Segundo agência da ONU, migrantes latino-americanos pagam US$ 6,6 bilhões todos os anos para viverem nos Estados Unidos ou Canadá; chefe do Unodc diz que ‘crime organizado assumiu proporções globais.’
O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc, pediu à comunidade internacional que implemente, com mais vigor, a Convenção da ONU sobre Crime Organizado Transnacional.
Segundo o chefe da agência, Yuri Fedotov, ‘o crime organizado assumiu proporções globais.’ A declaração foi feita nesta segunda-feira, na abertura de um encontro, de uma semana em Viena, sobre o combate ao problema.
Afeganistão
De acordo com o Unodc, o contrabando de migrantes latino-americanos recebe todos os anos US$ 6,6 bilhões, equivalentes a quase R$ 11 bilhões com a entrada ilegal na América do Norte.
A quantidade de cocaína traficada da região dos Andes para a América do Norte e a Europa soma US$ 72 bilhões. Quase metade deste valor é pago aos traficantes de heroína do Afeganistão para a Europa.
Adoção
O comércio ilegal das duas drogas combinadas atinge quase US$ 200 mil por minuto.
Para Fedotov, a globalização está expandindo o crime organizado em proporções jamais vistas.
O encontro em Viena marca ainda os 10 anos da adoção da Convenção. Ao todo 157 países ratificaram o tratado que forma a base global para extradição e assistência jurídica mútua.
Lavagem de Dinheiro
Segundo o Unodc, a convenção ajuda a cortar o financiamento do crime organizado, a combater a lavagem de dinheiro e a quebrar sigilos bancários.
A Avaliação da Ameaça do Crime Organizado Transnacional 2010 sugere que o tráfico de drogas continua a ser o negócio ilícito mais lucrativo para criminosos.
A agência da ONU também está atenta ao tráfico de recursos naturais e aos crimes cibernéticos.
A madeira do sudeste da Ásia que é traficada para a Europa e para a Ásia gera US$ 3,5 bilhões anuais além de causar desmatamento, pobreza rural e perdas para o meio ambiente.
Já os roubos de identidade pela internet dão aos criminosos cerca de US$ 1 bilhão por ano, 4 vezes mais que o mercado virtual da pornografia infantil.
Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.
