20.6 C
Dourados
quinta-feira, 30 de abril de 2026

Gêneros, diferenças, sociedade e escola

- Publicidade -

13/03/2017 22h59

Defensoria promove reflexão sobre gêneros, diferenças, sociedade e escola em Amambai

A iniciativa, alusiva ao Dia Internacional das Mulheres, teve o objetivo de promover a igualdade entre os gêneros. Em Amambai, o workshop aconteceu no Centro de Eventos e foi assistido por um público de cerca de 500 pessoas, a maioria trabalhadores da Educação da rede municipal de ensino.

Fonte: Redação

O que você já deixou de fazer por ser mulher?** Esse foi um dos questionamentos feitos no workshop ‘Por uma escola mais democrática – pensando masculinidades e feminilidades’ promovido pela Defensoria Pública, por meio do Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem) e da Escola Superior da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul.

A iniciativa, alusiva ao Dia Internacional das Mulheres, teve o objetivo de promover a igualdade entre os gêneros e o debate entre diretores, coordenadores pedagógicos, professores das entidades de ensino municipais, estaduais e particulares de Mato Grosso do Sul, além de outros atores sociais envolvidos com a política de educação.

O evento foi realizado na última sexta-feira (10), em Campo Grande, e teve transmissão ao vivo pelo YouTube, além de espaços disponibilizados para a participação do público em comarcas do interior do Estado.

Em Amambai, o workshop aconteceu no Centro de Eventos e foi assistido por um público de cerca de 500 pessoas, a maioria trabalhadores da Educação da rede municipal de ensino. Coordenado pelo defensor público da comarca de Amambai, Marcelo Marinho, as palestras renderam reflexões que poderão nortear o trabalho dos profissionais da Educação em sala de aula.

“Este workshop é mais uma ferramenta na luta da defesa da mulher, vem de encontro das comemorações da semana da mulher (…) o tema busca orientação aos nossos alunos, os meninos e as meninas, com relação a igualdade de direitos e oportunidades entre homens e mulheres”, explicou o Defensor.

Programação

Para o enfoque sobre o tema, a Instituição trouxe a assessora da ONU Mulheres e especialista em gênero, educação e masculinidades, Vanessa do Nascimento Fonseca, para abordar ‘o papel dos homens na prevenção da violência nas escolas’. O evento também contou com a palestra do professor doutor do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Tiago Duque, sobre ‘diferenças, identidades e educação’; e da defensora pública do Nudem, Thaís Dominato Silva Teixeira, que dissertou ‘os porquês de ainda precisarmos discutir violência doméstica’.

Diferenças, Identidades e Educação

O professor doutor Tiago Duque enfatizou em sua palestra a importância de a sociedade, em especial, a escola pública, reconhecer a diversidade e tratar de forma igual as pessoas diferentes. “As diferenças não são necessariamente depreciativas”, alertou. Segundo Tiago, essas diferenças não precisam ser necessariamente de aceitação, elas precisam existir.

Citou os movimentos sociais – comunidades indígenas e quilombolas e o movimento LGBT, que reivindicam que suas diferenças sociais sejam tratadas como vantagem.

Em sua abordagem, o professor doutor explicou como o contexto social – cor, opção sexual, gênero, etnia, naturalidade e religião – interfere na aceitação das diferenças. Como exemplo, comparou duas mulheres: uma pobre, não cristã e negra; a outra branca e cristã; afirmando que a primeira é inferiorizada. As relações sociais estão envolvidas nas relações de poder.

Finalizando, falou que é necessário as escolas abordarem temas que englobam as diferenças, como as religiões, a diversidade sexual e a política.

Os porquês de ainda precisarmos discutir violência doméstica

A defensora pública do Nudem, Thaís Teixeira, iniciou sua intervenção com uma estatística alarmante: a cada hora e meia, uma mulher é assassinada por um homem no Brasil. Essa mulher está em situação de violência de gênero: sofre violência por ser mulher. No elenco da violência, não está somente a doméstica, mas também o assédio sexual e a violência no parto, exemplificou Thaís.

No ranking da violência contra a mulher no país, o Mato Grosso do Sul está em nono lugar. As três defensoras que na Defensoria da Mulher de Campo Grande têm trabalho intenso: em 2014, foram cerca de 4.600 processos de violência contra a mulher, em 2015, perto dos 6.400 e, em 2016, ultrapassou os 9.000.

Thaís relatou que, segundo pesquisas, 10 anos é o tempo médio que as mulheres demoram para romper um ciclo de violência

E, para quem achava que Amambai estava fora deste quadro, enganou-se; o município, assim como Camapuã, Jardim e Aparecida do Taboado, todos do MS, estão entre as 100 cidades com mais violência contra a mulher. O rumor na plateia foi geral, não há como não constranger-se e não envergonhar-se diante deste quadro.

Na opinião da defensora, a escola, por ser um local onde se perpetua a diferença entre homens e mulheres, é, em contrapartida e paradoxalmente, um dos principais espaços para discutir essa violência contra as mulheres. Também é necessário no papel da escola, segundo ela, desmistificar que o feminismo é um movimento de extremos.

O papel dos homens na prevenção da violência nas escolas

Um dos caminhos para combater as desigualdades entre os gêneros é a partir do empoderamento das mulheres, a fim de que elas assumam a dianteira do movimento que luta contra o machismo e contra as violências dele decorrentes na sociedade. Porém, por outro lado, a sensibilização dos homens sobre como o machismo os afeta e o que eles podem fazer para transformar esta realidade é outra vertente que também pode ser explorada.

É o que apontou a especialista em gênero, educação e masculinidades, Vanessa do Nascimento Fonseca.

Ela também enfocou, assim como o professor Tiago Duque, que “as feminilidades e as masculinidades não estão isoladas, elas estão sempre em relação a fatores sociais”. Além disso, “a construção da mulher sempre está em referência ao homem, é preciso desconstruir isso”. Um dos caminhos apontados para promover a desconstrução desse machismo institucional seria pela ‘educação de gênero’ nas escolas. Esta seria uma saída para se reduzir as desigualdades de gênero.

Segundo Vanessa, um dos papéis da escola é produzir sujeitos de direitos, cidadãos e emancipação das pessoas, no contexto de uma sociedade que promove igualdades. “Só que essa emancipação não vai acontecer enquanto não refletirmos criticamente como a sociedade produz e forma as pessoas. E as discussões sobre gênero têm essa função de pensar criticamente sobre a formação das pessoas. (…) que tipo de homem ou que tipo de mulher eu quero ser? Isso, para que a gente possa promover uma sociedade pelo respeito às diferenças”, reflete ela.

**Respondendo a pergunta inicial: O que você já deixou de fazer por ser mulher? Conforme pesquisas, 94% das mulheres já deixaram de fazer algo por receio de sofrerem assédio.

Auditório lotado por profissionais da Educação de Amambai; em primeiro plano, o defensor Marcelo Marinho, a secretária municipal de Educação, Zita Centenaro, e a professora da equipe de projetos da Semed, Glauce Mascarenhas.

Gêneros, diferenças, sociedade e escola

Gêneros, diferenças, sociedade e escola

Gêneros, diferenças, sociedade e escola

A assessora da ONU Mulheres e especialista em gênero, educação e masculinidades, Vanessa do Nascimento Fonseca.

Gêneros, diferenças, sociedade e escola

- Publicidade -

Últimas Notícias

- Publicidade -

Últimas Notícias

- Publicidade-