teatral, contudo, só se deu em 1962, quando protagonizou Procura-se Uma Rosa, de Vinicius de Moraes, Pedro Bloch e Gláucio Gil, dirigida por Hélio Bloch. Também de Pedro Bloch fez Os Pais Abstratos, em 1966, sob direção de João Bethencourt. O encenador foi um de seus mais profícuos parceiros e o conduziu em diversos trabalhos de sucesso, entre eles, o mais afamado espetáculo da carreira de Dória, Gaiola das Loucas. A montagem, que estreou em 1974, ficou em cartaz por cerca de seis anos. Também com Bethencourt voltaria a se encontrar mais de 20 anos depois para criar O Avarento, de Molière.
Outro criador que o acompanhou em sua trajetória foi o dramaturgo e diretor Domingos de Oliveira. Ele o dirigiu em importantes clássicos como Escola de Mulheres, texto de Molière que lhe rendeu o prêmio Mambembe de 1984 e A Morte do Caixeiro Viajante, de Arthur Miller, que estreou em 1986.
Na televisão, conquistou seu primeiro papel em 1970, na extinta TV Tupi, como parte do elenco da novela E Nós, Aonde Vamos? Na Rede Globo, participou, como Lineu, da primeira versão da série A Grande Família, de Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha, e Paulo Pontes. “Foi um grande sucesso. Era um programa diferente, todas as cenas se passavam dentro de um ambiente, como se fosse um teatro”, declarou Dória certa vez à Globo.
Na emissora, também se destacou no especial O Noviço – adaptação de Mário Lago para a comédia homônima de Martins Penna. Nos anos 1980, chamou a atenção em Que Rei Sou Eu?, novela de Cassiano Gabus Mendes pela qual o ator recebeu o prêmio APCA – Associação Paulista de Críticos de Arte, como melhor intérprete de 1989. De Cassiano Gabus Mendes, também integrou o elenco de Meu Bem, Meu Mal, em 1990. Participou ainda de Zazá (1997) e Suave Veneno (1999). Entre 2000 e 2005, pôde ser visto no programa Zorra Total, do qual se afastou depois de sofrer um AVC – acidente vascular cerebral.

