As perfurações oceânicas feitas por sondas a serviço da Petrobras podem causar um acidente ambiental de proporções semelhantes ao que atingiu o Golfo do México, em abril do ano passado, provocado pela British Petroleum. O alerta faz parte de relatório do Tribunal de Contas da União, de setembro do ano passado, feito a pedido da Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados e obtido com exclusividade pelo Brasil 247.
Ao realizarem uma profunda auditoria nos contratos da estatal com empresas do grupo Schahin, a pedido dos parlamentares, os técnicos do TCU chamaram a atenção da Petrobras sobre os riscos de um possível blow-out (explosão) a partir da operação de sondas terceirizadas pela companhia com a Schahin Engenharia S.A. No total, os contratos atingem um valor superior a R$ 12 bilhões.
“Apesar de a Schahin informar possuir capacidade dessa sonda operar até 6.096 metros, percebe-se que as operações com a SC Lancer em perfurações acima do limite de 5.000 metros são de risco elevado, pois a responsabilidade por problemas no poço, mesmo que decorrentes de, ou relacionadas à eventual falha da contratada, são assumidos pela Petrobras”, registra o relatório dos técnicos do TCU.
No contrato existente entre a estatal e a Schahin Engenharia, apesar de a sonda SC Lancer ser operada pela empresa privada, um eventual acidente é de responsabilidade da estatal.
“Cumpre ressaltar que o recente acidente – continua o relatório do TCU – envolvendo a companhia petrolífera British Petroleum (BP), no Golfo do México, foi causado por um possível blow-out (explosão) na sonda de perfuração do tipo semissubmersível da empresa Transocean, denomida Deepwater Horizon”.
A partir da comparação, o relatório do TCU assinala que “cumpre alertar a Petrobras que não exponha o meio-ambiente a riscos derivados da execução de serviços com a utilização de sondas, cujos limites operacionais sejam incompatíveis com a realização da atividade proposta”. O ministro José Múcio Monteiro, relator do processo, exortou a estatal a ter “uma postura mais diligente e menor complacente” com os recursos públicos.
Fonte: Brasil 247

