Dilma visitou a ‘fantástica criação’ do Exército de Terracota
Depois de seis dias de uma intensa programação orientada pela “diplomacia de resultados” na China, a presidente Dilma Rousseff encerrou neste sábado, 16, a viagem pelo país asiático com uma visita ao acervo arqueológico que abriga o Exército de Terracota, perto de Xian. “É a oitava maravilha do mundo”, resumiu ela. Ao deixar o local, uma hora e dez minutos depois, Dilma se surpreendeu: foi aplaudida por chineses que aguardavam sua saída para entrar no complexo turístico. Bem humorada, acenou e distribuiu sorrisos.
“Fiquei comovida”, afirmou a presidente, pouco antes de embarcar de volta ao Brasil. Para assessores, ela viveu na China o seu “momento Lula” – expressão usada para se referir à popularidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dilma chega na noite deste domingo ao Brasil, depois de uma escala técnica em Praga.
Dilma fez questão de conhecer o Exército de Terracota após a maratona diplomática e comercial dos últimos dias, quando o Brasil conseguiu arrancar de seus anfitriões a autorização para exportar carne suína, além de destravar a encomenda de 35 aviões da Embraer. Ministros disseram ao Estado que ela ficou “bem impressionada” com o presidente da China, Hu Jintao.
Nem gêmeo
Por medida de segurança, o governo chinês mandou interromper as visitas à área que abriga o Exército de Terracota, logo que Dilma chegou, acompanhada de ministros, assessores e da filha, Paula. Fez o mesmo quando a presidente e sua comitiva visitaram a Cidade Proibida, em Pequim, na quarta-feira.
Descoberto por acaso durante trabalhos de irrigação, em 1974, o acervo arqueológico reúne cerca de 8 mil estátuas de guerreiros e cavalos, em tamanho natural, além de carruagens. O exército foi criado e esculpido para “proteger”, após a morte, o imperador Qin Shi Huang – fundador da primeira dinastia chinesa. Acredita-se que os artesãos tenham levado 38 anos para completar o serviço. Dispostas em formação militar, as estátuas foram enterradas junto ao mausoléu do imperador, por volta de 210 a.C.
Dilma demonstrou curiosidade pelo trabalho de restauração das peças. Encantou-se com a perfeição dos cavalos e com as expressões faciais dos guerreiros, esculpidas em detalhes, cada uma diferente da outra. “Não tem nenhuma repetição e nem gêmeo”, brincou.
Vera Rosa – Enviada especial / Estadão

