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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Amambaiense presta homenagem póstuma a padre Bonfilho

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03/08/2020 21h33

Trecho que fala sobre Bonfilho, do livro Che Tiempo Guaré, de autoria de Nery da Costa Júnior, foi lido por Ariovaldo Maciel Cavalheiro durante cerimónia fúnebre.

Fonte: Viviane Viaut/Assessoria

“Quem, pergunto eu, quem, havendo conhecido o padre Bonfilho Mânfio, na juventude ou meninice, não teria hoje o desejo, o mais ardente, em recolhê-lo em um abraço apertado, em um afago que fosse?” (Nery da Costa Júnior em Che Tiempo Guaré)

Durante 26 anos, de 1961 a 1987, Bonfilho Mânfio exerceu sua missão de padre na cidade de Amambai. Entre os que viveram nesta época, ou mesmo quem não viveu, não há quem não se refira a ele com carinho e reconhecimento de sua importância para a comunidade amambaiense. Não é saudosismo, e sim uma consonância acerca da grandiosidade da obra dele exercida como pároco.

No último dia 31 de julho, Pe. Bonfilho Mânfio, com 93 anos, faleceu em Santa Maria, RS, onde pertencia a comunidade local padre Caetano Pagliuca, Patronato. Diversas foram as manifestações públicas de cidadãos amambaienses demonstrando tristeza pelo passamento de uma personalidade que marcou época, influenciou vidas e conduziu cidadãos a crença em Deus.

Uma delas foi realizada durante a cerimônia de velório e foi feita pelo amambaiense Ariovaldo Maciel Cavalheiro – nesta oportunidade, apenas duas foram feitas, uma por familiar e outra por Ariovaldo. Ele reside em Paraíso do Sul, RS, cidade próxima a Santa Maria. É filho de Argemiro Soares Cavalheiro e de Anadi Maciel Cavalheiro e bisneto de José Alves Cavalheiro. Conheceu e conviveu com o padre Bonfilho.

Ele diz que é muito grato ao Padre Bonfilho “por todas as coisas que ele fez, foi professor da gente, como escoteiro também ele teve algumas participações; teve uma época que eu vim para o seminário, eu cheguei a sair com ele em algumas visitas ao interior (…).” Ele conviveu com Bonfilho até o ano de 1977, quando foi estudar em seminário Palotino no Vale Veneto, RS. Em 1978, retornou ao MS – Campo Grande, ficou seis meses e depois voltou ao RS. Hoje ele é bancário aposentado.

Ariovaldo é primo do desembargador Nery da Costa Júnior, autor da obra Che Tiempo Guaré, que narra memórias e fatos de Amambai. Entre estes, há um capítulo dedicado a padre Bonfilho Mânfio. Parte deste capítulo foi lida por Ariovaldo durante o velório.

“Chegando ao velório eu pedi para, em nome de Amambai, fazer uma manifestação e aí li uns capítulos do Che Tiempo Guaré que falam sobre o padre Bonfilho. (…) Aí eu fui ler e foi meio difícil de ler porque o Nery já tinha dito que a gente ia chorar, aí terminou e o pessoal aplaudiu, mesmo dentro da igreja, foi muito emocionante”, relata Ariovaldo.

Ele complementa seu relato afirmando que se sentiu muito orgulhoso com a oportunidade. Que na ocasião foi procurado por familiares do padre Bonfilho e por um padre local e que todos afirmaram desconhecer esta importância do padre Bonfilho para Amambai.

Nery Júnior fala ainda sobre Bonfilho: “Induvidosamente, Bonfilho é um ser central na vida da cidade e, portanto, de todo mundo. Em intensidade, em volume de obras, em qualidade humana. (…) Bonfilho Mânfio viveu por nós, amambaienses.”

Saiba mais sobre padre Bonfilho

Bonfilho é o primogênito de família de 13 irmãos. Nasceu dia 22 de maio de 1927, em Linha Base-RS; estudou em São João do Polêsine e no Colégio Máximo Palotino, em Santa Maria, onde foi ordenado padre, em 21 de dezembro de 1958.

