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sexta-feira, 15 de maio de 2026

Bolsista Rotary pela Paz conta sua história

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Eu estava num táxi a caminho de uma audiência no Congresso para testemunhar sobre a situação dos defensores de direitos humanos da Colômbia. Era a primeira vez que faria parte de uma audiência desse tipo e estava nervosa.

Virei-me para meu colega colombiano – um advogado especializado em direitos humanos com duas décadas de experiência protegendo as vítimas da guerrilha da Colômbia – e perguntei se ele também estava ansioso.

“O que me deixa nervoso é pensar em voltar à Colômbia depois dessas audiências sem saber o que vai acontecer”, ele respondeu.

Naquele momento, ele resumiu o desafio do meu trabalho como diretora executiva do U.S. Office on Colombia e defensora dos direitos humanos em Washington, D.C. Nada disso teria sido possível se não fosse o programa de Bolsas Rotary pela Paz, do qual participei em 2005-07.

Eu tinha acabado de retornar do meu trabalho com comunidades indígenas na Amazônia Equatorial e em Chiapas, no México, e queria promover paz e resolução de conflitos, mas não sabia como seguir em frente sem um mestrado. Então, uma pessoa que conheci ao trabalhar como voluntária para a organização Oxfam me contou sobre o programa Bolsas Rotary pela Paz. Sendo australiana, contatei o Rotary Club de Roseville Chase, em um subúrbio de Sidney, e, alguns meses depois, fui selecionada como bolsista.

O programa me levou à University of Bradford, no Reino Unido, para estudar resolução de conflitos internacionais, com ênfase em mediação e política. Eu fiz amizade com outros bolsistas e pude fazer pesquisas sobre direitos humanos, políticas regionais na América Latina e África, deslocamento interno, religião e resolução de conflitos.

Tive a sorte de fazer meu estágio – um dos requisitos do programa – com o especialista da ONU para os direitos das minorias. Examinei as violações dos direitos humanos contra afro-colombianos, os quais foram extremamente afetados por conflitos, sobretudo devido a deslocamentos forçados.

Agora, três anos depois de me formar, conheci algumas mulheres que me mostraram fotos de seus casamentos – parecidos com o meu. A diferença é que seus maridos estão mortos. Foram assassinados pelas forças armadas, que os vestiram com roupas de guerrilhas inimigas para simular que as mortes teriam acontecido em combate. Entre janeiro de 2007 e julho de 2008, cerca de uma pessoa por dia foi morta pelas forças armadas.

Esforços para levar atenção internacional a esse fato forçou o governo a eliminar alguns comandantes e oficiais. Devido ao meu trabalho no U.S. Office on Colombia, reuni-me com administradores do governo Obama e membros do Congresso para lhes pedir que pressionassem líderes colombianos a cessar esse abuso de poder. Conseguimos reduzir o número de execuções extrajudiciais. Além disso, ajudamos a convencer o governo do país a afastar mais de 50 oficiais corruptos e líderes das forças armadas, e a criar um programa sobre direitos humanos para o exército.

Para fazer o que faço, é necessário comprometimento e treinamento. É por isso que o programa Bolsas Rotary pela Paz foi importante. Tudo o que aprendi durante os meus dois anos na University of Bradford pode agora ser colocado em prática. Sem a preparação, não tenho certeza se conseguiria fazer progresso em um país que vivencia um conflito tão complexo e arraigado como esse.

Depois da audiência no Congresso, meu colega colombiano me disse: “Você tem ideia de como o trabalho que sua organização realiza é importante por nos permitir continuar a ajudar vítimas colombianas?” Neste tipo de trabalho é difícil medir o sucesso; e calcular números não parece relevante. Salvar uma pessoa é o que faz valer a pena.

Kelly Nicholls em entrevista a Stephen Yafa
The Rotarian — setembro de 2010

Kelly Nicholls participa de uma passeata em memória das vítimas do conflito na Colômbia. Foto cedida por Kelly Nicholls

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