Sua primeira missa foi em sua cidade natal, em 1º de janeiro de 1959. Dois anos após, recebeu a missão de transferir-se para um mundo novo: Amambai-MT, onde permaneceu durante 26 anos. (1961/1987), quando migrou para sua última paróquia, em Fátima do Sul, já à época Mato Grosso do Sul.

Foram 26 anos de fecunda dedicação à comunidade, como disse. Educador, dirigiu a Escola Paroquial Mãe Três Vezes Admirável e a Escola Dom Aquino Corrêa, do Estado. Foi professor de Ciências, Religião, Biologia e Português. Foi fundador do Curso Técnico em Contabilidade e da Escola Normal de Amambai. Chegou a atender diversas paróquias em Mundo Novo, Eldorado, Iguatemi, Sete Quedas e Itaquiraí, nem sempre em templos, mas em fazendas, escolas, e mesmo sob árvores, ao tempo. Foi precursor dos Cursilhos de casais, do apostolado da oração e de outras atividades religiosas. A fundação do Clube de Mães de Amambai teve também sua decisiva participação. Recebeu o título de Cidadão Amambaiense, em 1984 e Fatimasulense, em 2005.

(trecho do livro Che Tiempo Guaré de autoria de Nery da Costa Júnior)

Outras homenagens

Amigos amambaienses registraram suas homenagens em redes sociais.

Que Deus o receba com muito amor Padre Bonfilho Mânfio, o senhor fez parte da minha vida e de muitos amambaienses…vai com Deus…agora sua eterna morada!..Descanse em paz junto ao nosso Pai…muitas lembranças boas eu tenho do senhor..na igreja…na sala de aula..nas missas…na catequese…nas visitas que sempre nos dava a honra da sua presença…para sempre em nosso coração! (Deiva Centenário)

Descanse em Paz Padre Bonfilho, um Padre amigo, foi meu conselheiro quando adolescente e um amigo, Deus é grandioso, fez meu casamento e nos abençoou, o céu está em festa! Amém!!! (Cleusa Bonamigo)

O onipresente Pe. Bonfilho Mânfio foi encontrar-se com A’quele que tanto insistia em nos apresentar. Das missas das oito, das catequeses, das aulas de ensino religioso, das quermesses, dos PLCs, ele educou e liderou uma geração de amambaienses que hoje choram com a sua partida, mas agradecem tanto amor e empenho por uma comunidade. (Odil Puques)

Este momento é sempre triste… quando esta pessoa além de tudo fez parte de uma história comunitária… fica a certeza da missão que melhora as vidas de muitos… obrigado Pe. Bonfilho pela sua contribuição em nossa querida Amambai… agora vai para o descanso eterno e merecido. (Sérgio Barbosa)

Padre Bonfilho Mânfio. Combateu o bom combate. Viveu útil, longa e lindamente. Estará para sempre em nossos corações. Deus o receba, Santo Padre. (Nery da Costa Júnior)

Saiba mais sobre a obra

Che Tiempo Guaré / Nery da Costa Jr — 1. ed. — Dourados: Biblio
Editora, 2020.
712 p. ; 16x23cm.
ISBN 978-65-87086-07-1
1. Literatura. 2. Regionalismo. 3. Crônica.

Contatos

Site: www.chetiempoguare.com.br
E-mail: [email protected]
(067) 99853.3036 – Amambai e região sul – Viviane
(067) 99632.2404 – Campo Grande – Didoneth
(011) 96460.4444 – São Paulo – Ítalo

Veja abaixo vídeo produzido durante a missa de homenagem ao padre Bonfilho no momento que Ariovaldo Cavalheiro fez a leitura de trechos do capítulo de Che Tiempo Guaré que narra sobre o padre:


Homenagem da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora feita ao padre Bonfilho em 2008.

Igreja Matriz Corpus Christi - Vale Veneto, São João do Polesini, RS, onde foi realizada a missa em homenagem ao padre Bonfilho. (Foto: Ariovaldo Cavalheiro)

Ariovaldo Cavalheiro e o autor de Che Tiempo Guaré, Nery da Costa Júnior.

Capa do livro Che Tiempo Guaré, por Jamil Melo.

Padre Bonfilho

Homenagem de Amambai no sepultamento do padre. (Foto: Ariovaldo Cavalheiro)

Nery da Costa Júnior


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